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As águas do Juruena: um ato de resistência da Amazônia

As águas do Juruena: um ato de resistência da Amazônia

A desafiar a si mesmo e à geografia corre o Juruena, um rio que carrega a transformação desde o berço. Nasce no Mato Grosso, segue serpenteando ao norte por 1200 kms até ser fronteira de águas amazônicas.

Ora tranquilo, ora revolto, seu leito escorre deixando para trás savanas, veredas, para encharcar castanheiras e sumaumeiras gigantes. Depois, dá vida ao famoso Tapajós.

O Juruena é morada da memória. Molda a paisagem no seu entorno, século após século. Às margens de um rio tão majestoso, é preciso ser digno de brotar. É preciso ser sumaúma, ser buriti.

As águas do Juruena: um ato de resistência da Amazônia
As águas do Juruena: um ato de resistência da Amazônia

Apiaká, Bakairi, Enawenw-Nawe (Saluma), Haliti (Paresi), Kajkwakratxi (Tapayuna), Kawahiva, Manoki (Irantxe) Myky, Munduruku e Rikbaktsa fazem do rio lar, sustento. Há ainda os povos que vivem isolados permitindo que apenas o rio se aproxime.

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Hoje, nas 20 terras indígenas demarcadas ali os povos tradicionais não apenas vivem na floresta. Eles são a floresta.

Conservam cerca de quatro milhões de hectares na bacia do Juruena. As terras indígenas protegem 29% de todas as 2.206 nascentes mapeadas. E por causa do rio estabeleceram-se no território desde antes de o Brasil ser Brasil.

Pelo rio e para o rio existem, mas já foram muitos mais.

Estima-se que entre 75% a 95% das populações foram dizimadas a partir da chegada dos europeus. O genocídio cometido ali exterminou vidas, culturas, línguas. Levou tradições milenares pela força, pela morte, pela escravidão. Porém, o povo do Juruena resiste.

As águas do Juruena: um ato de resistência da Amazônia

O rio que dá o peixe, a água, que guarda os espíritos também foi escravizado. Seu fluir, interrompido. Hoje, importantes projetos de infraestrutura vêm barrando suas correntezas. Todas as cabeceiras já foram alvo de inventários hidrelétricos.

De acordo com os dados das equipes da Operação Amazônia Nativa (OPAN) existem na bacia do rio Juruena 149 empreendimentos hidrelétricos mapeados. 71% encontram-se em planejamento.

As águas já não deslizam mais livremente. Nas últimas quatro décadas a paisagem do Juruena começou a mudar. Matas e cerrados foram convertidos em monoculturas, floresta cortada, biodiversidade sumida. Mas o Juruena resiste, seus povos resistem, porque cada gota d´água, cada florescer é um ato de resistência da Amazônia que continua a pulsar vida.

A seguir, assista ao documentário traz os Saltos Sagrados do Rio Juruena, suas belezas naturais e a cultura dos povos indígenas da região. Idealizado pela OTAN e dirigido por Adriano Gambarini, ele ainda revela problemas eminentes que podem prejudicar suas tradições culturais, com o avanço do desmatamento, a construção de barragens e a expansão do agronegócio sobre as terras indígenas.

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Fotos: Adriano Gambarini

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