
Em 2005, o fotógrafo norte-americano Joel Sartore lançou um projeto inovador de documentação de espécies de animais em risco de extinção, ao qual deu o nome de The Photo Ark (A Arca da Foto), em alusão à Arca de Noé; como uma Arca de Noé da Extinção.
Desde então, viaja pelo mundo para documentar o máximo de espécies possível, mas não na natureza e, sim, num ambiente controlado, com fundo simples e os animais bem pertinho, em close-up.
“Usamos fundos em preto e branco para eliminar todas as distrações e olhar os animais nos olhos. Isso também dá a todos os animais uma voz igual, porque não há comparação de tamanho”, explicou Sartore à Jason Bittel, em artigo para a National Geographic.
Geralmente, o fotógrafo e sua equipe selecionam apenas um indivíduo de cada espécie para destacar. No entanto, isso foi impossível com a espécie 17 mil, que alcançou no início de junho: a ave-do-paraíso. “Foi simplesmente impossível escolhermos uma”. E acrescentou: “Ela não se parece com nenhuma ave na Terra”. Veja todas aqui.
Plumagem e dança
As aves-do-paraíso encantam com sua rica plumagem – cores, formas e disposição das penas – e, também, com danças do acasalamento performáticas apresentados por machos afoitos diante de fêmeas de estética muito simples.
Esta família de aves se divide em 40 espécies, todas nativas de Papua-Nova Guiné, das ilhas vizinhas ou da Austrália. E segundo Edwin Scholes, ornitólogo, fundador e líder do Projeto Aves-do-Paraíso do Laboratório Cornell, nenhuma está criticamente ameaçada, embora algumas precisem de avaliação mais completa.
Nenhuma das aves-do-paraíso fotografadas por Sartore está em perigo, mas cerca de 1/5 delas está listado como vulnerável ou quase ameaçada: são as que “vivem em ilhas relativamente pequenas próximas à costa da Nova Guiné continental, e algumas que são encontradas em altitudes mais elevadas de cadeias de montanhas isoladas”, explica Scholes.
Como surgiu a ‘The Photo Ark‘
Em 2005, a esposa de Joel Sartore, Kathy, foi diagnosticada com câncer de mama, e ele teve que interromper sua carreira como fotógrafo da National Geographic abruptamente para cuidar dela e dos três filhos.
Katy se curou e Sartore conta que, nesse período, ele vislumbrou “uma nova perspectiva sobre a brevidade e a fragilidade da vida”. Ele tinha 42 anos e uma pergunta se tornou frequente: “como posso fazer as pessoas se importarem com o fato de que podemos perder metade de todas as espécies até a virada do próximo século?”.
Como resposta, criou a Photo Ark – com apoio e financiamento da National Geographic -, não só para documentar espécies, antes que desapareçam, como para provocar as pessoas a se importarem “enquanto ainda há tempo”. O fotógrafo deseja que as imagens da Arca relembrem às pessoas que “há tanta vida neste planeta que vale a pena salvar”.
À Jason Bitel, ele disse: “Iremos onde pudermos para mostrar às pessoas como era a vida e, com sorte, isso fará a diferença. Esse é o objetivo — chamar a atenção das pessoas, fazê-las pensar em algo além de política e dos esportes por um tempo”. E concluiu: “À medida que essas espécies desaparecem, nós também podemos”.
A seguir veja algumas das imagens das aves-do-paraíso fotografadas por Sartore para a Arca da Foto:





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Fotos: Joel Sartore
Com informações da National Geographic




