Banksy compra barco para resgatar refugiados no Mar Mediterrâneo

Banksy é mundialmente conhecido por ser “desconhecido”. Ninguém conhece a real identidade do artista britânico, que geralmente, na surdina da noite, produz seus grafites ou trabalhos em estêncial nas ruas da Inglaterra. Suas peças trazem críticas ou reflexões sobre temas sociais e econômicos da atualidade. Uma das mais famosas delas é o mural “Garota com o balão”, de 2002.

Recentemente Banksy divulgou em seu perfil no Instagram, onde tem mais de 10 milhões de seguidores, que decidiu se engajar no movimento para ajudar refugiados. Usando o dinheiro arrecadado com a venda de suas obras, o artista comprou um barco para fazer o resgate dessas pessoas no Mar Mediterrâneo.

Batizado de Louise Michel, em homenagem a uma professora, poetisa, enfermeira, escritora francesa e defensora do anarquismo,  a embarcação saiu de um porto de Valência, na Espanha, em meados de agosto, com uma tripulação formada por ativistas, com ampla experiência na busca e acolhida a refugiados no mar.

Em junho, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) lançou um relatório apontando que a população de deslocados (e refugiados) bateu um novo recorde: são quase 80 milhões, mais de 1% da humanidade. São pessoas que tiveram que abandonar suas casas para fugir de guerras, perseguições e violações dos direitos humanos, entre outras formas de violência.

Nos últimos anos, milhares desses refugiados têm atravessado o Mar Mediterrâneo para tentar chegar à Europa. Entretanto, acabam encontrado a morte – em 2020, já são 500 vítimas, segundo números oficiais, mas estima-se que muito mais pessoas perderam a vida, enquanto, cada vez mais as nações daquele continente têm fechado suas portas para eles.

“Pode parecer incrível que haja necessidade para um veículo de emergência em uma das vias navegáveis mais movimentadas da Europa, mas há. A crise dos migrantes significa que os estados europeus estão instruindo sua Guarda Costeira a não atender chamadas de “não europeus”, deixando pessoas desesperadas à deriva desamparadamente no mar. Para piorar a situação, as autoridades impedem que outros barcos prestem assistência, prendendo tripulações e confiscando barcos que o fazem”, afirma Banksy, na página da iniciativa.

Refugiados que saíram da Líbia sendo atendidos pela tripulação do barco

O Louise Michel era um barco da marinha francesa. Foi reformado para ser um navio de resgate e receber os refugiados. Por fora, a embarcação ganhou tons de cor de rosa e a imagem da menina imortalizada pelo artista, mas no lugar do balão, ela agora segura uma bóia salva-vida.

Banksy compra barco para resgatar refugiados no Mar Mediterrâneo

Até o dia 30 de agosto, o barco de resgate financiado por Banksy já tinha salvado 350 migrantes

“As pessoas no mar não são vítimas infelizes da natureza. Esta crise não é um desastre natural. É criada por decisões políticas e um fracasso da humanidade. Ela não pode ser resolvida por botes de salva-vidas. Se quisermos impedir esses afogamentos, temos que parar de forçar as pessoas a embarcar nesses barcos. Então, se você quer contribuir – falar contra o racismo, juntar-se aos movimentos por justiça climática – tome qualquer tipo de ação para defender o respeito global por todas as formas de vida, perto ou longe”, diz a página da organização.

A iniciativa ressalta que o dever de resgate no mar é uma obrigação do direito marítimo internacional. “Ele aplica-se a todas as pessoas em perigo no mar – independentemente da nacionalidade, motivo da fuga ou situação legal. Todo marinheiro sabe disso de cor. União Europeia, você não respeita suas próprias leis!”.

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Fotos: divulgação

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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