‘Artists for Amazonia’: artistas e cientistas se unem em campanha para arrecadar fundos e ajudar a proteger os povos indígenas no combate ao coronavírus

Os atores Jane Fonda, Wagner Moura, Morgan Freeman, Jeff Bridges e Barbra Streisand, a expert em primatas Jane Goodall, o climatologista Carlos Nobre e o cientista Thomas Lovejoy, os músicos Sting, Carlos Santana, Peter Gabriel, Herbie Hancock, Ivan Lins, Luciana Souza e Maria Gadu são alguns dos nomes à frente da iniciativa Artists United for Amazonia: Protecting the Protectors (veja a lista completa no final do post).

Em parceria com o Amazon Emergency Fund (Fundo de Emergência da Amazônia)lançado em abril por uma coalizão de organizações indígenas, ONGs e aliados para responder às necessidades urgentes dos povos indígenas dos nove países da Amazônia ameaçados pela pandemia da Covid-19 – eles estão arrecadando dinheiro para apoiar os povos indígenas da floresta amazônica durante a pandemia de COVID-19 e contra as ameaças de invasores, que os expõem ainda mais à doença e arrasam seus territórios.

O objetivo é arrecadar US$ 5 milhões, cerca de R$ 26 milhões, até 27 de julho. 

O valor será 100% repassado para comunidades e organizações indígenas e florestais que enfrentam a COVID-19 na Amazônia para ajudar seuss povos a garantir prevenção e cuidados imediatos contra coronavírus (testes, incluídos), além de prover alimentos e suprimentos médicos e incrementar a proteção e segurança de seus territórios, a soberania alimentar das comunidades e a comunicação de emergência e ações de evacuação, entre outros serviços.

Festival online em 28/5, às 21h, com transmissão ao vivo

No próximo dia 28 de maio, a partir das 21h (horário de Brasília), alguns deles se unirão a cientistas e líderes indígenas em festival online, com transmissão ao vivo para fortalecer esse movimento, promover o Fundo e ouvir reflexões e denúncias a cerca da realidade da Amazônia (não só no Brasil!) e de seus povos, como também trocar ideias para que todos compreendam porque é tão vital a união de indígenas e não-indígenas em ações como esta.

A condução do festival será feita pela atriz Oona Chaplin, de Avatar e Game of Thrones (na foto de destaque), com o apoio do ator Wagner Moura, que será um dos representantes do Brasil na transmissão. Também participarão líderes indígenas como as brasileiras Sonia Guajajara (Apib – Articulação dos Povos Indígenas Brasileiros) e Angela Kaxuyana (Coiab – Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira), a equatoriana Nina Gualinga e o venezuelano Gregorio Diaz Mirabal. Também marcarão presença os cientistas Carlos Nobre, Thomas Lovejoy e Jane Godall, e representantes de ONGs, com o apoio de Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Sigourney Weaver, Shailene Woodley, Gigi Hadid e Lil Nas X, entre outras celebridades.

A transmissão ao vivo será feita pela página do encontro no Facebook e pelo site Artists for Amazônia. Neste caso, é preciso fazer inscrição, confirmando sua presença (RSVP – só dar seu nome e e-mail).

Até lá, faça sua doação e compartilhe este movimento em suas redes sociais.

Vulnerabilidade e potencial genocídio

Segundo a Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam), há mais de 100 mil casos confirmados e 5 mil mortes por Covid19 nos países amazônicos. Neste cenário de avanço do novo coronavírus, os povos indígenas estão em uma situação de extrema vulnerabilidade, o que os coloca num cenário de potencial genocídio.\

No Brasil, dados divulgados ontem, 27/5, pela Articulação dos Povos Indígenas Brasileiros (Apib) apontam 147 indígenas vítimas fatais do novo coronavírus e 1.350 contaminados. Já são 71 etnias atingidas pela pandemia. Vale destacar que estes são os dados reais, obtidos com o trabalho de um Comitê Nacional de Vida e Memória, criado no mês passado, além de diversas organizações indígenas. A Secretaria Nacional de Saúde Indígena, vinculada ao Ministério da Saúde, em suas estatísticas, considera apenas os indígenas que vivem nas aldeias e a subnotificação de casos e mortes é fato.

No Peru, os indígenas Shipibo registraram 45 mortes e os Achuar, do Equador, mais de dez mortes. Devido à falta de recursos e acesso a médicos e hospitais em toda a região amazônica, organizações indígenas denunciam alto índice de subnotificação de casos e mortes.

Além disso, o aumento de invasões por garimpeiros e madeireiros ilegais em terras indígenas disparou durante a pandemia, expondo ainda mais as comunidades ao novo coronavírus. Em abril, cerca de 250 organizações de todo o mundo assinaram uma moratória contra incursões na Amazônia a pedido de diversos povos indígenas, que exigem o fim de todas as atividades extrativistas ilegais na floresta (o documento pode ser baixado em PDF)

Proteger os povos indígenas é proteger o futuro de toda a humanidade

Em importante artigo – Amazon Tiping Point – publicado na revista Science Advances, em fevereiro de 2018, os cientistas Carlos Nobre e Thomas Lovejoy, mostraram que o ponto de não retorno da Amazônia está próximo. A chegada a esse ponto de inflexão pode significar uma rápida extinção da floresta amazônica – e, com ela, a liberação de grandes quantidades de carbono, justo quando o mundo precisa de menos gases tóxicos na atmosfera. Neste cenário, proteger os povos indígenas, que são os melhores guardiões de florestas, é proteger o futuro de toda a humanidade.  

A liderança indígena Angela Kaxuyana faz um apelo para que todos participem deste movimento pela vida: “Nossos territórios estão clamando por ajuda. Não apenas devido à pandemia neste momento, mas também pelo perigoso aumento do desmatamento, que acelera a pandemia em nossos territórios e ameaça nossas vidas. Para a proteção das florestas e da vida das pessoas que dependem diretamente dos recursos dessas florestas, é hora de nos reunirmos sob esta campanha. Junte-se a nós, povos indígenas, pela defesa da floresta amazônica e pela defesa dos nossos direitos”.

E Leila Salazar-López, diretora executiva da Amazon Watch, finaliza: “A Amazônia e seus povos estão em estado de emergência devido às mudanças climáticas e à pandemia da Covid-19. É um crime contra a natureza e um crime contra a humanidade. É hora de nos unirmos para agirmos em defesa da floresta e em solidariedade aos povos indígenas e tradicionais da Amazônia, que estão protegendo esta floresta e o clima do nosso planeta para toda a humanidade e a vida na Terra”.

Artistas, cientistas, influenciadores e lideranças indígenas pela Amazônia

Veja quem faz parte deste movimento lindo: Barbra Streisand, Jeff Bridges, Jane Goodall, Jane Fonda, Herbie Hancock, Cara Delevingne, Cary Elwes, Scott Bakula, Amber Valletta, Alfre Woodard, Tom Bergeron, Morgan Freeman, Ed Begley Jr., Rachelle Carson, Cindy Blackman, Frances Fisher, Wagner Moura, Ivan Lins, Matti Caspi, Suyan Caspi, Xiuhtezcatl Martinez, Amy Smart, Carter Oosterhouse, Wendie Malick, Scottie Thompson, Butterscotch Clinton, Kali Uchis, Oona Chaplin, Rocky Dawuni, Jean-Michel Cousteau, Celine Cousteau, Matthew Modine, Peter Coyote, Q’orianka Kilcher (atriz do primeiro episódio da série de curtas metragens Guardiões da Vida), Chloe Smith, Gbenga Akinnagbe, Gregorio Diaz Mirabal, Lizardo Cauper, Luciana Souza, Sônia Guajajara, Angela Kaxuyana, Nina Gualinga, Hart Bochner, Barbara Williams, Dharma Lemon, Maria Gadu, Michelle Barton, Mickey Sumner, Mapu Huni Kuin, Lizardo Cauper, Thomas Lovejoy, Carlos Nobre, Atossa Soltani, Leila Salazar-López, Christina Miller, and Wade Davis.

Para concluir este post, indico dois vídeos: um com o apelo dos artistas e cientistas que apoiam esta causa e outro, com a líder Sonia Guajajara.

Foto: Montagem com fotos de divulgação dos artistas e cientistas

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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