‘Big Heart Parade’: exposição de esculturas a céu aberto, em São Paulo, alerta para a destruição da Mata Atlântica

'Big Heart Parade': exposição de esculturas a céu aberto, em São Paulo, alerta para a destruição da Mata Atlântica

A intervenção urbana Big Heart Parade – que chegou à cidade de São Paulo em junho e vai até 24 de julho – exibe 30 esculturas em formato de coração pintadas por artistas que se inspiraram em árvores típicas da Mata Atlântica.

Exibidas em totens, elas são acompanhadas por mudas da espécie de referência, entre elas a araucária, o cedro-rosa, o jequitibá-rosa, a palmeira-juçara e o pau-brasil, que correm risco de extinção

'Big Heart Parade': exposição de esculturas a céu aberto, em São Paulo, alerta para a destruição da Mata Atlântica
As obras espalhadas pela Praça Cetenco Plaza, con entradas pela Avenida Paulista e Rua Bela Cintra

Com curadoria de Thiago Cóstackz, artista plástico multimídia e documentarista, o objetivo da mostra é sensibilizar o público por meio da arte sobre a importância da preservação da biodiversidade brasileira, por isso todos os artistas convidados são engajados com a causa ambiental. Cóstackz acredita no poder transformador da arte:

“Durante muito tempo, alguns críticos mais conservadores rejeitavam o engajamento mais profundo de artistas e de suas produções em causas como a ambiental. Mas isso mudou! Hoje, as maiores instituições artísticas do mundo têm exibido mostras, seminários e intervenções artísticas que visam fomentar o debate, questionando os rumos de nossa civilização, que predatoriamente tem destruído áreas de natureza vasta e intocada, tornando-as cada vez mais raras e em risco de colapso”.

'Big Heart Parade': exposição de esculturas a céu aberto, em São Paulo, alerta para a destruição da Mata Atlântica
Ibirapitanga do Coletivo Indígenas do Vale

Catherine Duvignau, CEO da Toptrends – que detém os direitos de realização da Big Heart Parade no Brasil, desde 2013 – explica que esta edição dedicada à Mata Atlântica está alinhada com os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), definidos na Agenda 2030 da ONU. E completa:

“Queremos sensibilizar as pessoas com a potência da arte em forma de coração – órgão vital para a vida e símbolo do amor – sobre a urgência de se proteger o meio ambiente e plantar árvores para ajudar a combater o impacto dramático do aquecimento global, entre outras medidas”.

Diversidade, leilão beneficente e doação

O evento aposta na diversidade também no que se refere ao estilo, ao gênero, à raça e, também, à profissão dos participantes.

Além de Cóstackz e dos artistas que listo a seguir, a mostra exibe obras criadas pelo ator Reynaldo Gianecchini em parceria com a artista plástica Claudia Liz (abaixo) e pela jornalista Sonia Bridi, que divide a autoria com o cinegrafista e fotógrafo Paulo Zero, com quem é casada.

'Big Heart Parade': exposição de esculturas a céu aberto, em São Paulo, alerta para a destruição da Mata Atlântica
O Ponto do Coração de Reynaldo Gianechini e Claudia Liz

Eis os nomes dos artistas: Auá Mendes, Bianca Foratori, Coletivo Indígenas do Vale (foto 3), Enivo, Eva Uviedo, Fétosz, Flip, Franncine de Miranda, Guilherme Kramer, Highraff, Hope, Ignoto, Jae Alves, Ju Amora, Ju Violeta (foto que ilustra este post: obra ‘Permanência’), Karen Dolores (última foto), Kaur-Art, Luna B, Mariana Rodrigues, Nathalia Marszam, Nunca, Possos, Pri Barbosa, Rodrigo Pasarello, Tamikuã Txihi (foto abaixo), Thiago Nevs e Viviane Carneiro (penúltima foto).

Coração da Mata de Tamikua Txihi

Como parte do legado da Big Heart Parade, em 24 de julho será realizado um leilão beneficente das obras em prol da Associação das Mulheres Rurais de Rio dos Índios, localizada na cidade de Ceará-Mirim (RN), e do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas.

Já as mudas serão doadas para o projeto S.O.S Terra que conduzirá oficinas de reflorestamento em escolas públicas de regiões periféricas da capital paulista.

Conservação e ciência

Big Heart Parade conta com o apoio do IPE – Instituto de Pesquisas Ecológicas, organização brasileira da sociedade civil, que este ano celebra três décadas de atuação e é responsável pelo plantio de quase 6 milhões de árvores na Mata Atlântica e, também, pelo maior corredor de reflorestamento do bioma no Brasil.

Roberto Ferro, engenheiro florestal do IPÊdestaca que o bioma (em especial o Pontal do Paranapanema e o Sistema Cantareira, onde a organização atua) está sendo transformada devido à adoção de práticas sustentáveis nas propriedades rurais.

“Nós como IPÊ temos um propósito em comum, que é a conservação da biodiversidadecom base na ciência. E ações que somam e demonstram a importância do bioma Mata Atlântica são essenciais para divulgarmos a riqueza que possuímos em nosso país”.

AR.aucaria de Viviane Carneiro

Local e horário

Big Heart Parade – Edição Mata Atlântica
Praça Cetenco Plaza, em São Paulo:
– Avenida Paulista, 1842 (dias úteis)
– Rua Frei Caneca, 1381 (fins de semana e feriados).
até 24 de julho, das 7h às 20h, entrada gratuita.

Um Coração em Chamas de Fetosz
Arabuta de Karen Dolorez

Fotos: divulgação

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.