Bolsonaro distorce a realidade em discurso na Assembleia Geral da ONU e envergonha o país (de novo) diante do mundo

Publicamos, aqui, a nota divulgada pelo Observatório do Clima, rede formada em 2002 que reúne 50 organizações não governamentais e movimentos sociais, com o qual concordamos.

Jair Bolsonaro não fugiu do script no discurso de abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta terça-feira, 22/9. Em pouco mais de 14 minutos de uma fala calculadamente delirante, mais uma vez o presidente expôs o país de forma constrangedora e confirmou as preocupações dos investidores internacionais que pensam em sair do Brasil.

Ao negar simultaneamente a crise ambiental e a pandemia, Bolsonaro dá a trilha sonora para o desinvestimento e o cancelamento de acordos comerciais no momento crítico de recuperação econômica pós-Covid19.

O discurso na ONU não foi voltado à comunidade internacional, mas, sim, à claque bolsonarista que está “em casa” — em especial nas redes sociais.

Não teve o objetivo real de prestar esclarecimentos sobre a situação do Brasil a parceiros comerciais e consumidores preocupados, muito menos de propor uma visão de país, como era a tradição, mas de combater a realidade e inventar inimigos imaginários.

Bolsonaro usou a tribuna das Nações Unidas para fazer campanha à reeleição e não para promover o país.

“Ao arrasar a imagem internacional do Brasil como está arrasando nossos biomas, Bolsonaro prova que seu patriotismo sempre foi de fachada”, diz Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima.

“Acusou um conluio inexistente entre ONGs e potências estrangeiras contra o país, mas, ao negar a realidade e não apresentar nenhum plano para os problemas que enfrentamos, é Bolsonaro quem ameaça nossa economia. O Brasil pagará durante muito tempo a conta dessa irresponsabilidade. Temos um presidente que sabota o próprio país”.

Foto: Reprodução TV

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