Bela Gil e Paola Carosella fazem apelo contra o ‘PL do Veneno’, que flexibiliza lei dos agrotóxicos e está em vias de ser votado no Congresso

Desde 2 de fevereiro, os parlamentares da Câmara dos Deputados e do Senado Federal estão de volta ao trabalho. E, com eles, diversos projetos de lei que visam a destruição do meio ambiente e o favorecimento de interesses econômicos, que podem ser colocados na pauta, em votação, a qualquer momento.

Entre eles, está o PL 6299/2002conhecido como PL dos Agrotóxicos, PL do Veneno ou Pacote do Veneno , que visa alterar a atual Lei dos Agrotóxicos (7.802/1989), que regulamenta o uso desses venenos no país. O objetivo é flexibilizá-la ao máximo, em favor dos interesses do agronegócio e da indústria química.

Repare que os simpatizantes desse projeto estão tentando colocar mais veneno em nosso comida há 20 anos! O PL do Veneno foi elaborado em 2002! E ganhou novos contornos nessa trajetória, pra pior.

Por isso, a convite do Greenpeace, as chefs Bela Gil e Paola Carosella gravaram vídeos (veja os dois no final deste post), nos quais elas explicam o que está em jogo e fazem um apelo para que os brasileiros ajam para impedir que mais esta barbaridade aconteça.

Com ou sem veneno?

“Se você fosse num restaurante e pedisse um prato e o garçom perguntasse “Com ou sem veneno?”, o que você responderia? Espero que você fale “sem veneno”, diz Paola que, em seguida, conta que Lira deve colocar o “Pacotão do Veneno” em pauta em breve.

Ela explica que o PL do Veneno vem para modificar a atual Lei dos Agrotóxicos e acrescenta: “É verdade que uma lei que modifique a lei existente é necessária, mas definitivamente não é esta que eles querem passar. Uma das coisas que esse PL quer modificar é que a aprovação de novos venenos – muitos deles comprovadíssimo que são muito cancerígenos, muito perigosos e proibidos no Brasil – vão poder ser usados e aprovados somente pelo Ministério de Agricultura e Pecuária. Tira do processo de aprovação, o Ministério do Meio Ambiente e a Anvisa. Ou seja, quem quer usar, é que aprova!”.

E Paola ainda explica que acrescentar mais veneno à comida, usar mais agrotóxicos, mais tóxicos e mais produtos químicos não impacta somente a saúde humana. “Vai ter mais veneno na sua comida, na sua bebida, na sua água, mas vai ter mais veneno na água que rega os nossos campos, vai ter mais veneno na terra”.

Além disso, ela destaca que esse PL tem também o objetivo de “sedimentar um modelo de agricultura que o Brasil escolheu: que é olhar mais pra latifúndios, para monocultura, para cultivos de commodities e dar as costas para a agricultura familiar e o pequeno agricultor“.

E assim finalizou, com um convite: “Esse modelo de agricultura cimenta ainda mais a desigualdade social, a fome, a distribuição de alimentos, nossa soberania alimentar. É muito serio o que está sendo colocado em pauta no Congresso. E se eu fosse você, escolheria me manifestar. Eu vou!”.

Bela Gil, por sua vez, salientou que a indignação, como a que ela sente em relação ao PL do Veneno, é uma ferramenta importante para os cidadãos agirem. “Esta pauta do PL do Veneno voltou para o Congresso e pode ser aprovada a qualquer momento. A gente espera que não, mas tô aqui pra fazer este apelo pra vcs também falarem que não estão a fim de mais agrotóxicos no prato, nas plantações, que consequente vai para terra, pro prato, acabam com a nossa saúde e com a saúde do planeta, enfim…”.

E finalizou: “Na verdade, a gente precisa, cada vez mais regulamentar o uso dos agrotóxicos e não liberar dessa forma absurda como está sendo feito”.

E como a gente pode participar? Se manifestando contra o PL de todas as formas possíveis, enfatizando que está na mesa de Lira e pode ser colocado por ele para votação. Dizer isso nas redes sociais, em rodas de amigos, encontros com a família, e compartilhando estas ideias com todos que te acompanham e te seguem, sempre usando as hashtags #ChegaDeAgrotóxicos e #NãoAoPacoteDeVeneno.

Assinar a petição pela aprovação da Política Nacional de Redução de Agrotóxicos, no site Chega de Agrotóxicos também é importante! Até agora, 1.757.731 assinaram o manifesto (em três horas, foram quase 300 adesões a mais). Falta pouco para 2 milhões e é preciso continuar buscando novos apoios.

Em resumo, se engaje da forma com a qual você mais se identifica, mas se envolva porque se trata do nosso presente e do futuro das crianças e dos jovens de todo o país.

Agrotóxicos? Não, pesticidas!

Em 2021, o presidente da Câmara – deputado e pecuarista Arthur Lira – fez de tudo para que o PL do Veneno tramitasse antes que o ano chegasse ao fim. Não conseguiu, por isso, este ano, ele e seus colegas ruralistas e apoiadores do agronegócio devem se empenhar para tentar legalizar o projeto que garante maior flexibilização das regras para os agrotóxicos no Brasil.

Com o PL do Veneno, deputados ruralistas querem não só liberar venenos proibidos na Europa, nos Estados e no Brasil também – como é o caso do paraquate, um dos mais letais para a saúde humana por causar câncer.

Além de querer tirar a aprovação dos agrotóxicos – como contou Paola – das mãos do MMA e da Anvisa e passar para as ‘garras’ da ministra ruralista Tereza Cristina e de seus aliados, os parlamentares a favor do PL do Veneno querem que o termo agrotóxicos seja substituído por pesticidas, com o objetivo de mascarar o grau de toxicidade dessas substâncias.

‘Bancada do Câncer’

Hoje, o Observatório do Clima fez um alerta contundente em suas redes sociais – porque a votação desse PL pode acontecer amanhã:

“Urgente! A #BancadaDoCâncer quer aprovar, às pressas, um projeto que vai colocar ainda mais veneno no prato das nossas famílias. A votação pode acontecer amanhã (9/2). É hora de denunciar, pressionar e impedir que eles troquem nossa saúde por mais lucros de grandes empresas”.

No vídeo, dá os nomes de todos os deputados interessados nessa aprovação. No texto, além das hashtags indicadas acima, a organização incluiu #BancadaDoCâncer, veja no post abaixo:

O Veneno está na Mesa

Pra finalizar este texto, relembro o filme de Silvio Tendler O veneno está na Mesa (disponível online, a partir de cadastro), que revela “como estamos nos alimentando mal por conta de um modelo agrário baseado no agronegócio”.

“O perigo é tanto para os trabalhadores, que manipulam os venenos, quanto para toda a população do campo e das cidades, que consomem os produtos agrícolas com agrotóxicos”, destaca a apresentação do filme.

A seguir, assista aos convites de Bela Gil e Paola Carosella no Instagram e se engaje:

Fotos: reprodução dos vídeos

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Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.