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Biofluorescência de peixes surgiu há mais de 100 milhões de anos e envolve muito mais cores do que se conhecia

Biofluorescência de peixes surgiu há mais de 100 milhões de anos e envolve muito mais cores do que se conheci

São muitos os animais na natureza que possuem biofluorescência, fenômeno pelo qual luz é absorvida, transformada e emitida em uma cor diferente, geralmente em tons brilhantes e vibrantes. Dois novos estudos se debruçam sobre a origem dessa habilidade em peixes e apontam que ela surgiu há pelos menos 112 milhões de anos, e evoluiu independentemente, em diferentes espécies, por mais de 100 vezes.

Para chegar a essa conclusão, pesquisadores do Museu Americano de História Natural (NY) estudaram todos os teleósteos biofluorescentes conhecidos (peixes ósseos que formam o maior grupo de vertebrados vivos atualmente. Eles acabaram descobrindo que 459 espécies deles apresentavam a capacidade de absorver luz.

Durante a análise, foi utilizado um equipamento fotográfico especial, que captura luzes ultravioleta, e mede a amplitude das emissões das ondas de luz. Ele foi usado em peixes coletados durante expedições às Ilhas Salomão, Groenlândia e Tailândia.

A pesquisa apontou que a biofluorescência teria surgido inicialmente entre as enguias, e evoluído em um ritmo mais acelerado, dez vezes maior, com os peixes que vivem em corais.

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“Pesquisadores sabem há algum tempo que a biofluorescência é bastante difundida em animais marinhos, de tartarugas a corais, e especialmente entre peixes”, diz Emily Carr, doutoranda na Escola de Pós-Graduação Richard Gilder e principal autora dos dois novos estudos. “Mas para realmente chegar à raiz de por que e como essas espécies usam essa adaptação única — seja para camuflagem, predação ou reprodução — precisamos entender a história evolutiva subjacente, bem como o escopo da biofluorescência como ela existe atualmente.”

Outra descoberta feita com o estudo é que a diversidade de cores emitida por peixes é muito maior do que se conhecia. “Algumas famílias de teleósteos exibem pelo menos seis picos distintos de emissão fluorescente, que correspondem a comprimentos de onda em várias cores”, revela John Sparks, curador do Museu Americano de História Natural. “A notável variação que observamos em uma ampla gama desses peixes fluorescentes pode significar que esses animais usam sistemas de sinalização incrivelmente diversos e elaborados, baseados em padrões de emissão fluorescente específicos da espécie”.

Além da biofluorescência, algumas outras espécies, incluindo marinhas, apresentam um fenômeno similar, chamado de bioluminescência. Nesse caso, a produção de luz acontece por meio de uma reação química interna nesses organismos vivos. Em 2021, por exemplo, cientistas conseguiram fazer um registro inédito de bioluminescência em tubarões, o maior vertebrado que brilha no planeta.

Biofluorescência de peixes surgiu há mais de 100 milhões de anos e envolve muito mais cores do que se conhecia
O gata-lixa (Dalatias licha), tubarão considerado o maior vertebrado do planeta que brilha no escuro
Foto: Jérôme Mallefet et all, 2021

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Foto de abertura: © John Sparks e David Gruber

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