Ativistas protestam em frente do Parlamento Alemão contra política anti-indígena de Bolsonaro

Ativistas protestam em frente do Parlamento Alemão contra política anti-indígena de Bolsonaro

Para chamar a atenção para o julgamento sobre a tese do marco temporal no Supremo Tribunal Federal – que acontecerá nesta quarta-feira, 1/9 – e a politica de genocídio indígena e ecocídio promovida pelo governo Bolsonaro e seus aliados, um grupo de ativistas de diversas nacionalidades protestou em frente ao Reichtag (Parlamento Alemão), em Berlim.

A ação surpresa foi uma espécie de cutucada no governo alemão para que se posicione em relação as ameaças sofridas pelos povos indigenas diariamente e apoiadas pelo presidente e pela maioria de parlamentares do Congresso Nacional.

Ativistas protestam em frente do Parlamento Alemão contra política anti-indígena de Bolsonaro
Foto: Isaunir Nascimento/Divulgação

A Câmara dos Deputados tem votado e mantém na fila de votação uma série de projetos de lei que visam a liberação das terras indígenas para exploração econômica e a redução dos direitos desses povos.

Esses projetos contam com o apoio de senadores também, que, em geral, analisam os PLs aprovados pelos deputados. O PL 490, por exemplo, foi aprovado em Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (veja só, que ironia!), em junho, e ainda será analisado pelo Senado.

Se o STF adiar mais uma vez o julgamento, deixará o destino dos indígenas – e o nosso – nas mãos do Congresso e dos ruralistas. Por isso, faz muito sentido todo tipo de manifestação que provoque a sociedade a olhar para a trágica realidade brasileira.

Os manifestantes, em Berlim, exibiam faixas com mensagens em português, inglês e alemão:
– Fora Bolsonaro,
– Bolsonaro Genocida,
– Não ao Marco Temporal,
– O nosso clima é defendido na linha de frente da Amazônia,
– Stop Ecocidio,
– Nem uma gota de sangue indígena a mais,
– Toca em um toca em todos
– Pela lei contra o ecocídio e
– Pare o genocídio e o ecocídio nos territórios indígenas!

Ativistas protestam em frente do Parlamento Alemão contra política anti-indígena de Bolsonaro
Foto: Isaunir Nascimento/Divulgação

Também havia uma faixa com a hashtag #APIBBrasil, em referência à Articulação dos Povos Indigenas Brasileiros, revelando o apoio e a visibilidade que esta organização tem fora do Brasil.

Moradores e turistas que passavam pelo local aplaudiram a ação, que se dispersou com a chegada da polícia. Sem violência.

Ativistas protestam em frente do Parlamento Alemão contra política anti-indígena de Bolsonaro
Foto: Isaunir Nascimento/Divulgação

Brasileiros contra Bolsonaro

Esta não foi a primeira mobilização que reivindicou a proteção dos povos indígenas realizada em Berlim este mês. Em 21 de agosto, um grupo de brasileiros realizou protesto contra o presidente Jair Bolsonaro no Portão de Brandemburgo, no centro de Berlim.

Os manifestantes exibiram e estenderam faixas no chão, criticando o governo – também chamado de genocida devido à gestão da pandemia, contra “o nepotismo dos militares”, o ministro da Economia, Paulo Guedes, e também pediam respeito aos direitos indígenas.

“Parem o massacre dos Yanomamis, fora garimpeiros”, dizia uma delas, contou o site DW.

Para os ativistas, o protesto foi uma maneira de demonstrar solidariedade a esses povos, tão ameaçados, e dos quais precisamos para a nossa sobrevivência.

Fotos: Isaumir Nascimento/Divulgação

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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