Biólogos celebram presença recorde de filhotes de baleias jubarte na costa oeste dos Estados Unidos e Canadá

Biólogos celebram nascimento recorde de filhotes de baleias jubarte na costa oeste dos Estados Unidos e Canadá

Entre 1700 e 1900, estima-se que cerca de 300 mil baleias jubarte foram mortas pela indústria da pesca no mundo. Nos séculos passados, elas eram caçadas para que fosse retirado de seu corpo um óleo, utilizado para diversos fins, entre eles, servir de combustível para iluminação. Além disso, também era tidas como uma ameaça ao homem. Felizmente, o ser humano se deu conta de sua ignorância e do papel tão importante que estes gigantes dos oceanos têm em seus ecossistemas. Através de políticas governamentais, que proibiram a caça às baleias, e o esforço de organizações de proteção animal, baleias, não só jubartes, mas de várias espécies, voltaram a povoar nossos oceanos.

E assim, como depois de quase serem levadas à extinção no Brasil e no Atlântico Sul, as baleias jubarte terem conseguido recuperar sua população, o mesmo começa a ser observado agora na costa oeste dos Estados Unidos e do Canadá, mais exatamente no Mar de Salish, na fronteira entre esses dois países, na região dos estados de Washington e British Columbia.

Em 2021 foi registrado um número recorde de filhotes de jubartes nessa área: 21 deles foram documentados por observadores de baleias e pesquisadores. É o dobro do que foi detectado no ano passado.

“2021 foi um ano marcante para as jubartes fêmeas que chegaram à Salish com novos filhos”, comemora Wendi Robinson, naturalista que trabalha com uma operadora de turismo. “Os filhotes só viajam com a mãe por um ano ou mais e então ficam por conta própria. Depois de se familiarizarem com nossas águas, muitas vezes retornam ano após ano para se alimentar”.

De acordo com os biólogos da Pacific Whale Watch Association (PWWA), nesta época do ano, o outono no Hemisfério Norte, as baleias estão no pico de suas atividades, quando se alimentam antes de viajar para o sul e escapar do inverno. Uma jubarte adulta pode comer quase 900 kg de peixes e krill por dia. Nos próximos meses, elas deixarão o Mar de Salish e rumarão para o Havaí, México e América Central para acasalar e retornar com seus novos filhotes no final da primavera.

Biólogos celebram nascimento recorde de filhotes de baleias jubarte na costa oeste dos Estados Unidos e Canadá

Slate e seu filhote, Malachite, em maio de 2021
(Foto: Sara Hysong-Shimazu, Maya’s Legacy, PWWA)

Os biólogos não sabem explicar a razão pela qual houve um “baby boom” de filhotes na região. “É possível que nos últimos dois anos houvesse abundância de alimento para as baleias, ou pode ser tão simples quanto o fato de que conforme o número de baleias adultas na população aumenta, também cresce o número de filhotes que podemos esperar ver a cada ano”, diz Erin Gless, diretora executiva da Pacific Whale Watch Association.

Descrita pela primeira vez na Nova Inglaterra, nos Estados Unidos, a baleia jubarte (Megaptera novaeangliae) tem seu nome científico vindo deste local – novaeangliae – e Megaptera por causa de seu tamanho, já que em grego antigo este termo significa “grandes asas”. Suas imensas nadadeiras peitorais podem medir até 1/3 do comprimento total de seu corpo, algo em torno de 16 metros.

As jubartes podem ser encontradas em todos os oceanos. Chegam a pesar até 40 toneladas. Por isso mesmo, é tão impressionante ver o salto de uma delas, que consegue projetar todo seu corpo para fora da água.

Biólogos celebram nascimento recorde de filhotes de baleias jubarte na costa oeste dos Estados Unidos e Canadá

Um filhote de baleia jubarte saltando
(Foto: Val Shore, Eagle Wing Tours, PWWA)

Em sua jornada durante o inverno pelo Hemisfério Norte, cerca de 10 mil jubartes migram para o Havaí, onde ficam entre janeiro e março para se reproduzir. Lá, as fêmeas encontram águas calmas e mornas para ter seus filhotes e amamentá-los. Esse período é muito importante, já que as jovens baleias precisam ser bem alimentadas para ficar fortes e conseguir percorrer longas distâncias no verão.

Biólogos celebram nascimento recorde de filhotes de baleias jubarte na costa oeste dos Estados Unidos e Canadá

Zig Zag e seu filhote: todas as baleias recebem nomes para poderem ser identificadas em anos seguintes
(Photo: Ashley Keegan, Wild Whales Vancouver, PWWA)

*Com informações e fotos da Pacific Whale Watch Association

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Fotos: J. Moore/NOAA, under NOAA permit #15240 (abertura)

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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