Aquecimento do Ártico segue em ritmo assustador: a média é muito superior ao resto do planeta

Aquecimento do Ártico segue em ritmo assustador: a média é muito superior ao resto do planeta

Não é de hoje que os cientistas alertam sobre os sinais assustadores que vem do Ártico. Em todo o planeta, o polo norte é o que mais tem sofrido com o aquecimento global. O degelo na região atingiu um nível alarmante: uma aceleração de 280% nas últimas quatro décadas.Em março deste ano, por exemplo, os termômetros marcaram 30 graus acima da média esperada para esta época do ano.

E agora, um novo estudo divulgado na publicação Scientific Reports traz ainda mais dados inquietantes. O aumento da temperatura no Ártico, mais especificamente ao norte do Mar de Barents, entre a Noruega e a Rússia, é sete vezes superior ao registrado no resto da Terra.

Ao analisar a temperatura nessa área ao longo dos últimos 20 a 40 anos, os cientistas identificaram um aquecimento anual recorde de até 2,7 °C por década, com um máximo no outono de até 4°C por década. Ainda segundo os pesquisadores, o padrão de aquecimento é consistente com as reduções na cobertura de gelo marinho.

“As mudanças na temperatura do ar da superfície (SAT) e no gelo marinho são os principais impulsionadores da transformação ambiental em curso no Ártico e são um dos principais sinais do aquecimento global. Por mais de quatro décadas, a extensão da cobertura de gelo diminuiu quase continuamente, com as maiores tendências em setembro e as menores em março”, revelam os envolvidos no estudo.

Vale ressaltar que o clima no Mar de Barents tem impacto direto em regiões ao norte da Ásia, Europa e América. Em fevereiro de 2021, milhões de pessoas ficaram sem energia e água no Texas devido à uma intensa nevasca, associadada justamente com o aquecimento do Ártico.

Em fevereiro, cientistas do Painel do Clima das Nações Unidas (IPCC, na sigla em inglês), fizeram projeções graves em seu mais recente relatório. De acordo com a análise, no curto prazo, até 2040, a mudança climática causará aumentos “substanciais” nos riscos à humanidade e aos ecossistemas do planeta, alguns deles já inevitáveis devido às emissões históricas de gases de efeito estufa. Entre os citados está o Ártico, que pode entrar no chamado “ponto de virada”, a partir dos qual ele se transforma de maneira irreversível (leia mais aqui).

Leia também:
Degelo crescente do Ártico pode fazer com que urso polar seja extinto até 2100
Mais de 200 renas morrem de fome em ilha no ártico norueguês devido ao aquecimento global
Geleira derretida na Islândia devido à mudança climática ganha memorial de alerta sobre o futuro
Espécies de salmão estão morrendo no Alaska por causa da alta temperatura da água

Foto de abertura: Nasa/creative commons/rawpixel

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Deixe uma resposta