Após vencer partida, tenista tunisiana chora pelas crianças palestinas e anuncia doação de parte do prêmio

Assim que venceu a partida contra a tenista tcheca Marketa Vondrousov, na segunda rodada da WTA Finals (torneio mundial de tênis profissional feminino), a tunisiana Ons Jabeur, de 29 anos foi abordada por repórter ainda na quadra, que perguntou sobre sua emoção com a vitória

Mal começou a falar, a atleta caiu no choro e desabafou: “Não posso comemorar plenamente esta vitória. Isto não é uma mensagem política, é uma questão de humanidade. Eu desejo a paz neste mundo. É isso que importa!”.

Apesar da alegria de vencer mais uma vez, Jabeur revelou que tem sentido um profundo desalento devido ao massacre ao qual o Estado de Israel tem submetido o povo palestino na Faixa de Gaza.

“Não tenho experimentado muita felicidade ultimamente. A situação no mundo não me permite ficar feliz. Sinto muito. É muito angustiante ver crianças e bebês perdendo suas vidas diariamente. Isso é de partir o coração”.

Acolhida pelo repórter, que aguardou ela se recuperar do choro, Jabeur ainda contou que vai doar parte do prêmio em dinheiro que receberá para apoiar o povo palestino.

“A violência nunca vai trazer paz”

Ons Jabeur é a primeira tenista árabe a conquistar titulo na WTA, em junho deste ano (atual número seis do ranking mundial, venceu três finais de Grand Slam e conquistou a segunda posição no ano passado) e, no início deste conflito insano se solidarizou com as vítimas civis dos dois lados, manifestando apoio à causa palestina para a criação de um estado independente

Ons Jabeur se recupera da tristeza que sente sobre a situação da Palestina durante entrevista à repórter da WTA / Foto: reprodução do vídeo

“O que os palestinos passaram nos últimos 75 anos é indescritível. O que civis inocentes estão passando é indescritível. Não importa sua origem ou religião. A violência nunca vai trazer a paz”, escreveu ela em seu perfil no Instagram.

“Condeno a violência, assim como também condeno que as pessoas sejam tiradas de suas terras. Então, é importante entender o contexto. Ver o que está acontecendo hoje. Ignorar a história recente é uma irresponsabilidade e não vai trazer paz. E a paz é tudo o que precisamos e merecemos. Parem com a violência e libertem a Palestina!”, completou.

Na ocasião, Jabeur também compartilhou a publicação da modelo Gigi Hadid, norte-americana com ascendência palestina: “Meus pensamentos estão com todos os afetados por essa tragédia injustificável. A cada dia, vidas inocentes, incluindo as de muitas crianças, são perdidas nesses conflitos”. 

O pronunciamento é longo e pode ser lido aqui, mas reproduzo mais um trecho a seguir: 

“Como já disse antes, tenho sonhos e esperanças para a Palestina, mas nenhum deles inclui ameaçar uma pessoa judia. O terrorismo contra pessoas inocentes não está alinhado e não traz nenhum bem para o movimento Free Palestine, e alimenta um ciclo de décadas de retaliações (das quais nenhum civil judeu ou palestino deveria fazer parte) e perpetua a falsa ideia de que ser ‘Pro-Palestina’ significa ser antissemita“.

E acrescento: defender os palestinos também não pode ser traduzido como apoio ao grupo Hamas. 

Israel X Palestinos

A ofensiva do governo de Israel, a mando do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, foi iniciada em 7 de outubro, como resposta ao ataque do grupo Hamas, que resultou em cerca de 1.500 mortos (entre eles, três brasileiros) e 200 reféns. 

Do lado palestino, já são mais de 9 mil mortos, entre eles mais de 4 mil crianças. Há muitos corpos sob os escombros e milhares de pessoas acolhidas nos poucos hospitais que restaram nos bombardeios, mas estão em colapso: operações têm sido realizadas no chão e sem anestesia. 

Esta semana, o governo israelense também iniciou ataques na Cisjordânia, que não é de domínio do Hamas. Nessa região, quem governa é a Autoridade Palestina, oponente do grupo terrorista. 

A seguir, post de Jabeur que reproduz a entrevista durante a qual foi aos prantos: 

Com informações do Instagram de Ons Jabeur, Tênis Brasil/UOL

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Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.