Após dois anos, pesquisadores fazem novo registro de um guará branco, ave raríssima, com mutação genética

Após dois anos, pesquisadores fazem novo registro de um guará branco, ave raríssima, com mutação genética

Em 2019, dois pesquisadores do Instituto Guaju, organização sediada no município de Guaratuba, no litoral paranaense, se depararam com algo raríssimo, nunca antes visto no estado: um guará branco.

O guará é uma das mais belas aves existentes na natureza. E um dos principais motivos é justamente por causa do vermelho vibrante de sua plumagem. Tanto que a espécie Eudocimus ruber tem outros diversos nomes nomes populares no Brasil, como guará-vermelho, ibis-escarlate, guará-rubro, guará-piranga e garça-vermelha.

Na época, os pesquisadores acreditavam que aquele era o primeiro registro realizado no país de um exemplar adulto de guará, branco.

“A ave não é albina. A explicação mais plausível é que possua uma mutação genética conhecida como leucismo, caracterizada pela falta total ou parcial de pigmentos (melanina), que afeta a transferência e acumulação de pigmentos nas penas da ave, o que confirmaria a coloração esbranquiçada do exemplar fotografado pelos pesquisadores”, revela Edgar Fernandez, professor, fotógrafo e pesquisador do Instituto Guaju e responsável pelo Projeto Guará.

O especialista explica que, ao nascer, essa espécie de ave apresenta uma coloração preta. Depois de algum tempo, a plumagem do guará se torna branca e cinza. E após, em média 12 meses, começa a ficar com a cor definitiva, em tons de vermelhos, com apenas as pontas das asas pretas. A cor é resultado de sua alimentação, baseada principalmente em caranguejos.

E agora, dois anos após o primeiro avistamento do guará branco, no último dia 29 de abril, novamente ele foi fotografado em Guaratuba. Fernandez acredita que seja o mesmo indivíduo por causa de algumas marcas em sua coloração e pelo trabalho realizado em campo pela equipe do Projeto Guará.

“A ave não ter sido avistada em mais de 20 saídas feitas pela equipe ao longo dos últimos dois anos, nos instiga ainda mais a continuar acompanhando este exemplar junto a baía de Guaratuba”, diz o pesquisador Fabiano Cecilio da Silva.

Após dois anos, pesquisadores fazem novo registro de um guará branco, ave raríssima, com mutação genética

O guará branco de Guaratuba

Para os cientistas, estes registro vai além do valor científico no acompanhamento da espécie e retrata a importância do desenvolvimento de ações que permitam manter a preservação do estuário no litoral paranaense.

Após dois anos, pesquisadores fazem novo registro de um guará branco, ave raríssima, com mutação genética

Dois anos após o primeiro flagrante, a ave é fotografada de novo

O guará mede entre 50 e 60 cm, tem bico fino, longo e levemente curvado para baixo. Seus ninhos são feitos no alto das árvores, na beira de mangues e lamaçais litorâneos.

Várias localidades litorâneas do Brasil foram batizadas devido à presença do guará, como Guaratuba – que em tupi significa “ajuntamento de guarás” – Guaraqueçaba (Paraná), Guaratiba (Rio de Janeiro) e Guarapari (Espírito Santo).

Leia também:
Depois de mais de dois séculos, guarás reaparecem em manguezais de Florianópolis
O retorno dos guarás

Fotos: Edgar Fernandez/Instituto Guaju

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Deixe uma resposta