Biólogos se mobilizam para salvar centenas de baleias encalhadas na costa da Austrália

Biólogos se mobilizam para salvar centenas de baleias encalhadas na costa da Austrália

*Atualizado em 22/09/20, às 21h40

Aproximadamente 270 baleias estão encalhadas em Macquarie Harbour, uma enseada de águas rasas, na costa da ilha da Tasmânia, na Austrália. Segundo as primeiras informações divulgadas pelas autoridades locais e o Tasmania Parks and Wildlife Service, acredita-se que 25 delas morreram, mas o número real de óbitos ainda não pode ser confirmado.

Equipes de resgate já chegaram ao local e agora discutem a melhor maneira de tentar ajudar os animais. Porém, não será uma tarefa fácil. As baleias-piloto (Globicephala), uma espécie do grupo dos golfinhos, podem chegar a ter mais de 7 metros de comprimento e pesar até 3 toneladas.

Encalhes não são incomuns nessa região da Austrália. Mas nunca antes se viu um grupo tão grande de baleias. Em 2009, quase 200 ficaram presas nessa área.

De acordo com especialistas, a espécie é mais suscetível a encalhar porque vive em grandes grupos, coesos, e sempre segue um líder. Caso ele se perca ou rume a águas superficiais, todas têm o mesmo destino.

Biólogos se mobilizam para salvar centenas de baleias encalhadas na costa da Austrália

Algumas das baleias mortas, que foram levadas pela água até a areia

Baleias-pilotos podem ser observadas no mundo todo, em regiões tropicais à temperadas quentes, sobretudo, em alto mar e ilhas insulares, em águas de grande profundidade, com o o caso de Fernando de Noronha, no Brasil.

Esses cetáceos são carnívoros, alimentando-se principalmente de lulas, mas também comem polvos e peixes. As baleias-pilotos vivem, em média, 60 anos.

Biólogos se mobilizam para salvar centenas de baleias encalhadas na costa da Austrália

Encalhes nessa região são comuns, mas esse é o
maior grupo da última década

A operação de desencalhe das baleias na enseada da Tasmânia será feita amanhã, na terça-feira, no período de maré alta, mas deve demorar vários dias. O governo já pediu a ajuda de voluntários e pediu para que a população fique longe do local.

A equipe que participar da operação conta com 60 pessoas. “Especialistas em conservação envolvidos no trabalho de resgate estão tentando fazer com que os animais boiem e assim, consigam avaliar seu comportamento”, explica Kris Carlyon. “Muitos dos esforços de resgate dependerão de como esses animais respondem, uma vez que tenham água embaixo deles ”.

Na noite da terça-feira, foi informado que a operação tinha conseguido salvar, até aquele momento, 25 baleias, que conseguiram nadar para alto mar.

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Infelizmente, depois de um primeiro levantamento, os profissionais afirmaram que aproximadamente 1/3 das baleias está morta

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*Com informações da Agência de Notícias Reuters e Oceana

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Fotos: The Advocate/Brodie Weeding e Facebook Tasmania Parks and Wildlife Service

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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