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Associação Médica Brasileira recomenda que uso de medicamentos do ‘kit-Covid’, sem eficácia científica comprovada, seja banido

A Associação Médica Brasileira (AMB) publicou uma nota esta semana em que toma uma posição mais clara sobre o uso do chamado ‘kit-covid‘ e pede que ele seja banido de vez no Brasil. O documento contem treze recomendações da entidade para os pacientes, ao governo para o enfrentamento à pandemia da Covid-19 e com esclarecimentos sobre a conduta dos médicos.

“Reafirmamos que, infelizmente, medicações como hidroxicloroquina/cloroquina, ivermectina, nitazoxanida, azitromicina e colchicina, entre outras drogas, não possuem eficácia científica comprovada de benefício no tratamento ou prevenção da COVID-19, quer seja na prevenção, na fase inicial ou nas fases avançadas dessa doença, sendo que, portanto, a utilização desses fármacos deve ser banida”, afirma o novo texto da AMB.

A associação, que até então esteve reticente em tomar uma atitude mais enfática sobre a polêmica do tratamento precoce, defendida pelo presidente Jair Bolsonaro, destacou que o Brasil somou 25% das mortes mundiais pela Covid-19 no período de 15 a 21 de março de 2021 e lamentou que o país estava prestes a atingir a marca dos 300 mil mortos, com o agravante de atravessarmos um quadro de curva ascendente.

A AMB criou um comitê especial para revisar todos os estudos científicos disponíveis sobre a eficácia da hidroxicloroquina e de outros remédios do “kit-Covid” e constatou que não há nenhuma evidência de que ele funcione.

Em meados de janeiro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e diversas entidades médicas já tinham reforçado que NÃO há tratamento preventivo contra a Covid.

Recentemente, relatos têm chegado de médicos e hospitais sobre pacientes que estão apresentando efeitos colaterais devido ao uso inapropriado e sem acompanhamento profissional desses medicamentos.

Um estudo publicado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), no mês passado, alertou que a cloroquina tem efeitos tóxicos sobre células vasculares (leia mais aqui).

Vale destacar, entretanto, que a cloroquina é utilizada há anos para o tratamento de outras doenças, como a malária, a artrite reumatóide e o lúpus, contudo, sempre com a recomendação e monitoramento de um médico.

Em outros países, o uso desses medicamentos também não é aconselhado. O National Institute of Health (NIH) dos Estados Unidos e o National Institute for Health and Care Excellence (NICE) do Reino Unido não preconizam o uso dessas estratégias e medicamentos para tais fins.

Todas essas instituições reconhecem a importância da vacinação para o controle da pandemia. Além disso, ressaltam a necessidade do uso da máscara de proteção, o distanciamento social e a higienização frequente das mãos.

Trump enviou milhões de doses de hidroxicloroquina para o Brasil

Vale lembrar que, assim como Bolsonaro, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também foi um ardoroso defensor da hidroxicloroquina no começo da pandemia, no ano passado. E disse, inclusive, que estava tomando o medicamento como forma de prevenção. Mesmo assim, Trump pegou a COVID-19 e precisou ser internado, mas no hospital, a hidroxicloroquina não esteve entre os remédios que seus médicos optaram para seu tratamento.

Em julho de 2020, a U.S. Food and Drug Administration (FDA), órgão que regula medicamentos e alimentos nos Estados Unidos, assim como a Anvisa, no Brasil, fez um alerta sobre o uso da hidroxicloroquina e da cloroquina fora do ambiente hospitalar devido ao risco de problemas cardíacos e um mês antes, revogou a aprovação do uso emergencial dos dois medicamentos para o tratamento da COVID-19 (leia mais aqui).

Com estoque sobrando – já que não há eficácia comprovada -, o governo de Trump decidiu enviar “generosamente” 2 milhões de doses do medicamento para o Brasil…

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Foto: domínio público/pixabay

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