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As Mulheres do Irã são escolhidas as “Heroínas do Ano” pela revista Time

As Mulheres do Irã são escolhidas as "Heroínas do Ano" pela revista Time

Zan, Zindagi, Azadi“. Entoando essas três palavras, “mulher, vida, liberdade”, milhares de mulheres iranianas têm ido às ruas de seu país para exigir o fim da opressão e clamar por liberdade. Inicialmente elas enfrentaram a polícia para protestar contra a morte da Mahsa Amini, de 22 anos, que apareceu morta em Teerã, após ser detida em setembro por autoridades por não estar usando o lenço na cabeça para cobrir os cabelos, o hijab em público. Mas as manifestações explodiram e tomaram uma proporção inimaginável.

Mesmo que reprimidas com brutalidade pelo governo do Irã, elas continuaram a gritar. Em protesto, lenços são queimados nas ruas e elas cortam os cabelos. Homens se juntaram aos protestos e o movimento chegou até à Copa do Mundo, no Catar, onde os jogadores da seleção iraniana se recusaram a cantar o hino do país e espectadores levaram para a arquibancada cartazes pedindo liberdade para as iranianas.

Desde setembro, quase 500 mulheres já foram mortas e outras 1.800 presas durante as demonstrações. Todavia, elas não se intimidam. Querem um basta. Querem ter seus direitos reconhecidos e respeitados.

Por sua luta que atravessou fronteiras, as mulheres iranianas foram escolhidas pela revista Time como “Heroínas do Ano“, em 2022.

“As mulheres mais jovens estão agora nas ruas. O movimento que elas lideram é educado, liberal, secular, criado com expectativas mais altas e desesperado por normalidade: faculdade e viagens ao exterior, empregos decentes, estado de direito, acesso à Apple Store, um papel significativo na política, a liberdade de diga e use o que quer que seja”, diz o editorial da Time.

Segundo a Time, as iranianas que estão agora nas ruas pertencem a uma nova geração. Algumas não têm mais do que 15 anos. Elas se sentem mais como cidadãs “transnacionais da Geração Z”: são veganas, não querem filhos e não querem mais ser caladas, como foram suas mães, avós, bisavós.

Pressionado pela dimensão tomada pelo movimento, esta semana o governo do presidente Ebrahim Raisi anunciou esta semana o fim da “polícia da moralidade”, criada na época da chamada Revolução Islâmica, em 1979.

A tal polícia fiscaliza se as mulheres estão se vestindo de acordo acordo com a lei islâmica, conforme interpretada pelos principais clérigos do país. Meninas a partir dos 9 anos já precisam usar o hijab e mulheres devem vestir roupas soltas, nada colado ao corpo. Quem infringe a “lei”, pode ser multada ou até detida em estabelecimentos de “reeducação”.

Foi um grupo de policiais da moralidade que prenderam Mahsa Amini.

As autoridades do Irã também afirmaram que irão reavaliar a lei que obriga as mulheres a usarem o véu.

Volodymyr Zelensky: Personalidade do Ano

Em sua edição anual de homenagem a grandes nomes, a Time escolheu ainda o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, como “Personalidade do Ano”.

Para os editores da revista, sua biografia não garantia que ele teria tanta disposição de resistir e lutar contra a invasão das tropas russas. O ex-ator, que se tornou presidente em abril de 2019, nunca serviu nas Forças Armadas ou demonstrou muito interesse em assuntos militares.

“O sucesso de Zelensky como líder em tempos de guerra se baseou no fato de que a coragem é contagiosa. Ela se espalhou pela liderança política da Ucrânia nos primeiros dias da invasão, quando todos perceberam que o presidente havia permanecido. Se isso parece uma coisa natural para um líder fazer em uma crise, considere o precedente histórico. Apenas seis meses antes, o presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani – um líder muito mais experiente do que Zelensky – fugiu de sua capital quando as forças do Talibã se aproximaram. Em 2014, um dos predecessores de Zelensky, Viktor Yanukovych, fugiu de Kiev quando manifestantes se aproximaram de sua residência; ele ainda vive na Rússia hoje. No início da Segunda Guerra Mundial, os líderes da Albânia, Bélgica, Tchecoslováquia, Grécia, Polônia, Holanda, Noruega e Iugoslávia, entre outros, fugiram do avanço da Wehrmacht alemã e viveram a guerra no exílio”, diz o texto da Time.

Leia também:
Atrizes francesas cortam cabelo e usam redes sociais para apoiar protesto de mulheres no Irã
As mulheres, os homens e o Hijab

Foto e vídeos: divulgação Time

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