Artistas, políticos e atletas que são exemplo (ou não) na conscientização sobre a importância da vacina para acabar com a pandemia

Artistas, políticos e atletas que são exemplo (ou não) na conscientização sobre a importância da vacina para acabar com a pandemia

Barack Obama 55 milhões de seguidores, Jennifer Aniston 16 milhões, Paul McCartney 8 milhões, Eric Clapton 10 milhões, Gabriel Medina 1,5 milhão. O que o ex-presidente dos Estados Unidos, a atriz americana, os cantores e compositores britânicos e o surfista brasileiros têm em comum, além desses milhões de seguidores, apenas no Facebook? Todos eles se posicionaram publicamente nas últimas semanas sobre a vacina contra a covid-19. Uns exemplarmente, outros de maneira vexatória.

Jennifer Aniston, que ficou conhecida mundialmente após interpretar a personagem Rachel no seriado “Friends”, afirmou durante uma entrevista à revista InStyle, na qual aparece na capa da edição de agosto, que cortou relações com pessoas de seu círculo pessoal que decidiram não tomar a vacina.

“Ainda existe um grande grupo de pessoas que são anti-vacina ou que simplesmente não dá ouvidos aos fatos. É realmente uma pena. Eu tenho tirado algumas pessoas da minha rotina semanal que se recusaram ou que não revelam [se foram ou não vacinadas], e isso é lamentável”, disse.

Em julho do ano passado, Jennifer também usou suas redes sociais para defender o uso da máscara de proteção. “Entendo que as máscaras são inconvenientes e desconfortáveis. Mas você não acha que é pior que as empresas estejam fechando … empregos sejam perdidos … profissionais de saúde na exaustão absoluta. E muitas vidas foram tiradas por esse vírus porque não estamos fazendo o suficiente. Eu realmente acredito na bondade básica das pessoas, então eu sei que todos nós podemos fazer isso. MAS, ainda assim, muitas pessoas em nosso país se recusam a tomar as medidas necessárias para achatar a curva e manter o próximo seguro. As pessoas parecem preocupadas com seus “direitos serem tirados” ao serem solicitadas a usar uma máscara. Esta recomendação simples e eficaz está sendo politizada às custas da vida das pessoas. E realmente não deveria ser um debate. Se você se importa com a vida humana, por favor … apenas #wearadamnmask (#useaporradamáscara😷 e incentive aqueles ao seu redor a fazer o mesmo ❤️“, escreveu na época.

Barack Obama tinha planejado uma grande festa para este final de semana para comemorar seus 60 anos. O ex-presidente iria receber amigos e várias celebridades, como Oprah Winfrey e George Clooney, em uma celebração no jardim de sua casa de praia, na costa leste dos Estados Unidos. Diante do aumento do número de casos de covid no paíse, provocado pela disseminação da variante Delta, ele cancelou o evento.

Em março, Obama se junto a outros ex-presidentes, de diferentes partidos, em campanha pela vacinação. “Esta vacina é a esperança. Ela irá proteger você e aqueles que você ama dessa doença tão perigosa e letal”, ressaltou.

Do outro lado do oceano, na Inglaterra, o ex-Beatle Paul McCartney, é um engajado ativista ambiental, também resolveu usar sua popularidade para incentivar mais pessoas a se vacinarem, afinal essa é a única maneira que temos para combater o novo coronavírus e dar um fim à pandemia. Há poucos dias, o cantor compartilhou uma foto, em que destacou: “Be cool. Get Vax’d” – “Seja maneiro. Tome a vacina!”.

Artistas, políticos e atletas que são exemplo (ou não) na conscientização sobre a importância da vacina para acabar com a pandemia

McCartney tomando a segunda dose da vacina

Infelizmente, no mesmo país, outra celebridade do mundo artístico, que poderia ter dado um belo exemplo a seus fãs, deu uma declaração deplorável. O cantor Eric Clapton, de 76 anos (ou seja, considerado no grupo de risco da covid), disse que não iria tocar em nenhuma casa de show ou estádio que exija o comprovante de vacina dos espectadores.

Em dezembro de 2020, Clapton já tinha causado polêmica com música contra o lockdown e o distanciamento social no Reino Unido. Simplesmente vergonhoso…

E aqui no Brasil, na quinta-feira, o campeão de surfe, Gabriel Medina, comentou que irá perder a etapa do Mundial de Surfe no Taiti por não estar imunizado. Detalhe: ele estava nos Jogos Olímpicos de Tóquio, no Japão, onde vacinas foram oferecidas a todos os atletas.

Medina foi duramente criticado e hoje, decidiu tentar consertar o estrago. “Vacina salva vidas, galera! Foi um erro meu eu não ter conseguido encaixar a imunização na minha agenda de treinos pros desafios desse ano, focado no Campeonato Mundial. Mas em breve tomarei a minha. Enquanto isso, sigo tomando todos os cuidados e seguindo os protocolos de segurança”, completou.

Em suas redes sociais, vários seguidores comentaram o ocorrido. “Que b… em cara, não tomar vacina e ainda dizer que não tomou. Várias pessoas te seguem e fazem o que você faz. Não seja um b…”. Um outro escreveu: “Porra Medina, não vacinou ainda??? Não faz isso não! A gente te admira tanto, se cuida e faz sua parte”.

Todavia, a desculpa publicada por Medina nesta manhã só foi divulgada em seu perfil no Twitter e não em seu Instagram, por exemplo, que conta com mais de 9 milhões de seguidores.

O surfista criou um instituto, que leva seu nome, em Maresias, para formar novos atletas. Ou seja, jovens que se miram nele, vão seguir seus passos e aquilo que ele diz.

Atletas, artistas e políticos, como os citados nesta reportagem, são figuras públicas e por isso têm obrigação e responsabilidade de dar um bom exemplo. Milhões de pessoas as admiram e seguem seus passos. Cientistas do mundo inteiro já confirmaram a eficácia das vacinas contra a covid-19 e não há mais o que se debater. 4,2 milhões de pessoas já morreram vítimas da covid-19. Cada um precisa fazer sua parte: no meio de uma pandemia, vacinar-se não é um ato individual, mas COLETIVO!

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Fotos: reprodução Facebook

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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