Caçadora mata girafa, extrai seu coração e o exibe nas redes sociais como presente do marido pelo Dia dos Namorados

Merelize Van Der Merwe tem 32 anos e, em seus perfis nas redes sociais, se gaba de caçar leões, girafas, elefantes e leopardos em busca de troféus. Mais: diz que essa prática salva as espécies do risco de extinção.

Este ano, em 14 de fevereiro, publicou uma foto polêmica em seu Facebook, que gerou revolta e indignação e gerou uma petição online para bani-la dessa rede social (sobre a qual falo mais adiante).

Na foto, a jovem segura o coração de uma girafa que acabara de abater em caçada patrocinada pelo marido como presente do Dia dos Namorados (Valentine’s Day, celebrado em diversos lugares do mundo em 12 de fevereiro).

Na legenda, relata sua alegria com o feito monstruoso:

“Alguma vez se questionaram quão grande é o coração de uma girafa? Estou absolutamente perdida de amores pelo meu GRANDE presente de São Valentim!”.

Foto: Reprodução/ Facebook

Entre os comentários, há elogios de amigos e simpatizantes da prática, mas a maioria é de pessoas revoltadas e enojadas com o crime, entre elas ativistas e organizações dos direitos dos animais, que a classificam de doente e monstro, entre outras qualidades.

No fundo, ela gosta de alimentar esse tipo de discussão: não esconde o desprezo e o desrespeito que sente pelos defensores de animais, que chamada de “máfia”.

De acordo com o site Público, o marido da “exímia caçadora” teria pago 1.500 libras (cerca de 11 mil reais) para que ela pudesse matar uma girafa de 17 anos e extrair-lhe o coração.

Caça, turismo e extinção

A sanha por matar animais começou quando Merelize tinha cinco anos. Desde então, ela participa de caçadas para conquistar troféus. Já matou cerca de 500 animais.

Para ela, a morte de um animal velho significa sua substituição por um animal mais jovem e forte e, por consequência, a garantia de uma genética mais forte para a manada.

Para defender seu esporte favorito, a jovem ainda defende que “caçar protege vários empregos no turismo” e “tem ajudado a recuperar centenas de espécies em vias de extinção”.

Mais: “Se caçar animais for proibido, os animais vão perder valor e desaparecer. As únicas pessoas a protegerem estes animais são os caçadores de troféus”.

Petição para banir Merelize do Facebook

Foto: Reprodução/Facebook

Em sua página no Facebook, Merelize compartilha imagens de espécies em vias de extinção que costuma matar.

Faz parte da exibição, revelar seu “prazer mórbido” com a publicação de vídeos e imagens em que aparece “coberta de sangue, de crias mortas”, ou mesmo de rituais em que ela e seus amigos ou namorados se exibem cortando suas vítimas.

É o que denuncia e enfatiza a petição que pede o banimento da caçadora do Facebook e, que até hoje, 25/2, conta com quase 23 mil assinaturas. Participe!

Sociopata é pouco

“A caça de troféus não é uma ferramenta de conservação, nem contribui com fundos significativos para as comunidades locais”, salienta Mark Jones, da Born Free Foundation.

Esta ONG foi fundada em 1984 e luta pelo bem-estar dos animais selvagens e pela Conservação Compassiva, disciplina que visa combinar os campos da conservação e do bem-estar animal.

Elisa Allen, do PETA (sigla em inglês para a ONG Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais) vai além:

“Alguém que mata outro ser senciente, retira-lhe o coração e gaba-se sobre o feito, se encaixa na definição de sociopata. Um dia, a caça por troféus será listada como um sinal de transtorno psiquiátrico, como já deveria ser hoje”. E completa: “Isto é grandiosidade, assassinatos em série e sede de sangue combinados a um desejo ardente de se exibir”. 

Fonte: Público, The Steeple Times

Fotos: Reprodução/Facebook

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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