Café da Loucura e Bar Suricato derretem os muros do preconceito

Quem me conhece sabe que não resisto a um café. Ainda mais quando ele vem carregado de histórias. E esse é o caso do Café da Loucura.

Inaugurado em 8 de julho, na cidade de Botucatu, São Paulo, o café vem com vários sabores a mais. O espaço integra a Associação Arte e Convívio, e vem com a proposta de promover a inclusão social de pessoas com transtornos mentais pelo trabalho por meio da prestação de serviços, o espaço vai oferecer bolos, tortas, cafés, sucos, dentre muitas outras coisas.

A Arte e Convívio já tem experiência nesse ramo, pois já administra um café/lanchonete que funciona em um espaço que agrupa vários serviços de saúde, Fundação Casa e uma escola de ensino superior. O novo café funciona no espaço da Associação, de segunda a sexta, das 8h30 às 17h.

Duas pessoas que integram a Rede de Saúde Mental serão inicialmente responsáveis pelo funcionamento diário, mas todos os trabalhadores e trabalhadoras das outras oficinas participarão desse cotidiano de gestão do espaço: costura, encadernação, mosaico e ateliê de arte.

“A abertura desse café está em processo há dois anos. A proposta é não ser um café tão formatadinho, no sentido de poder abrigar diversas propostas. Começaremos a funcionar no horário de trabalho da Arte e Convívio e vamos avaliando a possibilidade e o interesse em ampliar”, define a psicóloga Deborah Mendes Araújo de Andrade.

O nome – Café da Loucura – marca um espaço em que ter transtornos mentais não impedem ninguém de ser produtivo e ter direito ao trabalho.

“Um diferencial dele é a variação do cardápio. Estamos inaugurando em julho, mês frio, de festas, então esse primeiro cardápio é junino/julhino: tem canjica, cocada com sorvete, café, chocolate quente, tortas doces e salgadas, brigadeiro, bolo gelado, bolo de pote. Na primavera, vamos oferecer salada de frutas, por exemplo. Queremos ter coisas diferentes do que os cafés ao redor oferecem”, completa.

Os cafés e sucos são preparados no local. Os itens de alimentação são adquiridos junto a pequenos produtores, o que ajuda a incluir outras pessoas. Dessa forma, o café promove a inclusão e oferece produtos de qualidade, ao mesmo tempo em que fortalece os pequenos empreendedores do ramo da alimentação e do artesanato.

A Associação Arte e Convívio (AAC) é uma entidade civil, sem fins lucrativos, que tem por objetivo desenvolver atividades de inclusão produtiva aos usuários dos serviços de saúde mental de Botucatu-SP, com núcleos de trabalho de encadernação, mosaico, costura e prestação de serviços, baseada nos princípios da Economia Solidária.

Para conhecer o Café da Loucura, basta chegar. Ele fica na Rua Prefeito Tonico de Barros 621, no centro de Botucatu.

Suricato, o bar que quebra muros

Suricato é um mangusto africano que, para sobreviver, se une a outros da mesma espécie, e eles se protegem uns aos outros. E é esse o nome de um bar localizado em Belo Horizonte, no bairro Floresta, zona oeste da cidade. Criado pela associação de mesmo nome, o Suricato promove geração de trabalho e renda para usuários da Rede de Saúde Mental da capital mineira.

No bar, cozinheiros e cozinheiras, recepcionistas, garçons e artistas se tratam de algum quadro de sofrimento mental. “A gente abriu esse espaço para que a cidade se encontrasse com a loucura. Isso quebra o preconceito, e as pessoas se relacionam de forma não condescendente, mas respeitosa”, define Marta Soares, coordenadora do Suricato.

Além do bar, a associação expõe pinturas, mandalas, movelaria e obras de arte produzidos por usuários da rede. Mais de 50 postos de trabalho são gerados pelo Suricato, contando os núcleos de trabalho que produzem arte. A associação existe há 13 anos.

O bar funciona na Rua Souza Bastos 175, no bairro Floresta, de quinta a sábado, a partir das 20h.

Esse vídeo, publicado pelo portal Uai, mostra um pouco mais do cotidiano do bar:

Foto: Divulgação/Café da Loucura

Jornalista e mestre em Antropologia. Coordenou a Comunicação da Secretaria do Verde da Prefeitura de São Paulo – quando criou as campanhas ‘Eu Não Sou de Plástico’ e, em parceria com a SVB, a ‘Segunda Sem Carne’. Colaborou com a revista Página 22, da FGV-SP, e com a Unisol Brasil. Hoje é conectora – trabalha linkando projetos e pessoas de todas as áreas na comunicação para um mundo melhor

Mônica Ribeiro

Jornalista e mestre em Antropologia. Coordenou a Comunicação da Secretaria do Verde da Prefeitura de São Paulo – quando criou as campanhas ‘Eu Não Sou de Plástico’ e, em parceria com a SVB, a ‘Segunda Sem Carne’. Colaborou com a revista Página 22, da FGV-SP, e com a Unisol Brasil. Hoje é conectora – trabalha linkando projetos e pessoas de todas as áreas na comunicação para um mundo melhor

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