Black is King: em seu novo álbum, Beyoncé enaltece o poder e a beleza dos negros e da cultura africana

Black is King: em seu novo álbum, Beyoncé enaltece o poder dos negros e da cultura africana

Tudo o que a cantora negra americana Beyoncé faz ganha proporções globais. E mais uma vez, foi assim. Na semana passada, ela lançou seu novo álbum Black is KingO Negro é Rei, em tradução livre para o português. Como em trabalhos anteriores, além da música, a artista também produz verdadeiros filmes para ilustrar seu conteúdo.

Black is King é baseado na história infantil O Rei Leão, um sucesso dos estúdios Disney, que ganhou uma refilmagem em 2019 e na qual Beyoncé dublou a personagem Nala. Não por acaso, o filme só pode ser assistido por enquanto no canal Disney+ e ainda, apenas nos Estados Unidos.

O musical, que começou a ser filmado no ano passado, antes da pandemia e dos protestos contra o racismo nos Estados Unidos após a morte de George Floyd, foi escrito, dirigido e teve produção executiva da cantora.

Black Is King faz uma releitura das lições de O Rei Leão para os jovens reis e rainhas de hoje, em busca de suas próprias coroas”, diz a campanha de divulgação do trailer do álbum, que você assiste mais abaixo e logo em seguida, uma das primeiras músicas já divulgadas.

Beyoncé é uma voz poderosa. Tem uma influência gigantesca nas redes sociais. Possui 60 milhões de seguidores no Facebook e nada menos do que impressionantes 150 milhões no Instagram. Ou seja, tudo o que ela diz é reverberado entre esse gigantesco número de pessoas.

Na história reescrita por ela, Simba é um menino negro, que ao longo de sua vida, tenta se reconectar com suas raízes africanas. Mostra ainda como os negros foram escravizados e tirados de suas terras, onde muitos eram príncipes, princesas, reis e rainhas.

Black is King: em seu novo álbum, Beyoncé enaltece o poder e a beleza dos negros e da cultura africana

Simba: o menino negro em busca de suas raízes

Em outros momentos há referências ao poder das mulheres dentro da cultura e das tradições da África. Há guerreiras respeitadas por sua força e sua beleza, como revelam as canções My Power e Brown Skin Girl. Essa última conta com a participação da designer, Tina Knowles-Lawson, mãe de Beyoncé, e também sua filha, Blue Ivy, de oito anos.

O novo trabalho da artista destaca ainda a importância das religiões e dos deuses africanos.

Black is King: em seu novo álbum, Beyoncé enaltece o poder e a beleza dos negros e da cultura africana

Em uma das músicas, Beyoncé faz uma referência
à história bíblica de Moisés, a criança que é abandonada no rio

Em suas redes sociais, no final de junho, Beyoncé falou sobre a emoção que sentiu ao assistir ao trailer do álbum.

Black is King é um trabalho de amor. É o meu projeto de paixão que venho filmando, pesquisando e editando dia e noite desde o ano passado. Eu dei tudo de mim e agora ele é seu. Foi filmado originalmente como uma peça complementar da trilha sonora de “O Rei Leão: O Presente” e tinha o objetivo de celebrar a amplitude e a beleza da ancestralidade negra. Eu nunca poderia imaginar que, um ano depois, todo o trabalho árduo nessa produção serviria a um propósito maior.

Os eventos de 2020 tornaram a visão e a mensagem do filme ainda mais relevantes, à medida que pessoas de todo o mundo embarcam em uma jornada histórica. Estamos todos em busca de segurança e luz. Muitos de nós querem mudanças. Acredito que quando os negros contam nossas próprias histórias, podemos mudar o eixo do mundo e contar nossa história REAL de riqueza geracional e riqueza de alma que não são contadas em nossos livros de história.

Com este álbum visual, eu queria apresentar elementos da história negra e da tradição africana, com um toque moderno e uma mensagem universal, e o que realmente significa encontrar sua auto-identidade e construir um legado.

Passei muito tempo explorando e absorvendo as lições das gerações passadas e a rica história de diferentes costumes africanos. Enquanto trabalhava neste filme, houve momentos em que me senti sobrecarregada, como muitos outros da minha equipe criativa, mas era importante criar um filme que incutisse orgulho e conhecimento.

Só espero que, ao assistir, você se sinta inspirado a continuar construindo um legado que afeta o mundo de uma maneira incomensurável. Oro para que todos vejam a beleza e a resiliência de nosso povo…”

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Fotos: divulgação e reprodução vídeo

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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