Bomba de sementes para combater a erosão

sementes germinando

Prevenir a erosão também é sinônimo de preservar a terra, os rios e as nascentes. Mas o que exatamente é erosão? Ela é um processo natural que atua em toda a crosta terrestre, podendo ocorrer nas mais diversas superfícies: solos, rochas e em terrenos arenosos.

Com a chegada da estação das chuvas, encharcamento e enxurradas carregam do solo todos os nutrientes importantes para a manutenção e saúde do seu jardim. Os micro-organismos preciosos para que ocorram as trocas bioquímicas entre os minerais e as raízes, os nutrientes e as sementes serão levadas se não houver uma drenagem adequada e uma boa camada de cobertura morta no terreno para proteger o solo.

E como é a melhor forma de prevenir a erosão? Através da melhoria da drenagem do terreno e sua capacidade de absorção. Isso pode ser feito com o cultivo de plantas perenes em terraços alternados, em curvas de nível em áreas de declive suave. E com a instalação de drenos subterrâneos, em forma de espinha de peixe, feitos com pedriscos, por baixo de gramados muito extensos e planos para poder distribuir o volume de água pela rede de drenagem uniformemente, dando assim maior poder de infiltração ao fluxo de água durante as chuvas.

A drenagem das áreas com declive mais acentuado deve ser feita com canaletas e degraus com contenção para o volume da água. Degraus com muretas laterais (em forma de caixa) são medidas importantes para ajudar o escoamento.

Também se recomenda evitar longos desníveis no terreno em linhas retas para diminuir a velocidade da água. O ideal é serpentear caminhos com materiais permeáveis como pedras, madeira, lajotas, tijolos – assentados numa superfície de areia -, e pedriscos, para facilitar a absorção da água.

Uma vez que o caminho  serpenteado esteja implantado, efetuar plantio em toda a  sua extensão, de forma que os materiais estejam circundados por plantas de raízes profundas e perenes de baixa manutenção (para evitar pisoteio e roçadeiras motorizadas). Algumas plantas que sugiro são capim limão, gardênias, azaleias, formio, araçá, alpínias, acerola, pitanga e buchinho.

Quando essas medidas não são tomadas, a água ganha força e velocidade e importantes estruturas do solo são levadas e surgem formas mais graves de erosão pluvial, com a formação de sulcos (ravinas ou regos), que em estados avançados  podem levar às voçorocas (imensos buracos em forma de vale, por onde a água vai levando consigo tudo que estiver pela frente: árvores, pedras, raízes, casas e até mesmo estradas). Nestes estágios de erosão, a desertificação do solo é o maior problema, pois já não há vestígios de nutrientes e sementes para reiniciar a vida.

Receita de bomba de sementes

Quanto antes se agir para evitar o aumento da erosão, melhor! Cultivo à lanço de bombas de sementes é medida paliativa importante. A introdução de espécies de crescimento rápido e pouco exigentes que, de preferência, perpetuem seu ciclo de cultivo, possibilitando o retorno das plantas originais do terreno. São  indicados para esses casos o uso de mucúna e feijão guandu, leucena e espécies pioneiras (plantas que atraem morcegos, pássaros, abelhas e roedores) e toda forma de agrosilvicultura.

Agora, anote aí a receita para fazer uma bomba de sementes. Pegue uma meia fina que já nao sirva mais para usar e faça um nó para fechá-la em baixo e poder utilizá-la várias vezes. Se for longa, você poderá fazer pelo menos cinco unidades.

Numa bacia, misture húmus de minhoca, pó de casca de coco ou substrato para plantas, uma mistura mais leve que a terra. Coloque no meio da sua bomba de vários tipos de semente. O ideal é cerca de quinze, daquelas que você puder colher na região. Separe as sementes de árvores das herbáceas, pois elas possuem tempo de germinação diferentes.

Servem sementes de girassol, alfafa, feijão guandú ou mucúna, crotalária, e até mesmo, de picão, carurú e quebra pedra, que são plantas invasoras de muita resistência e proliferação rápida. Feche o pedaço da meia formando uma bolinha de substrato com as sementes e antes de jogar na área de erosão, deixe-a dentro da água na noite anterior.

Aproveite os dias de chuva para jogar as bombas na terra  e espere uns 15 dias para ver se germinaram. As sementes brotarão dentro da mistura e romperão a barreira da meia com suas raízes fixando-se no terreno, com isto, algumas plantas voltarão a  crescer no solo, repovoando-o e cobrindo-o, protegendo a terra da ação das intempéries.

Tipos de erosão

Existem vários  tipos de erosão, mas o mais comum é aquele que ocorre nas fazendas, clubes, sítios, jardins e até mesmo, em vasos. Ele acontece pela ação das chuvas e até mesmo pela irrigação inadequada, quando a água cai muito rápido, batendo no solo nú, rompendo os graõs de terra e deixando-os separados pela lavagem dos compostos orgânicos e da argila, que são os primeiros  componentes a saturar (ficar cheios de água) e flutuar. Com isto, a terra acaba ficando compactada, dura, estéril e áspera.

O que acabo de descrever é a erosão pluvial e seu maior estrago não é somente no terreno de onde ela retira as camadas mais ricas do solo e sim, onde ela se deposita, causando entupimento de canos e drenos, assoreando (enchendo de terra e areia ) o fundo dos córregos e rios, dificultando a vida de animais silvestres e a alimentação dos peixes. Ocorre devido ao impacto das gotas da água no solo, efeito splash (lavagem ) ou pela erosão laminar que nada mais é, que o transporte difuso de partículas em forma de lençol pela água, carregando a terra de grandes superfícies. Muito comum de ocorrer em gramados, áreas planas, pastos, campos de futebol e locais onde a água se acumula formando grandes poças e em topos de colinas suaves.

A erosão marinha é o desgaste e transporte  de massas de terra  ou rochedos pela ação do mar  em linhas costeiras, arredondando encostas e reduzindo as rochas à minúsculas partículas de areia. Também pode ocorrer através da força dos ventos (erosão eólica), que move as dunas e desgasta as rochas, formando esculturas.

A erosão fluvial ocorre pela passagem dos rios, que corroem os leitos rochosos, transformando-os em vales serpenteados e, às vezes, até mesmo desaparecendo no subsolo para depois, reaparecer à quilômetros de distância.

A erosão glacial (escorregamento do gelo, neve ou glaciares) acontece através da força e pressão da neve e do gelo. Já a erosão por gravidade é o deslocamento de grandes volumes de terra em encostas íngremes, ocasionando deslizamentos que podem formar barreiras, derrubar estradas e moradias, soterrando vilas e ameaçando vidas.

E por fim, a erosão geológica que vai se formando com as sucessivas eras do tempo, deixando registrado nas rochas e solos, a passagem  dos ciclos geológicos em suas distintas  atividades biológicas,  metereológicas, pluviométricas( regime de chuvas) e terrestres ( vulcões, terremotos, avalanches e inundações).

Foto: wikimedia commons

Liliana Allodi

Geógrafa, paisagista, educadora ambiental e ilustradora científica. Começou a carreira em São Paulo como consultora paisagística. Durante 10 anos viveu no exterior (Austrália, Israel e USA) e neste último país, firmou suas habilidades para trabalhar com crianças. Atualmente dá aulas de horticultura para alunos do Ensino Fundamental, em Brasília. Também desenvolve projetos junto à Cia da Horta para centros de ensino, clubes e empresas.

Um comentário em “Bomba de sementes para combater a erosão

  • 22 de junho de 2019 em 12:57 PM
    Permalink

    Muito bacana, mas eu retiraria leucena da lista. Apesar se extremamente resistente e de se disseminar rapidamente, ela vai impedir o crescimento de outras espécies. Não é nativa e não vai permitir o crescimento de nenhuma outra nativa.

    Resposta

Deixe uma resposta