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Banksy usa ironia para chamar atenção sobre abusos contra animais

Banksy usa ironia para chamar atenção sobre abusos contra animais

O artista mundialmente conhecido por ser “desconhecido” (ninguém conhece a real identidade de Banksy) ama retratar ratos. Dá até pra dizer que é uma de suas “assinaturas”. Ratinhos que fazem coração, ratinhos de óculos escuros, ratinhos de todo jeito. Eless são populares: arrancam sorrisos e mandam a mensagem: “Os ratos representam o triunfo das pequenas pessoas, dos indesejáveis e daqueles que não são amados. Apesar dos esforços das autoridades, eles sobreviveram, prosperaram e venceram”, justificou certa vez o britânico.

Ele ironiza. Um dos desenhos mais conhecidos com ratos é o “Because I am worthless” (Porque não valho nada para a tradução ao português). É uma paródia do slogan da campanha da multinacional fabricante de cosméticos, L’Oréal, com várias modelos que repetem a frase “Porque você vale muito”. A serigrafia sobre papel de 2021 foi vendida em um leilão por mais de 8 mil libras.

Essa é uma das obras que está na exposição “The Art of Banksy: Without Limits”, em cartaz atualmente em São Paulo. A mostra com mais de 150 obras fica em cartaz até abril, no estacionamento do Shopping Eldorado, em Pinheiros, zona oeste da capital paulista.

Banksy usa ironia para chamar atenção sobre abusos contra animais

O artista e seus ratinhos
(Imagem: “The Art of Banksy: Without Limits”)

Diversão e protesto: Banksy ironiza guerras, capitalismo e consumo

Na mostra, pombas brancas, da paz, que usam colete à prova de bala, como a que abre este post. Ou pombas que querem proteger suas minhocas e fazem protesto contra aves imigrantes, numa referência à crise humanitária de refugiados, principalmente na Europa.

Há ainda uma obra rara feita para uma campanha não lançada para o Greenpeace chamada “Save or Delete” (Salvar ou Excluir). Nela, personagens da Disney do desenho “O Ursinho Pooh” são feitos de reféns diante de uma floresta destruída. Nada mais atual.

Imperdível também é a já clássica réplica do macaco que avisa: “Pode rir, mas um dia nós vamos estar no comando”, na imagem logo abaixo. A primeira vez que essa criação apareceu foi em Londres, em um vagão de metrô. Ao lado do quadro exposto em São Paulo, há um texto que diz: “apesar de serem considerados nossos ancestrais, os macacos hoje são expostos em zoológicos, usados como cobaias para experimentos e todos os tipos de outros propósitos violentos e degradantes”.

Banksy usa ironia para chamar atenção sobre abusos contra animais

“Pode rir, mas um dia nós vamos estar no comando”
(Imagem: “The Art of Banksy: Without Limits”)

O visitante também tem a chance de ver a pintura da onça que consegue se desvencilhar da jaula “código de barras”, símbolo encontrado em produtos no mercado. A obra critica o uso comercial e exploratório que os humanos fazem dos animais.

Banksy usa ironia para chamar atenção sobre abusos contra animais

Denúncia contra abusos aos animais
Foto: Sabrina Pires/exposição “The Art of Banksy: Without Limits”

Quem é Banksy?

O artista misterioso e polêmico, defensor dos fracos e oprimidos, tem identidade anônima, apesar das especulações. Sabe-se que cresceu em Bristol e se aventura em áreas perigosas para provocar e divertir com seus grafites. Já esteve na Palestina, e no ano passado, em Kiev. Deixou nos muros desenhos que viraram notícia em todo o mundo. Na exposição que está rodando o mundo e agora passa pela capital paulista, há um espaço inédito com réplicas desses trabalhos feitos em meio à guerra na Ucrânia.

De volta aos animais, Banksy já entrou em zoológicos, clandestinamente. Escreveu nas paredes das jaulas: “Quero sair daqui. Esse lugar é frio demais”. Segundo o artista em declarações por escrito, pintar em um zoológico é “sensacional porque você está dando voz a algo que não tem voz – que é exatamente a razão de ser do grafite”.

Mas nem sempre, ele foi visto com bons olhos pelos amantes e protetores dos animais.

Uma exposição que fez em Londres com releituras de clássicos do mundo artístico, levou 164 roedores que andavam pelas molduras, pelo chão, entre os convidados. A participação dos animais foi autorizada, mas choveram críticas pela presença dos bichos.

Antes, em 2003, a situação foi mais complicada. Era a primeira exposição individual da vida dele. Na ocasião, expôs um retrato da rainha Elizabeth II com o rosto de um chimpanzé, numa crítica à monarquia, e imagine… Animais vivos pintados com tintas atóxicas: porcos, ovelhas e uma vaca.

Consta que a Sociedade Real de Prevenção à Crueldade Contra os Animais havia permitido a exibição, mas ativistas de direitos animais não acharam a mínima graça e nem desculpa suficiente para aquele uso e conseguiram fechar a mostra antes do previsto.

Banksy foi além. Nos Estados Unidos, resolveu levar um elefante! Sim, em carne e osso! Vivo! Pintado com o mesmo visual dourado do papel de parede da exposição. O elefante passeava entre os visitantes.

Um manifesto distribuído aos visitantes dizia o seguinte:

“Há um elefante na sala.
Há um problema do qual nunca falamos.
O fato é que a vida não está mais justa.
1,7 bilhão de pessoas não têm acesso à água potável.
20 bilhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza.
Todos os dias centenas de pessoas são levadas a se sentir fisicamente mal por causa de babacas em exposições de arte que ficam dizendo como o mundo é ruim, mas na verdade não fazem nada para mudar isso.”

Apesar de não ter a identidade revelada, Banksy tem uma empresa desde 2008 para fazer negócios – já que suas obras valem milhões. Parte do dinheiro que ganha doa para instituições como as que resgatam imigrantes e que ajudam refugiados de guerras. O nome da companhia é Pests Control Office (Escritório de Controle de Pragas), em homenagem aos ratos. É ela quem certifica a autenticidade das obras do britânico.

E são obras com o selo da Pest Control que o público brasileiro tem acesso em São Paulo. Entre elas, a mais conhecida: “A menina e o balão”.

Uma das obras mais famosas de Banksy
(Imagem: “The Art of Banksy: Without Limits”)

O artista faz grafites com a técnica de estêncil: um molde feito previamente para no momento da pintura, nos muros, levar segundos. Foi o jeito de escapar da polícia quando começou.

Banksy tem dito que gosta de utilizar o estêncil não só por causa da velocidade e eficiência, mas também porque essa técnica é usada “para iniciar revoluções e parar guerras”.

Em inglês, rato – rat – é um anagrama de arte – art. Que a “revolução dos ratos” de Banksy contribua para dar fim a “guerra” dos humanos contra os bichos.

Crítica à guerra: o britânico esteve na Ucrânia em 2022
(Imagem: “The Art of Banksy: Without Limits”)

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Foto de abertura: Sabrina Pires/exposição “The Art of Banksy: Without Limits”

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