Brasil lidera ranking de países com maior perda florestal na última década

Brasil lidera ranking de países que mais tiveram perda florestal na última década

O mundo tem mais de 4 bilhões de hectares de florestas, o que representa 31% da área total da Terra. Mais da metade (54%) delas está em apenas cinco países – Rússia, Brasil, Canadá, Estados Unidos e China. E um novo relatório lançado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês) revela quais são as nações que mais tiveram progresso em conter o desmatamento e as que ainda enfrentam dificuldades para reduzir a destruição florestal.

De acordo com a “Avaliação Global de Recursos Florestais”, as áreas com perdas florestais estão aumentando, mas a taxa de devastação diminuiu.

O mundo perdeu 178 milhões de hectares de florestas desde 1990, uma área equivalente ao tamanho da Líbia. Na grande maioria, essas terras foram convertidas em solo para a agricultura. Todavia, a taxa de perda diminuiu substancialmente na última década, devido a uma redução no desmatamento em alguns países, além de aumentos na vegetação em outros, através de processos de reflorestamento e expansão natural das florestas.

A taxa de perda líquida de florestas caiu de 7,8 milhões de hectares por ano, na década de 1990-2000, para 5,2 milhões anuais entre 2000 e 2010 e atingiu o patamar atual de 4,7 milhões nos últimos dez anos.

Os países que apresentaram os melhores índices de ganhos florestais foram China, Austrália, Índia, Chile, Vietnã, Estados Unidos, França, Itália e Romênia.

Outra boa notícia trazida pelo levantamento da FAO é que a área de florestas protegidas no planeta aumentou em 191 milhões de hectares, totalizando cerca de 725 milhões de hectares, 18% do volume de florestas na Terra.

“Embora a taxa de desmatamento tenha diminuído bastante nas últimas décadas, ainda permanece como uma fonte de grande preocupação. No ritmo atual, corremos o risco de não cumprir as metas para 2030 relacionadas ao manejo florestal sustentável”, ressaltou Anssi Pekkarinen, especialista da FAO em florestas.

“Precisamos intensificar os esforços para deter o desmatamento e assim, contribuir para a produção sustentável de alimentos, o alívio da pobreza, a segurança alimentar, a conservação da biodiversidade e as mudanças climáticas, mantendo a produção de todos os outros bens e serviços que as florestas fornecem”, enfatizou.

Brasil lidera ranking de países que mais tiveram perda florestal na última década

Gráfico mostra os países com maior áreas de florestas no mundo

Agora, as más notícias…

Na verdade, o relatório da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação não traz nenhuma novidade. Outros levantamentos realizados por outras entidades já tinham apontado que o Brasil é o país que mais tem desmatado no mundo.

Há pouco mais de um mês,  um estudo com dados da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, publicado pelo Global Forest Watch, que divulgamos nesta outra reportagem, revelava que o Brasil aparecia em 1o lugar na lista das nações que tiveram maior perda árborea em 2019, assim como já havia acontecido em 2018. Nosso país contabilizou, sozinho, por um terço da redução global de florestas tropicais primárias no ano passado.

O levantamento da FAO confirma os demais estudos e coloca o Brasil no topo dos dez países que mais perderam florestas entre 2010 e 2020. Abaixo dele estão Congo, Indonésia, Angola, Tanzânia, Paraguai, Myanmar, Cambódia, Bolívia e Moçambique.

Brasil lidera ranking de países que mais tiveram perda florestal na última década

Ásia, Oceania e Europa tiveram aumento de suas florestas, enquanto África e América do Sul caminham em sentido oposto

*O relatório completo da FAO, com 186 páginas, você encontra neste link.

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Foto: Vinícius Mendonça/Ibama

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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