Aumento no número de mortes de macacos por febre amarela aponta que vírus se espalha no Paraná

Aumento no número de mortes de macacos por febre amarela aponta que vírus se espalha no Paraná

A Secretaria Estadual de Saúde do confirmou novas mortes de macacos por febre amarela no Paraná no fim de janeiro de 2020. O número desses animais mortos pela doença chegou a 53 desde que o monitoramento começou, em julho do ano passado, até o dia 13 de fevereiro.

Há outros 19 casos em investigação. As novas confirmações foram em Antônio Olinto e na Região Metropolitana de Curitiba, nos municípios de Piên, Lapa e Araucária, que até aquele momento não tinham registros desse tipo de óbitos.

O levantamento indica que o vírus está circulando próximo a áreas urbanas. O Ministério da Saúde emitiu um alerta de que o Brasil está em risco de ter uma nova epidemia de febre amarela, devido ao grande número de primatas encontrados mortos nas regiões Sul e Sudeste do país.

É importantíssimo ressaltar que os macacos não transmitem a doença para as pessoas, pelo contrário, são as primeiras vítimas, e servem como sentinelas avisando quando o vírus está chegando e dessa maneira, protegem a população contra ele.

A transmissão é feita apenas pelo mosquito contaminado, principalmente o Aedes aegypti, responsável também por transmitir a Zika, a dengue e a chikungunya.

O infectologista da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Rivaldo Venâncio, reforça que é imprescindível a presença de mosquitos infectados agindo como vetores para que haja transmissão. “Não há transmissão de primata para ser humano, ou de ser humano para ser humano. Se não houvesse esses macacos, só iriamos ser avisados sobre a circulação do vírus quando pessoas ficassem doentes e morressem”, explica o infectologista.

Vacinação gratuita

A prevenção é fundamental e deve ser feita pela vacina, disponível gratuitamente nas unidades de saúde. No Paraná, todo o estado está em área com recomendação de vacinação contra a febre amarela. A preocupação maior é com quem frequenta a área rural, mesmo que esporadicamente.

No caso das crianças, a vacina contra a febre amarela está prevista no calendário (em duas doses). Em adultos, uma dose única protege por toda a vida. Quem não sabe se tomou deve buscar orientação na unidade básica de saúde.

Aumento no número de mortes de macacos por febre amarela aponta que vírus se espalha no Paraná

A febre amarela está no Calendário Nacional de Vacinação

Após a vacina, o organismo leva dez dias para criar imunidade. Para gestantes, mulheres que amamentam, crianças até nove meses de idade, adultos maiores de 60 anos, pessoas com alergia grave a ovo ou imunodeprimidos, a recomendação é que só sejam vacinados com a avaliação de um profissional de saúde.

“É necessário que a população procure as Unidades Básicas de Saúde (SUS) para se vacinar, pois a imunização é a única maneira de prevenir a doença, que em alguns casos pode levar à morte”, afirma o secretário estadual da Saúde, Beto Preto.

Por enquanto, o Paraná não conta com casos confirmados de febre amarela em pessoas, mas outros estados brasileiros já registraram indivíduos infectados e até mortes pela doença.

Cidades do PR com registros de macacos mortos por febre amarela

Aumento no número de mortes de macacos por febre amarela aponta que vírus se espalha no Paraná

Febre Amarela

SINTOMAS

As primeiras manifestações da doença são repentinas: febre alta, calafrios, cansaço, dor de cabeça, dor muscular, náuseas e vômitos por cerca de três dias. A forma mais grave da doença é rara e costuma aparecer após um breve período de bem-estar (até dois dias).

A pessoa infectada pode apresentar insuficiências hepática e renal, icterícia (olhos e pele amarelados), manifestações hemorrágicas e cansaço, sintomas que podem resultar em morte num período de sete a dez dias. A maioria dos infectados se recupera bem e adquire imunização permanente contra o vírus.

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico da febre amarela é difícil e muitas vezes é baseado nas características clínicas do paciente, nos locais e datas de viagens (se a pessoa é de um país ou área não endêmica), nas atividades e na história epidemiológica do local onde a infecção ocorreu.

Geralmente, o diagnóstico por laboratório é realizado por meio de testes para detecção de anticorpos específicos. Às vezes, o vírus pode ser encontrado em amostras de sangue coletadas no estágio inicial da doença. Os resultados dos exames estão normalmente disponíveis entre quatro e 14 dias após o recebimento da amostra.

TRATAMENTO

Não há um medicamento antiviral específico para a febre amarela, mas tratamentos contra desidratação, febre e falência do fígado e do rim trazem melhoras.

CUIDADO COM O MOSQUITO!

Na transmissão urbana da febre amarela, a prevenção deve ser feita evitando a disseminação do Aedes aegypti. Os mosquitos se reproduzem em água parada, como caixas d’água, latas e pneus, ambientes ideais para que a fêmea do mosquito deposite seus ovos. Portanto, deve-se evitar o acúmulo de água parada em recipientes destampados

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*A partir de hoje, o Conexão Planeta inicia uma nova parceria com o Observatório de Justiça e Conservação e irá reproduzir reportagens do jornal gratuito que é publicado, mensalmente, pelo OJC. Você pode também acessar todos os demais artigos neste link.

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Fotos: divulgação Secretaria Estadual de Saúde do Paraná

Observatório de Justiça & Conservação

O Observatório de Justiça e Conservação (OJC) é uma iniciativa apartidária e colaborativa que trabalha fiscalizando ações e inações do poder público no que se refere à prática da corrupção e de incoerências legais em assuntos relativos à conservação da biodiversidade, prioritariamente no Sul do Brasil, dentre os quais se destacam, a Floresta com Araucária

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