Bayer pagará US$ 39 milhões por omitir em rótulo que agrotóxico provoca sérios danos à saúde humana

Bayer pagará US$ 39 milhões por omitir em rótulo que agrotóxico provoca sérios danos à saúde humana

Em uma nova derrota em cortes nos Estados Unidos, a justiça determinou que a empresa alemã Bayer, líder mundial de sementes, fertilizantes e pesticidas, pague US$ 39,6 milhões por ocultar, nos rótulos do herbicida Roundup, que o produto pode causar graves problemas à saúde.

O agrotóxico em questão tem como ingrediente principal o glifosato, que segundo relatório publicado em 2015, pela Organização Mundial de Saúde (OMS), pode provocar câncer em animais tratados em laboratório e é um potencial causador de alterações na estrutura do DNA e cromossomos das células humanas.

O Roundup era fabricado pela marca americana Monsanto, comprada pela Bayer, em 2018, por US$ 63 bilhões. A multinacional alemã pretendia enterrar o nome da companhia que adquiriu, fabricante de pesticidas associada com mortes provocadas por câncer.

Todavia, desde então, a Bayer se encontra em meio a diversos processos nos tribunais por causa do Roundup. No total, já são quatro derrotas. Na anterior a esta, a justiça havia estabelecido que a fabricante pagasse US$ 2 bilhões a um casal, diagnosticado com linfoma não-Hodgkin, depois de décadas utilizado Roundup em sua propriedade (leia mais aqui).

Um ano antes, o primeiro revés sofrido pela Monsanto/Bayer ganhou muito atenção na mídia mundial. A decisão do juiz da corte da Califórnia deu US$289 milhões ao jardineiro DeWayne Johnson, que também desenvolveu um linfoma não-Hodgkin, depois de trabalhar anos pulverizando o mesmo herbicida em jardins de escolas da sua cidade (meses mais tarde o valor foi reduzido devido a apelações da Bayer).

Nesta mais recente ação, que era conjunta e aconteceu em um tribunal do Kansas, houve um acordo entre as partes. O processo durou mais de dois anos.

Além do pagamento, o juiz determinou que a Bayer mude o conteúdo do texto do rótulo do Roundup, que atualmente apenas afirma que “o produto pode afetar uma enzima encontrada em plantas”.

A Monsanto/Bayer sempre negou as acusações de que o Roundup seria cancerígeno, apesar de estudos apontarem tal fato. O glifosato é vendido tanto para uso caseiro, como para aplicação em grandes lavouras. Por isso mesmo, hoje sua contaminação cruzada pode ser encontrada praticamente em todos os alimentos que consumimos, e até, em bebidas (leia neste outro post sobre pesquisa realizada com vinhos e cervejas).

Apesar disso, a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA, na sigla em inglês) afirmou não há evidências científicas de que o glifosato é realmente cancerígeno. Sob a administração do presidente Donald Trump, os agrotóxicos voltaram a ser encarados como “inofensivos” nos Estados Unidos.

Já no Brasil, em novembro do ano passado, o glifosato deixou de ser considerado “extremamente tóxico” após mudança da Anvisa.

Estima-se que existam outras 48 mil ações judiciais na fila de espera contra a fabricante de agrotóxicos na justiça dos Estados Unidos.

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*Com informação da Deutshwelle

Foto: Mike Mozart/Creative Commons/Flickr

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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