Famoso caçador de leões, rinocerontes, zebras e elefantes é morto a tiros próximo de reserva da vida selvagem na África do Sul

Caçador de leões, rinocerontes, zebras e elefantes é morto a tiros próximo de reserva da vida selvagem na África do Sul

Difícil ler o titulo de uma noticia como esta e não sentirmos um certo regozijo, principalmente se somos contra a caça de animais silvestres e armas. E, ainda mais, num momento como o que vivemos no Brasil, em que parlamentares comprometidos com a indústria de armas e milícias querem aprovar – a qualquer custo – a liberação desse tipo de caça, e o presidente tem feito tudo que está ao seu alcance para armar a população, em especial criminosos.

Riaan Naude, de 55 anos, era conhecido como exímio caçador e obcecado por troféus. Adorava se exibir em fotos ao lado dos animais que executava covardemente como elefantes, girafas, leões e rinocerontes. 

E ainda fazia do hobby tenebroso, seu ‘ganha-pão’: era proprietário de uma agência de viagens de caça, a Pro Hunt Africa, que cobrava até US$ 2,5 mil por excursão. 

Se o turista quisesse matar um crocodilo, pagava mais US$ 2,5 mil; se fosse uma girafa, desembolsava mais US$ 1,5 mil. Se não conseguisse caçar, a diária era bem acessível: US$ 350.

À queima-roupa

Em 8 de junho, Naude sentiu na pele o que fez em boa parte de sua vida contra animais selvagens. 

Em plena luz do dia, foi executado a tiros em sua caminhonete, na Marken Road, próximo à fazenda Sekgobela, nos arredores de Mokopane, em Limpopo, África do Sul, próximo ao Parque Nacional Kruger, uma reserva de vida selvagem.

Segundo testemunhas ouvidas pelo Heritage Protection Group (HPG), organização sem fins lucrativos que visa prevenir e investir crimes graves, o crime aconteceu quando ele foi obrigado a parar devido ao superaquecimento do motor. 

Assim que o caçador estacionou o carro, uma caminhonete parou ao lado, dois homens saíram rapidamente e um disparou contra ele. 

“O morto estava deitado de costas ao lado do carro, com o rosto e a cabeça ensanguentados”, declarou o tenente-coronel Mamphaswa Seabi, porta-voz da polícia. 

“Vestia camiseta azul e calça marrom e estava usando um coldre de arma de fogo vazio na cintura”, contou o policial, sugerindo que a arma de Naude pode ter sido roubada, depois de ter sido usada para matá-lo.

No interior de seu carro, ainda foram encontrados dois rifles de caça, munição, roupas e uma garrafa de whisky. “Havia muitas balas ‘vivas’, como se ele estivesse caçando e acampando ao redor de Sterkrevier, onde há muitas fazendas de caça”, acrescentou Seabi.

O porta-malas do carro de Naude estava aberto e uma garrafa azul contendo água ao lado do corpo, o que sugere que ele tinha intencao de usá-la para driblar o aquecimento do motor. 

Caça ao troféu

A polícia foi chamada por um pastor de gado que estava relativamente próximo do local onde o crime ocorreu. Ele ouviu um único disparo e, em seguida, viu uma caminhonete branca com um trailer se afastar em alta velocidade, rumo ao norte.

A investigação sobre o assassinato de Naude continua em andamento e, de acordo com a polícia, não há nenhum indício que aponte que o motivo de sua execução tenha sido alvo devido à “sua caça ao troféu”.

Vale destacar que, em fevereiro deste ano, para frustração dos caçadores de vida selvagem, o governo sul-africano anunciou aumento nas cotas de preservação para elefantes, rinocerontes negros e leopardosespécies ameaçadas de extinção, entre as mais desejadas pelos praticantes desse ‘esporte’ abominável.

No Instagram, o perfil Pro Hunt Africa não era atualizado desde outubro de 2018. E a página de Riaan Naude é privada. No Facebook, desde maio nada era publicado. Há diversos comentários celebrando a caça do caçador e desejando que ele “queime no inferno”.

Navegando pelo site, vê-se que Riaan Naude ganhava dinheiro também oferecendo a produção de álbuns com retratos dos caçadores e suas conquistas, como também serviços de taxidermia.

_____

Leia também:
Seis anos após a morte do leão Cecil, Mopane é nova vítima de caçador americano no Zimbábue
Estado americano de Wisconsin libera a caça de 300 lobos na ‘temporada de outono’ de 2021
Caçadora mata girafa, extrai seu coração e o exibe nas redes sociais como presente do marido pelo Dia dos Namorados

Foto: reprodução do Instagram

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.