Bióloga marinha tem encontro surpreendente com um raríssimo e colorido polvo-de-véu na Grande Barreira de Corais

Bióloga marinha tem encontro surpreendente com um raríssimo e colorido polvo-de-véu na Grande Barreira de Corais

Quem não gostaria de se deparar com uma criatura linda como esta dançando na sua frente no mar? Quem teve esse privilégio foi a bióloga e fotógrafa marinha Jacinta Shackleton. Ela estava mergulhando na Grande Barreira de Corais, perto da costa da Ilha de Lady Elliot, na Austrália, quando avistou algo que de longe parecia ser um jovem peixe. Mas à medida que ele se aproximou ela se deu conta que era um polvo-de-véu. “As cores de seu véu eram incríveis e era fascinante observar a maneira como ele se movia pela água. Certamente um encontro único na vida para mim, muito agradecida!”, escreveu Jacinta em sua página no Facebook.

Há quatro espécies conhecidas pela ciência do polvo-de-véu (Tremoctopus), todas extremamente raras. O primeiro registro de um macho foi feito há cerca de apenas duas décadas. Talvez por causa de seu minúsculo tamanho, já que o mais surpreendente desses animais é justamente a diferença entre machos e fêmeas. Enquanto eles medem em média 2,5 centímetros de comprimento, elas chegam a até 2 metros.

Cientistas não sabem ainda explicar a razão desse dimorfismo sexual – a fêmea pode ser até 40 mil vezes mais pesada do que o macho -, mas o que se tem certeza é que o fenômeno é o maior encontrado no reino animal.

Observado em áreas de mar aberto, em regiões de águas tropicais e subtropicais dos Oceanos Pacífico e Atlântico, o polvo-de-véu usa esse tipo de capa para parecer maior diante de seus predadores, como por exemplo, baleias.

Outra característica interessante do polvo-de-véu, também chamado de polvo-cobertor, é ser imune às picadas de águas-vivas. E ao matá-las, arranca seus tentáculos, que utiliza mais tarde como arma para capturar suas presas, na maioria, pequenos peixes.

Bióloga marinha tem encontro surpreendente com um raríssimo e colorido polvo-de-véu na Grande Barreira de Corais

O longo e colorido véu do polvo fotografado na Austrália

Abaixo o vídeo compartilhado por Jacinta em seu perfil no Instagram:

Diversos estudos internacionais já relataram como os polvos são seres extraordinários e com um dos mais complexos sistemas neurológicos. Uma pesquisa realizada por cientistas brasileiros, por exemplo, comprovou que eles apresentam duas fases de sono, de maneira muito similar aos seres humanos. E o mais intrigante é que em uma delas, esses animais mudam de cor.

Outro estudo conduzido por um neurobiólogo da San Francisco State University, nos Estados Unidos, tinha revelado que os polvos sentem dor não apenas física, mas “comportamentos cognitivos e espontâneos indicativos de experiência de dor afetiva (saiba mais neste outro texto).

*Com informações adicionais da Great Barrier Reef Foundation

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Fotos e vídeo: Jacinta Shackleton

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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