Bonecas especiais para crianças especiais

Bonecas especiais para crianças especiais

Durante a infância, é muito importante para a criança se ver representada em suas brincadeiras, em seu mundo imaginário. Faz parte da descoberta do processo de pertencimento, de fazer parte de um grupo. E muitas vezes, meninas e meninos usam suas bonecas e bonecos nesse ritual de identificação lúdico. Mas e quando a criança não consegue achar esse amigo de brinquedo exatamente igual a ela?

Foi pensando nisso que a americana Amy Jandrisevits criou a “A Doll like Me”, na versão para o português, “Uma Boneca como Eu”. A assistente social, que trabalhava com crianças em tratamento contra o câncer, sempre percebeu que havia pouca diversidade nos modelos de bonecas e bonecos infantis.

Então, depois que começou a trabalhar em casa, em 2014, para poder cuidar dos filhos pequenos, decidiu confeccionar bonecas customizadas para crianças especiais.

Amy faz bonecas e bonecos com membros amputados, deformidades faciais, marcas de nascença, cicatrizes, albinos … Ou seja, que sejam um reflexo exato da imagem das crianças que os irão segurar no colo e brincar com eles.

“É minha convicção sincera que as bonecas devem ser semelhantes a seus donos. E as bonecas devem estar disponíveis em todas as cores, gêneros e tipos de corpo. Em um mundo ideal, diferenças de membros, condição médica e marcas de nascença seriam tão aceitas quanto todas as outras coisas que nos tornam únicos. É por isso que faço bonecas. Elas tocam um lugar nas crianças que a medicina não consegue”, diz a assistente social.

Bonecas especiais para crianças especiais

Nesses seis anos, Amy já fez mais de 350 bonecas e enviou para crianças não apenas americanas, mas de outros países, como Canadá, Austrália, Venezuela, Israel e África do Sul. Ela faz tudo sozinha em sua casa. Desde a análise das características da criança, através de fotos, até o desenho, o modelo e a confecção final.

Bonecas especiais para crianças especiais

Muitas das bonecas são enviadas gratuitamente e todo o custo é bancado por uma plataforma de arrecadação de dinheiro para a iniciativa.

“Já fiz muitas bonecas e sem dúvida me apaixono por cada criança para quem eu tenho a sorte de costurar. Adoro as características que passo tanto tempo estudando …. As orelhas, o desenho das cicatrizes, aquelas mãozinhas. Afinal, seus pais e cuidadores querem que eu veja a mesma pessoa incrível que eles veem”, acredita.

Jordan tem um tipo raríssimo de câncer nos olhos

Nos últimos meses, depois que Amy apareceu em diversas publicações e revistas, ela tem recebido um número imenso de e-mails e pedidos. Não tem dado conta de tanta procura.

“Não gosto de pensar na A Doll Like Me como um negócio … Embora eu saiba que é. É um relacionamento … Sou eu mudando uma narrativa, uma boneca de cada vez. Sinto-me privilegiada de ser convidada a fazer parte da vida dessas pequenas pessoas”, afirma. “Crianças de todas as formas, tamanhos e cores merecem ser representadas e gosto de pensar que estou fazendo isso da minha mesa de jantar!”.

Amy, com sua máquina de costura, fazenda uma nova boneca

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Fotos: reprodução Facebook A Doll Like Me e Lindsey Livinston Photography (menino com manchas escuras)

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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