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Beryl se torna o primeiro furacão já registrado no mês de junho no Atlântico

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*Por Priscila Pacheco

O furacão Beryl, que avança rumo à Jamaica, tornou-se primeiro já registrado precocemente no Atlântico na categoria 5 – classificação para furacões que superam a velocidade de 152 km/h e com alto potencial de destruição. O recorde anterior era do furacão Emily, que atingiu a categoria 5 no dia 16 de julho de 2005. A força inédita de Beryl para os meses de junho e julho é o vislumbre de uma temporada de furacões acima do normal, conforme alertou a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, na sigla em inglês), dos Estados Unidos, em maio

A NOAA previu uma chance de 85% de a temporada de furacões, que dura de 1 de junho a 30 de novembro, ser acima do normal no Atlântico em 2024. São previstas de 17 a 25 tempestades com velocidade a partir de 39 km/h, sendo que a média é 14. Do total, de oito a 13 podem se tornar um furacão, quando a velocidade dos ventos é de pelo menos 119 km/h. Por fim, de quatro a sete podem se tornar grandes furacões, aqueles classificados nas categorias 3 (178 km/h a 208 km/h), 4 (209 km/h a 251 km/h) e 5 (superior a 152 km/h). O número médio de furacões e grandes furacões para a temporada é sete e três, respectivamente.   

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A alta temperatura da superfície do oceano é um dos fatores para a formação de furacões, pois a água morna que evapora se transforma em combustível para as tempestades. O mar do Caribe, onde Beryl surgiu, está com uma temperatura que seria atingida somente em setembro. Outras áreas do Atlântico também estão mais quentes.

O gráfico mostra a temperatura média do mar do Caribe de 2013 a 2023 (linha azul), a temperatura durante 2023 (linha vinho) e 2024, até o dia 2 de julho (linha vermelha)
Fonte: Universidade de Miami

Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), as temperaturas do oceano não são quentes o suficiente em junho e julho para intensificar os sistemas tropicais. Normalmente, o Atlântico central e oriental ficam mais ativos em agosto porque as temperaturas oceânicas tiveram tempo para aquecer e abastecer os sistemas que desenvolvem as tempestades. No entanto, os termômetros da superfície do mar estão batendo recordes há mais de um ano. Trata-se de um efeito das mudanças climáticas intensificadas principalmente pelo uso de combustíveis fósseis, que liberam gases de efeito estufa em excesso. 

Beryl se tornou um furacão na semana passada. Em um intervalo de 42 horas atingiu a categoria 3. Em 48 horas, no domingo (30/06), se intensificou para a categoria 4. “Isso é sem precedentes para junho, mas está de acordo com a tendência recente de uma intensificação muito rápida – como foi o caso do furacão Otis, que avançou para um furacão de categoria 5 durante a noite e atingiu a cidade mexicana Acapulco em outubro passado”, diz a OMM.

Nesta segunda-feira (01/07), ainda na categoria 4, Beryl impactou os países insulares Granadas e São Vicente e Granadinas. Casas foram danificadas e ao menos sete pessoas morreram. “Estas são pequenas ilhas com pouca experiência em lidar com um furacão de grande magnitude”, comenta a OMM. Ainda na segunda-feira, Beryl passou para a categoria 5 e seguia a uma velocidade de quase 270 km/h.  Na tarde desta terça-feira (02/07), voltou para a 4. 

A previsão é que Beryl chegue à Jamaica nesta quarta-feira (03/07). Os dois principais aeroportos do país devem fechar à noite, o primeiro-ministro jamaicano Andrew Holness ordenou a evacuação de áreas baixas, especialmente na costa sul do país. Holness também solicitou o fechamento de escritórios governamentais que não sejam de serviços essenciais. A população amedrontada fez filas em estabelecimentos comerciais para comprar comida e remédios.  

Segundo Philip Klotzbach, meteorologista especialista em previsões sazonais de furacões no Atlântico da Universidade Estadual do Colorado, nos Estados Unidos, Beryl já gerou mais Energia Ciclônica Acumulada (ACE, na sigla em inglês) do que toda a temporada de furacões do Atlântico de 1983. “A ACE é uma métrica integrada que leva em conta a frequência, intensidade e duração das tempestades”, explica.

Beryl é o primeiro furacão desta temporada, mas o Atlântico também tem mantido intensos ciclones tropicais. O primeiro nomeado como Alberto perdeu força no dia 20 de junho, mas matou pelo menos quatro pessoas no México. Chris, o terceiro ciclone desta temporada, perdeu força no domingo (30) ao chegar na costa mexicana.

*Texto publicado originalmente em 02/07/24 no site do Observatório do Clima

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Foto de abertura: divulgação Nasa

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