Austrália confirma a extinção de mais treze espécies de animais no país

Pequeno roedor da Grande Barreira de Corais entra em extinção por causa das mudanças climáticas

A Austrália serve de habitat para mais de um milhão de espécies de plantas e animais. E um número enorme deles é endêmico do país, ou seja, só existe ali e em nenhum outro lugar do planeta. De todas as espécies observadas em território australiano, 85% da flora, 84% de mamíferos e 45% de aves são nativas dali, segundo dados do Departamento de Meio Ambiente e Energia da Austrália.

Infelizmente, nos últimos 200 anos, muitas dessas espécies foram extintas. Mais de 50 animais e 60 plantas deixaram de existir e nunca mais serão conhecidas pelos australianos. É o caso, por exemplo, do pequeno roedor da Grande Barreira de Corais que entrou em em extinção por causa das mudanças climáticas. O ratinho (Melomys rubicola), na imagem que abre este post, era endêmico da ilha de Bramble Clay, ao noroeste de Queensland. Seus primeiros registros eram de 1800. Na década de 80 eles ainda eram vistos em abundância no local, mas dez anos depois, sua população começou a diminuir.

A extinção oficial desse roedor foi feita pelo ministério do Meio Ambiente, em 2019.

No começo deste mês, o governo australiano voltou a anunciar a confirmação de novas espécies extintas no país, além daquelas que mudaram de categoria e passaram, por exemplo, de vulnerável a criticamente ameaçada.

No total, treze espécies aparecem na lista de extinção: doze mamíferos e o primeiro réptil (Emoia nativitatis) a constar nela e que se tenha conhecimento de seu desaparecimento desde a colonização europeia da Austrália. Entre os animais extintos estão ainda camundongos e um morcego (Pipistrellus murrayi).

No caso dos roedores, especialistas apontam como um das principais causas da extinção o ataque de gatos selvagens.

De acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), a Austrália é o país que mais perdeu mamíferos no mundo até hoje. A grande maioria deles desapareceu entre 1850 e 1950.

Ao deixarem de existir no planeta, espécies provocam duas grandes perdas: uma para a Biologia, porque levam com elas milhões de anos de evolução,  todo o seu genoma, para o esquecimento, e outra para seus ecossistemas, porque por menor que seja um animal ou uma planeta, elas têm uma função vital em seu habitat.

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Foto: University of Queensland

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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