
Em breve, muito em breve, a plumagem azul e amarela das araras-canindés (Ara ararauna) poderá ser avistada nos céus da maior floresta urbana do mundo, o Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro. Seis aves – um macho e três fêmeas – chegaram na sexta-feira (06/06) ao local para passarem para um período de aclimatação, antes de serem soltas, em um processo histórico de reintrodução, já que a espécie tinha sido extinta na cidade há mais de 200 anos.
As seis araras-canindés são originárias do Refúgio das Aves, no Parque Zoológico Três Pescadores, em Aparecida (São Paulo), um centro de acolhimento e reabilitação de animais silvestres. Elas passaram por uma bateria de exames e análise de comportamento para que especialistas se certificassem que teriam o melhor perfil para a reintrodução. Durante os últimos quatro anos, dezenas de aves, de diversas instituições do país, foram avaliadas.
Para receber as araras nessa etapa inicial, foi construído um imenso viveiro dentro do Parque Nacional da Tijuca, com 5 metros de altura, por 5 metros de largura e 19 metros de comprimento. Ele fica no meio da mata e pelos próximos, quatro a seis meses, período durante o qual as aves serão alimentadas duas vezes por dia, com frutas e sementes nativas, e passarão também por um treinamento de voo para fortalecer a musculatura peitoral e permitir que elas façam voos de longas distâncias quando forem soltas – a espécie pode se deslocar cerca de 20 km diariamente.

comportamento e a interação do grupo
Foto: Flávia Zagury
O processo de reintrodução das araras-canindé no Parque da Tijuca é uma iniciativa do programa de restauração ecológica Refauna, com o apoio do Instituto Chico Mendes para a Conservação da Biodiversidade (ICMBio). “Saber que as araras estão voltando é um sinal para o Brasil e o mundo de que as nossas unidades de conservação cumprem o seu papel de proteger o ecossistema em seus limites. O Parque Nacional da Tijuca, por exemplo, como está com sua integridade consolidada, é capaz de oferecer os recursos que esses animais nativos precisam”, diz Breno Herrera, gerente regional Sudeste do ICMBio.

Foto: Flávia Zagury
Em 2010, o Refauna começou um projeto de reintrodução de diversas espécies que tinham sido extintas localmente, como é o caso da arara-canindé. O parque, que se estende por uma área de quase 40 km2, é um importante fragmento da Mata Atlântica, contudo, tinha se transformado em uma floresta vazia.
Um grupo de 20 cutias-vermelhas foi o primeiro a iniciar o processo de refaunação, seguido por bugios-vermelhos e jabutis-tinga alguns anos depois.
Mais de dois séculos de extinção local
O último registro confirmado de araras-canindés em vida livre no município do Rio de Janeiro tinha sido feito em 1818. “A Mata Atlântica perdeu muitas das espécies da flora e da fauna ao longo dos últimos séculos. Mesmo onde há floresta, ela muitas vezes está silenciosa, vazia. Ao trazer de volta animais como as araras, estamos restaurando funções ecológicas e sons e ajudando a natureza a se regenerar”, celebra o biólogo Marcelo Rheingantz, diretor executivo do Refauna.
Também conhecida como arara-de-barriga-amarela, a arara-canindé mede entre 75 e 86 cm e pesa cerca de 1 kg. Com seu forte bico, é uma importante dispersora de sementes da floresta. A espécie pode ser encontrada em diversos países da América do Sul e Central, como Panamá, Colômbia, Guianas, Equador, Peru, Bolívia, Paraguai e Argentina.

Foto: Flávia Zagury
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Foto de abertura: Flávia Zagury




