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Brasil é o segundo país com mais espécies de aves ameaçadas no mundo, revela novo e alarmante relatório global

Brasil é o segundo país com mais aves ameaçadas no mundo, revela novo e alarmante relatório global

A cada quatro anos, a organização BirdLife International divulga um relatório global sobre o status de conservação das aves do planeta. A edição 2022 foi publicada hoje e traz um cenário sombrio: quase metade das espécies delas estão com suas populações em declínio, ou seja, uma em cada oito está em risco de extinção. E o Brasil aparece em segundo lugar no ranking dos países com o maior número de aves ameaçadas, ficando atrás apenas da Indonésia.

O novo levantamento aponta que apenas 6% das espécies de aves do mundo apresentaram aumento de suas populações. Só na América do Norte, a estimativa é que, desde a década de 70, 3 bilhões de pássaros foram perdidos, assim como outros 600 milhões na Europa nas últimas quatro décadas.

“As aves nos falam sobre a saúde de nosso ambiente natural – ignoramos suas mensagens por nossa conta e risco”, diz Patricia Zurita, CEO da BirdLife. “Muitas partes do mundo já estão enfrentando incêndios florestais extremos, secas, ondas de calor e inundações, à medida que os ecossistemas transformados pelo homem lutam para se adaptar às mudanças climáticas. Embora a pandemia de covid e a crise global do custo de vida tenham, sem dúvida, desviado a atenção da agenda ambiental, a sociedade global deve permanecer focada na crise da biodiversidade”.

De acordo com o State of the World’s Birds 2022, a maioria das espécies de aves ameaçadas são encontradas em regiões tropicais do que latitudes temperadas. Nove países possuem mais de 80 delas, como é o caso da Indonésia (162 espécies), Brasil (154 espécies) e Colômbia (102 espécies).

Mas quando se fala em países ou territórios com a maior concentração de espécies em risco de extinção, são as ilhas do planeta que mais chamam a atenção. Na Polinésia Francesa, há 81 delas ameaçadas. Nova Zelândia, Ilhas Cook e Santa Helena também enfrentam uma alta perda de biodiversidade.

No ranking global, o Brasil empata com os Estados Unidos no segundo maior número
de aves criticamente ameaçadas
(Gráfico: State of the World’s Birds 2022)

Os especialistas da BirdLife Internacional citam quais são os principais fatores que estão levando tantas espécies a desaparecer. Entre eles estão a expansão agropecuária, a indústria madeireira, o desmatamento, a introdução de espécies invasoras e o tráfico ilegal de animais silvestres, e ainda, as mudanças climáticas, que já causam impacto na sobrevivência de diversas aves e no futuro, devem provocar ainda mais danos aos seus habitats.

O relatório menciona, por exemplo, a harpia (Harpia harpyja), a maior ave de rapina do Brasil. A espécie vive em florestas tropicais entre o sul do México e o norte da Argentina, e em território brasileiro, ainda é encontrada na Amazônia. Todavia, esse pássaro com asas que podem chegar a até 2 metros de envergadura faz seus ninhos em árvores que agora são derrubadas pelas empresas de corte de madeira.

Outra ameaça às aves amazônicas vem dos incêndios florestais. A análise destaca que em 2020 foram mais de 2.500 deles na região, quando 5,4 milhões de hectares foram queimados. No mesmo ano, a Austrália também sofreu com o fogo, e lá, acredita-se que 180 milhões de aves tenham sofrido, de alguma maneira, com a tragédia.

Além do cenário preocupante, a BirdLife International ressalta que há tempo de revertermos essa situação. Há exemplos de espécies que, após terem sido protegidas, conseguiram aumentar os números de suas populações.

“Não há como negar que a situação é terrível, mas sabemos como reverter esses declínios. Nossa pesquisa mostra que entre 21 e 32 espécies de aves teriam sido extintas desde 1993 sem os esforços de conservação empreendidos para salvá-las”, diz Stuart Butchart, cientista-chefe da organização. “Espécies como o periquito Echo, o condor da Califórnia e o black stilt não existiriam mais fora dos museus se não fossem os esforços dedicados de muitas entidades. Se dermos uma chance à natureza, ela pode se recuperar”.

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Foto de abertura: Dominik Lange on Unsplash

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