Biólogos celebram chegada de três novos filhotes de onça-pintada no Parque Nacional do Iguaçu

Biólogos celebram chegada de três novos filhotes de onça-pintada no Parque Nacional do Iguaçu

Já havia suspeitas de que duas onças-pintadas do Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná, tinham parido. Mas a equipe do Projeto Onças do Iguaçu ainda não tinha a confirmação sobre os filhotes. Pois agora, com imagens e vídeos obtidos pela armadilhas fotográficas instaladas na floresta veio a prova: nasceram três novas oncinhas!

“Temos três novos filhotões de onças-pintadas”, anunciou a bióloga Yara Barros, coordenadora do Onças do Iguaçu.

Em dezembro do ano passado, a onça Cacira foi flagrada pelas câmeras escondidas. “Aparentava ter parido recentemente, ainda com a pele do abdômen bem flácida. E agora em julho conseguimos finalmente as imagens! A Cacira tem dois filhotes, que foram registrados “inspecionando” a armadilha fotográfica do projeto”, contou Yara.

Segunda a bióloga, considerando a data em que ela foi filmada no final de 2019, os filhotes devem ter cerca de 7 meses de idade. Ainda não se sabe, entretanto, qual é o sexo de ambos.

O outro filhote filmado recentemente estava acompanhado da mãe, Índia. Ele é um macho, já com 8 ou 9 meses de idade.

“Ficamos muito felizes com o registro dos filhotes, de reprodução bem sucedida, e esperamos que eles possam crescer em segurança”, diz Yara.

Ela explica que onças-pintadas podem ter de um a quatro filhotes por vez, sendo mais comum um ou dois. Depois do nascimento, eles ficam com a mãe por aproximadamente dois anos, quando então partem para buscar seu próprio território.

O último registro que o Onças do Iguaçu havia feito de filhotes foi em 2018, quando a fêmea Atiaia teve três oncinhas, conforme mostramos nesta outra reportagem.

Confira abaixo o vídeo de Yara contando as novidades e também, os flagrantes dos novos filhotes:

 
 
 
 
 
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Recuperação da espécie no sul do país

A população de onças-pintadas do Parque Nacional do Iguaçu foi quase foi extinta na década de 90. Estimativas apontavam que, em 2009, eram apenas onze indivíduos. Graças ao projeto de conservação, em 2018 esse número subiu para 28. Um novo censo estava programado para maio deste ano, mas por causa da pandemia, foi cancelado. Talvez ainda seja realizado no final do ano.

No final de 2019, Yara Barros foi a vencedora do Ron Magill Conservation Heroes Award, que identifica a contribuição excepcional de profissionais e projetos à conservação da fauna silvestre na América Latina e no Caribe (leia mais aqui).

O trabalho realizado pelo Onças do Iguaçu não se restringe apenas ao monitoramento das onças-pintadas, mas engloba ações de educação e conscientização, fundamentais para que as pessoas possam entender a importância da conservação e do respeito a essa espécie e seu habitat para sua sobrevivência, tão ameaçada.

Onça-pintada: o maior felino das Américas

A onça-pintada (Panthera onca), também chamada de jaguar, originalmente era encontrada desde o sudoeste dos Estados Unidos até o norte da Argentina. Atualmente, a espécie está oficialmente extinta nos Estados Unidos, é muito rara no México, mas ainda pode ser vista na Argentina, Paraguai e Brasil.

Devido à perda de habitat e a fragmentação da mata, provocados pelo desmatamento, pesquisadores chegaram a afirmar que a onça-pintada pode desaparecer da Mata Atlântica, como mostramos aqui, neste outro post.

Biólogos celebram chegada de três novos filhotes de onça-pintada no Parque Nacional do Iguaçu

Por ano, cerca de 1,6 milhão de pessoas visitam o Parque Nacional do Iguaçu, que tem como principal atração, as Cataratas do Iguaçu. Com uma administração focada na sustentabilidade, conseguiu-se – mesmo com o aumento de turistas – diminuir os impactos na vida selvagem.

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Fotos: reprodução vídeo (abertura) e Emílio White (onça-pintada colorida)

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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