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Autoridades buscam mais de 1 mil desaparecidos em Maui, após incêndio florestal mais letal dos últimos 100 anos nos EUA

Autoridades buscam mais de 1 mil desaparecidos em Maui, após o incêndio florestal mais letal dos últimos 100 anos nos EUA

Uma semana após o incêndio florestal devastador que atingiu a ilha de Maui, no Havaí – o mais letal no último século nos Estados Unidos -, aproximadamente 1 mil pessoas ainda estão desaparecidas na cidade de Lahaina, a mais destruída pelo fogo. O número ainda é incerto porque as labaredas chegaram tão rápido que a grande maioria dos moradores não teve tempo de pegar nada, incluindo telefones.

Mais de 2 mil construções foram completamente queimadas, principalmente, casas. Era noite quando o incêndio que atingia áreas de florestas se alastrou com uma velocidade enorme para regiões urbanas. Desprevenidos e no escuro, moradores foram pegos de surpresa. Encurralados pelas chamas, muitos se jogaram ao mar para sobreviver.

Os 99 mortos encontrados em Lahaina estavam em espaços abertos, dentro de carros ou próximos da água. Com somente 25% da região destruída vasculhada por cães farejadores até este momento, ainda há muito o que ser feito. Infelizmente a identificação dos corpos é difícil. Autoridades solicitaram que moradores fazem coletas de DNA para ajudar no trabalho.

Lahaina era um centro cultural para Maui e no passado tinha sido a capital do então Império do Havaí. Entre as muitas preciosidades destruídas pelo fogo estão uma figueira-de-bengala, de estimados 150 anos, que era uma das atrações turísticas da cidade com 13 mil habitantes.

Mesmo aqueles que não tiveram suas casas queimadas, foram alertados para não retornar. Subprodutos tóxicos do incêndio, como vapores, podem permanecer no ar e no solo. E a água também não pode ser própria para consumo.

Além dos vários abrigos abertos para receber os desabrigados, quartos em hotéis e Airbnb’s foram disponibilizados. A polícia fechou o acesso a Lahaina: só moradores e envolvidos no trabalho de rescaldo entram na cidade.

Cães farejadores estão ajudando na busca por mais vítimas
(Foto: divulgação / Flickr Governor Josh Green, M.D.)

Apesar do alto risco de incêndios, denúncias de falhas no sistema de alerta

Assim como outras regiões do planeta, nas últimas décadas o Havaí tem registrado temperaturas cada vez mais quentes e menores períodos de chuva como consequência do aquecimento global. E isso tem tornado mais suscetível a incêndios florestais. A ilha de origem vulcânica teve 80 deles entre 1999 e 2009, uma média de quatro por ano.

Um relatório produzido em 2020 alertou que parte oeste de Maui era a que merecia mais atenção em relação a incêndios; justamente onde fica Lahaina.

Na semana passada, quando o fogo tomou proporções inimagináveis em pouco tempo, com ajuda de ventos de 60 km/hora vindos furacão Dora, que estava a milhares de quilômetros de distância dali, moradores denunciam que o sistema com 400 alarmes de desastre não soou.

Além disso, quando os bombeiros chegaram encontraram hidrantes com pouca ou sem pressão para combater o fogo.

Autoridades buscam mais de 1 mil desaparecidos em Maui, após o incêndio florestal mais letal dos últimos 100 anos nos EUA

Autoridades caminham por Lahaina: reconstrução da cidade estimada em mais de 5 bilhões de dólares
(Foto: divulgação / Flickr Governor Josh Green, M.D.)

Extremos climáticos: mais intensos, frequentes e com mais mortes

A tragédia em Maui é o retrato do que os cientistas alertam já há anos. Os chamados extremos climáticos provocados pelo aumento da temperatura da atmosfera da Terra se tornaram mais intensos e frequentes.

No Havaí houve a conjunção da vegetação seca, incêndios florestais e um furacão nas proximidades.

O mais triste de tudo é que há mais de um século já se sabe que o aumento das emissões de carbono pelas atividades humana afeta o clima do planeta. Prova disso é o artigo de um jornal, de 1912, compartilhado pelo escritor e ambientalista Charlie Gardner, que alerta sobre o aumento do uso de carvão.

“Há exatos 111 anos. Um lembrete oportuno de que o conhecimento por si só não é suficiente para garantir uma boa tomada de decisão, porque governança não é informação. É sobre poder e influência. Se, como cientistas, queremos que as políticas sejam informadas pelas evidências, teremos que nos tornar mais influentes”, escreveu Gardner.

14 de agosto de 1912: há 111 anos já se fazia alerta sobre o impacto da queima
dos combustíveis fósseis no clima
(Foto: divulgação LinkedIn Charlie Gardner)

*Com informações da CNN Internacional e ABC News

Leia também:
Plantas de espécies invasoras extremamente inflamáveis ajudaram fogo a se alastrar em Maui

Foto de abertura: divulgação / Flickr Governor Josh Green, M.D.

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