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Caça a golfinhos no Japão atende demanda de aquários e atrações turísticas no mundo todo

Caça a golfinhos no Japão atende demanda de aquários e atrações turísticas no mundo todo

Anualmente, no período entre setembro a março, ocorre a temporada de captura e matança de golfinhos em Taiji, no Japão. Usando barreiras sonoras que desorientam os animais, os caçadores os encurralam em direção à enseada. Lá alguns são escolhidos para serem vendidos para aquários e atrações turísticas do mundo todo e os demais simplesmente mortos, comercializados como carne.

A atividade é permitida pelo governo japonês e inclui ainda a matança de baleias. Todavia, a Agência de Pesca do país estabelece uma cota com o número máximo de animais que podem ser caçados.

Segundo um relatório da organização Proteção Animal Mundial, divulgado recentemente, a indústria do turismo participa ativamente dessas capturas. Adestradores de empresas do setor acompanham a saída dos barcos e apontam quais são os filhotes mais propícios para serem explorados futuramente.

De acordo com o levantamento, produzido em parceria com a Action for Dolphins, 107 delfinários, localizados em 17 países, vendem atividades de entretenimento envolvendo golfinhos capturados em Taiji.

Caça a golfinhos no Japão atende demanda de aquários e atrações turísticas no mundo todo

Golfinhos encurralados na enseada de Taiji
Foto: Robert Gilhooly

O relatório “Ondas do lucro: como a indústria do turismo se aproveita da caça aos golfinhos em Taiji” denuncia ainda que as empresas Trip.com, Klook, Traveloka, TUI, GetYourGuide e Groupon continuam a compactuar com esse tipo de crueldade ao oferecer a seus consumidores ingressos para shows com golfinhos.

“Golfinhos são inteligentes, socialmente complexos, sencientes e capazes de interpretar o que está acontecendo no ambiente, sentindo emoções como dor e medo. A temporada de caça é um período insuportável para os animais da região porque, além de lidar com a perda de membros do grupo, estão sujeitos à crueldade física e psicológica por estarem em um ambiente hostil, com ruídos das embarcações, redes de pesca e água avermelhada por conta do sangue de outros golfinhos”, denuncia Júlia Trevisan, coordenadora de Vida Silvestre da Proteção Animal Mundial.

Caça a golfinhos no Japão atende demanda de aquários e atrações turísticas no mundo todo

Sangue na água dos animais feridos ou mortos
Foto: Robert Gilhooly

Uma vida de estresse e sofrimento

Desde 2012, estima-se que mais de 10 mil golfinhos e pequenas baleias tenham sido vendidos ou mortos em Taiji.

Atualmente há 3 mil golfinhos em cativeiro, presos em piscinas artificiais, reféns da indústria do turismo e de pessoas que pagam ingressos para vê-los assim.

“Os animais que são mantidos nos parques temáticos passam por uma rotina de treinamento cruel e intensa. Muitas vezes são privados de comer para que o alimento seja a recompensa do treino. Ao longo do processo, eles aprendem a pular em argolas, erguer os treinadores pela nadadeira fora da água e a interagir com humanos recebendo alimento ou posando para fotos”, diz Júlia. “Os golfinhos são animais silvestres e, por conta disso, não interagem naturalmente com humanos. É preciso lembrar que a nossa presença é um fator de ameaça e estresse para eles”.

No Brasil, empresas como a CVC, Decolar, Trip.com e GetYourGuide ainda vendem entradas para atrações com animais selvagens em cativeiro, ressalta a Proteção Animal Mundial. Assine aqui a petição online pedindo para que elas parem de lucrar com o sofrimento deles!

Mapa mostra países para onde golfinhos japoneses já foram exportados, entre eles estão México, Rússia, Egito, Tunísia, Arábia Saudita, Bahrein, Irã, Emirados Árabes Unidos, Tailândia e China
Imagem: relatório “Ondas do lucro”

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Foto de abertura: Robert Gilhooly

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