
Quando a porta da caixa de madeira se abriu, o macho ainda ficou ressabiado. Demorou algum tempo antes de entender, talvez, que estava ganhando a liberdade novamente. Mas lentamente a onça-pintada seguiu para a mata fechada (confira o vídeo ao final deste texto).
Esse parece ser o final feliz de uma história que comoveu o Brasil inteiro. Em 1o de outubro o animal foi encontrado nadando no rio Negro (AM). Ele estava muito debilitado, com ferimentos e sangue no rosto. A suspeita é que estivesse fugindo de um caçador, já que exames de raio-x mostraram que a onça tinha mais de 30 estilhaços de chumbo na cabeça e no pescoço.
Depois de ser atendido em uma clínica veterinária, onde passou por um procedimento para a retirada da maioria dos estilhaços, o macho, com cerca de quatro ou cinco anos de idade, foi levado para o centro de acolhimento do Zoo Tropical, em Manaus. Lá ele ficou durante um mês, sendo reabilitado e recebendo tratamento adicional para uma lesão no olho.

Foto: divulgação/PMAM
Durante todo esse tempo, o biólogo Nonato Amaral, diretor do zoológico, acompanhou o comportamento da onça, para que se tivesse certeza de que ela estava apta a ser reintroduzida na vida selvagem. No início de novembro, como preparação final para a soltura, o felino ganhou um colar de monitoramento, por meio do qual será possível acompanhar sua adaptação pelos próximos meses.

Foto: divulgação
O momento tão esperado: a volta à vida selvagem
E no dia 9 de novembro, chegou a hora tão esperada. Foi montada uma grande operação, que durou 24 horas e contou com a participação de diversos profissionais e coordenação da Secretaria de Estado de Proteção Animal (Sepet-AM), para que a onça pudesse ser levada de volta à mesma região de onde ela teria vindo, na margem direita do rio Negro.

Fotos: Joedi Porto e Antonio Humberto/Sepet
Primeiramente a onça-pintada foi sedada e levada de helicóptero uma comunidade em Novo Airão. De lá seguiu de barco até o local de soltura, uma unidade de conservação, onde ela terá mais segurança – distante de seres humanos.
“Animal silvestre tem que estar na natureza. Somos nós, enquanto sociedade, que ocupamos esses espaços e afugentamos os animais do seu próprio habitat. Agora estamos cumprindo com o nosso dever legal, responsabilidade do Estado, de devolver esse animal à natureza com integridade e saúde”, ressaltou Joana Darc, médica-veterinária e secretária da Sepet.

Fotos: Joedi Porto e Antonio Humberto/Sepet

Fotos: Joedi Porto e Antonio Humberto/Sepet
Abaixo, o vídeo que mostra o momento da soltura:
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