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Brasileiros trocam o arroz e feijão pelo fast food e o resultado pode ser visto na balança

Brasileiros trocam o arroz e feijão pelo fast food e o resultado pode ser visto na balança

O arroz com feijão, prato queridinho dos brasileiros até bem pouco tempo atrás, está perdendo cada vez mais espaço para refeições prontas, pobres em nutrientes e ricas em gorduras, como os chamados fast food. Em um período de dez anos, a substituição de alimentos tradicionais por comidas ultraprocessadas e de preparo rápido pode ter contribuído no aumento do excesso de peso e da obesidade entre homens e mulheres. É o que aponta um artigo recente publicado na “Revista de Nutrição”, por pesquisadores da Universidade Estadual do Ceará (Uece) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

A pesquisa também constatou redução no consumo de frutas, café e chá, peixes e frutos do mar, carnes processadas, leite e derivados. Por outro lado, houve aumento no consumo de frango e ovos.

Para entender a atual dinâmica alimentar dos brasileiros, os cientistas compararam dados dos blocos de consumo alimentar das Pesquisas de Orçamentos Familiares (POF) coletados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nos anos de 2008 e 2018. Do total de entrevistas, foram selecionados cerca de 50 mil questionários respondidos por homens e mulheres, de 20 a 59 anos, residentes em todo o território nacional, contemplando os diferentes perfis geográficos e socioeconômicos da população.

Segundo a pesquisa, o consumo médio de arroz por homens, por exemplo, diminuiu de 209 gramas por dia registrados em 2008 para 174 gramas em 2018, enquanto o de feijão e outros legumes caiu de 250 gramas para 231 gramas diários. Já a ingestão de fast food aumentou de 31 para 48 gramas por dia no mesmo período.

“Essa mudança nos padrões alimentares sugere um aumento no consumo de alimentos ultraprocessados, que estão associados a indicadores de obesidade com tendências positivas, independentemente do sexo e da faixa etária”, explica llana Nogueira Bezerra, pesquisadora da Uece e uma das autoras do estudo.

A pesquisadora lembra que o ganho de peso excessivo está associado também a fatores como “comportamento sedentário, diminuição da prática de atividade física e aumento no número de pessoas residindo em áreas urbanas, onde as atividades laborais e o deslocamento tendem a ser mais sedentários”.

Quando a comparação é de gênero, o levantamento mostra que a proporção de homens com sobrepeso é maior do que a das mulheres, mas o aumento ao longo dos anos entre as mulheres foi maior do que entre os homens. Para elas, o aumento foi de seis pontos percentuais, de 29%, em 2008, para 35%, em 2018. Enquanto entre os homens, o aumento foi de cerca de quatro pontos percentuais, de 38,4% para 42%.

Quando o parâmetro é a obesidade, as mulheres apresentam maior proporção que os homens, mas não houve diferença significativa no período, passando de 16,2% para 17,2%. Já os homens, passaram de 9,8% para 12,9%.

Na mudança de comportamento alimentar, as mulheres apresentaram aumento da ingestão de vegetais e também de bebidas alcoólicas. A alta no consumo de álcool também foi registrada entre os homens.

Para a autora do artigo, uma das estratégias para resgatar a cultura alimentar do nosso país é priorizar os alimentos consumidos e preparados em casa diante do aumento de serviços de vendas online e delivery de comidas de restaurantes e lanchonetes. Além disso, são fundamentais iniciativas como “adequações na rotulagem nutricional, tributação de itens ultraprocessados e regulamentação da publicidade e promoções relacionadas a esses produtos”, conclui Bezerra.

Fonte: Agência Bori

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Foto de abertura: Freepik

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