
O atum-rabilho do Pacífico é um dos peixes mais apreciados e desejados da gastronomia, cobiçado por sua combinação de gorduras, firmeza e capacidade de grelhar. Chega a ser leiloado, ainda no cais, a preços que variam de US$ 40 a US$ 4.900 o quilo.
Segundo a Good News Network (GNN), a espécie registrou “recordes de leilão de US$ 1,8 milhão para peixes adultos de 489 libras em 2013, e surpreendentes US$ 3 milhões para peixes de 612 libras em 2019”.
Tanta fartura e cobiça levaram este conhecido predador quase ao colapso. Isso até que, em 2022, gestores nacionais das pescas e agências intergovernamentais se uniram para medir a quantidade de peixe que existe no período em que não há pesca e traçar planos para sua recuperação.
Foram eles: a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica Americana (NOAA), a Comissão Interamericana do Atum Tropical (IATTC) e o Comitê Científico Internacional para o Atum e Espécies Semelhantes ao Atum no Oceano Pacífico Norte (ISC).

No início, o objetivo era reconstruir pelo menos 20% da biomassa da população reprodutora do atum-rabilho até 2034. E, aqui, vale destacar que, em 2016, o departamento de pesca da NOAA recebeu uma petição que pedia para que o atum-rabilho fosse incluído na Lista de Espécies Ameaçadas. Mas, por considerar 1,6 milhão de peixes suficientes para evitar a extinção, a organização optou por não fazê-lo, evitando interromper a pesca.
Agora, em 2024 – doze anos depois da medida -, em avaliação populacional recente, foi constatado que a meta de biomassa da unidade populacional reprodutora para 2034 já havia sido alcançada e ultrapassada, uma década antes do previsto.
A quantidade de atum-rabilho em desova atingiu 23,2% da população potencial desovante não pescada e surpreendeu a todos, devido a seu alto poder de recuperação.
“Há um ponto em que é possível encontrar um equilíbrio entre uma colheita abundante e, ao mesmo tempo, permitir que o estoque cresça perpetuamente. E agora ultrapassamos esse ponto!”, declarou Celia Barroso, Analista de Política Pesqueira da Região Pesqueira da Costa Oeste da NOAA, ao Good News Network.
A coalizão faz a força
Este mês, a coligação de gestores nacionais das pescas e agências intergovernamentais deverá se reunir no Japão para definir metas de captura e recuperação do atum-rabilho até 2025 e além, de forma a garantir que quase 500 milhões de pessoas entre os EUA e o Japão possam continuar a desfrutar deste peixe por muito tempo no futuro.

“A recuperação do atum-rabilho do Pacífico mostra o que podemos alcançar quando cientistas, gestores e a indústria pesqueira trabalham juntos na arena internacional em busca de um objetivo comum”, declarou Ryan Wulff, Administrador Regional Assistente da Região Pesqueira da Costa Oeste da NOAA.
“Continuaremos este esforço para garantir a colheita sustentável de atum-rabilho nas próximas décadas”, completou.
Outras espécies recuperadas
De acordo com a GNN, recentemente foram registradas recuperações de várias espécies sobre-exploradas nos EUA, tanto em águas salgadas como doces. Elas atingiram níveis mínimos históricos liderados por espécies como a cavala e o pargo.
O estoque mediterrânico de pescada (espécie obrigatória na cozinha espanhola, mas praticamente ausente nos pratos americanos), por exemplo, regressou a níveis sustentáveis, com a população e os limites de captura crescendo em paralelo.
Há cerca de três anos, outras três espécies de atum melhoraram suas classificações na Lista Vermelha da IUCN – União Internacional para a Conservação da Natureza.
São elas: o atum voador e o atum albacora – que passaram da categoria ‘Ameaçado’ para ‘Pouco Preocupante’ –, e o atum-rabilho do Atlântico (também conhecido como “atum gigante do Atlântico”, na foto abaixo), que deixou de ser considerado ‘Em Perigo’ e passou a ‘Pouco Preocupante’.

Entenda as siglas da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas
– Extinto (EX): não existe mais nenhum indivíduo da espécie;
– Extinto na natureza ( EW): todos os indivíduos vivos da espécie encontram-se em cativeiro, não sendo possível verificá-los em seu habitat;
– Criticamente em perigo (CR): espécie apresenta chance extremamente elevada de entrar em extinção na natureza;
– Em perigo (EN): espécie possui grande chance de entrar em extinção na natureza;
– Vulnerável (Vulnerable – VU): espécie tem chance de entrar em extinção na natureza;
– Quase ameaçado (NT): espécie não está ameaçada, mas esforços devem ser realizados em prol de sua conservação;
– Pouco preocupante (LC): espécie estudada não possui grandes riscos de entrar em extinção na natureza no momento;
– Dados deficientes (DD): não existem dados suficientes que evidenciem o grau de conservação da espécie;
– Não avaliado (NE)
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Foto: NOAA/divulgação
Com informações da Good News Network, NOOA Fisheries e National Fisherman




