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Bullying de orcas com botos intriga biólogos

Bullying de orcas com botos intriga biólogos

Apesar de serem predadoras de topo de cadeia e conseguirem caçar e matar até tubarões-brancos, por exemplo, orcas (Orcinus orca) de alguns lugares do planeta são bastante criteriosas com sua alimentação. É o caso das que vivem ao sul do Mar de Salish, na região do Pacífico, no litoral sudoeste do Canadá e noroeste dos Estados Unidos. Lá a base da dieta delas é um tipo específico de salmão, o Oncorhynchus tshawytscha, que pode chegar a pesar até 14 kg.

Para saciar sua fome as orcas consomem quase 25 desses peixes diariamente. Apesar disso, há décadas pesquisadores que monitoram a espécie nessa área percebem um comportamento misterioso desses cetáceos em relação a outro animal marinho, os botos.

Diversos registros feitos ao longo dos últimos 60 anos revelam um “bullying” das orcas com eles. Eventualmente até os matando por causa das “brincadeiras”, entretanto, sem nunca comê-los.

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Entre 1962 e 2020 foram documentados quase 80 desses assédios, como por exemplo, as orcas empurrando-os com a boca, segurando-os entre os dentes, jogando-os para cima ou para outros membros do grupo. Em geral, os botos são filhotes ou de pequeno porte.

“Frequentemente me perguntam: por que as orcas dessa região não comem focas ou botos?”, diz Deborah Giles, pesquisadora da organização Wild Orcas, que ao lado de outros colegas acaba de publicar um estudo sobre o tema. “É porque elas têm uma ecologia e uma cultura completamente diferentes das orcas que comem mamíferos marinhos – embora as duas populações vivam nas mesmas águas. Portanto, devemos concluir que as interações com os botos têm um propósito diferente, mas este propósito tem sido apenas especulação até agora”.

Ao analisar dezenas de imagens, os cientistas elaboraram três possíveis hipóteses:

– Brincadeira social: o assédio aos botos poderia ser uma forma de brincadeira para as orcas. Como muitas espécies inteligentes, elas por vezes envolvem-se em atividades lúdicas para criar laços, comunicar ou simplesmente se divertir. Este comportamento poderia beneficiar a coordenação do grupo e o trabalho em equipe;

– Prática de caça: o bullying poderia aprimorar suas habilidades de caça ao salmão. As orcas podem ver os botos como alvos móveis para praticar técnicas de caça, mesmo que não tenham a intenção de consumi-los;

– Comportamento de misthering: as orcas poderiam estar cuidando de botos que consideram mais fracos ou doentes – uma manifestação da sua inclinação natural para ajudar outros membros do seu grupo. Fêmeas foram documentadas carregando seus filhotes mortos ou de outras espécies de forma semelhante (leia mais aqui).

Apesar das hipóteses acimas, os pesquisadores admitem que talvez nunca conseguiam porquê exatamente as orcas agem dessa maneira.

“As orcas são animais incrivelmente complexos e inteligentes. Descobrimos que o comportamento de assédio aos botos foi transmitido através de gerações e entre grupos sociais. É um exemplo incrível da cultura delas”, diz Sarah Teman, colaboradora da SeaDoc Society, um programa da Escola de Medicina Veterinária da UC Davis, nos Estados Unidos.

Bullying de orcas com botos intriga biólogos

Orca levando um boto sobre o nariz
(Foto: Wild Orca/CC BY-NC-ND)

*Com informações e entrevistas contidas no texto do site da UC Davis Veterinary Medicine

Foto de abertura: Candice Emmons (taken under NOAA permit #21348)

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