Britânico David Attenborough, um dos maiores naturalistas do mundo, é indicado ao Prêmio Nobel da Paz

“O Jardim do Éden não existe mais”, diz naturalista David Attenborough, sobre impacto do homem no planeta

Ele é praticamente a “voz da natureza”. Ao longo das últimas décadas, para aqueles – como eu -, que assistem programas sobre meio ambiente e animais, nossos ouvidos se acostumaram com a voz de David Attenborough. Com seu timbre pausado, o naturalista britânico nos contou sobre os grandes mistérios e também, ameaças ao mundo natural. Ele já viajou pelos quatro cantos do planeta – ou aqueles em que as atividades humanas ainda não destruíram – mostrando a biodiversidade da Terra e as belezas e o comportamento de nossa fauna e flora.

Aos 95 anos, Attenborough continua trabalhando ativamente. Apresenta programas de rádio e televisão. Fala em conferências sobre as mudanças climáticas. Questiona líderes globais, indignado, se “É assim que a nossa história vai acabar? A nossa motivação não deve ser o medo, mas a esperança”.

É por causa de sua trajetória e luta incansável pela natureza que os membros do partido Verde da Noruega indicaram o naturalista ao Prêmio Nobel da Paz 2022.

“Ele nos ensinou a ver o valor intrínseco de toda a diversidade de vida que existe no planeta, mas também como nós humanos somos vulneráveis ao equilíbrio dos ecossistemas”, revelou Une Bastholm, líder do MDG.

Diferentemente dos outros prêmios Nobel, que são selecionados pelo comitê sediado na Suécia, o da Paz é de responsabilidade do Comitê da Noruega, que possui cinco membros, apontados pelo Parlamento daquele país e que ficam no cargo durante seis anos. São eles que selecionam os laureados. Uma indicação pode ser apresentada por qualquer pessoa qualificada para tal, como membros de alguns órgãos e entidades, parlamentares, professores universitários, acadêmicos e ex-recebedores do Nobel. O prazo para o envio dos nomes é 31 de janeiro.

Apesar de o comitê norueguês não fazer comentários sobre as indicações e manter em segredo os nomes selecionados durante 50 anos, há liberdade para a divulgação dos indicados por aqueles que as fazem.

Já sabe-se, por exemplo, que concorrerão com Attenborough este ano o papa Francisco, a Organização Mundial de Saúde, a dissidente política da Bielorússia Sviatlana Tsikhanouskaya e a ativista Greta Thunberg, que já foi indicada em anos anteriores, 2019 e 2020.

O vencedor do Nobel da Paz, assim como das demais categorias, será anunciado em dezembro. A cerimônia de entrega dos prêmios acontece sempre no dia 10 daquele mês, aniversário da morte do seu idealizador, o industrial e filantropo sueco Alfred Nobel (1833-1896).

*Com informações do site Norway Today e Daily Express

Leia também:
“Temos uma responsabilidade moral!”, diz David Attenborough sobre ajuda de países ricos para que pobres enfrentem a crise climática
“Rompendo Barreiras”: documentário com David Attenborough e brasileiro Carlos Nobre faz alerta sobre os limites do planeta
Ao entrar no Instagram, naturalista britânico David Attenborough, de 94 anos, ganha 1 milhão de seguidores em apenas 4 horas
“O Jardim do Éden não existe mais”, diz naturalista David Attenborough, sobre impacto do homem no planeta
“O colapso de nossa civilização e a extinção de grande parte do mundo natural despontam no horizonte”, alerta David Attenborough

Foto: reprodução Facebook David Attenborough

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.