Após cinco dias de viagem, mãe e filha – Pocha e Guillermina -, chegam ao Santuário de Elefantes Brasil, no Mato Grosso

Após cinco dias de viagem, mãe e filha - Pocha e Guillermina -, chegam ao Santuário de Elefantes Brasil, no Mato Grosso

Foi um trajeto de mais de 3 mil km por terra. Acomodadas em caixas separadas sobre caminhões, as elefantas Pocha e Guillermina saíram de Mendoza, na Argentina, rumo a Mato Grosso, para seu destino final: o Santuário de Elefantes Brasil (SEB). Como contei nesta outra reportagem, mãe e filha viviam num “recinto” de um ecoparque : na verdade, um fosso, totalmente de concreto, sem vegetação alguma. Guillermina, hoje com 22 anos, nasceu ali.

A viagem das duas durou cinco dias. A caravana da qual faziam parte o caminhão com as caixas das elefantas e veículos da polícia precisava se locomover lentamente para garantir a segurança e tranquilidade dos animais. Além disso, foram feitas diversas paradas para alimentá-las e checar se elas estavam bem.

Mas finalmente, na noite da quinta-feira (12/05), Guillermina e Pocha chegaram ao santuário, onde viverão daqui pra frente, em meio a uma área de natureza de mais de 1 mil hectares.

Após cinco dias de viagem, mãe e filha - Pocha e Guillermina -, chegam ao Santuário de Elefantes Brasil, no Mato Grosso

Imagem linda registrada durante a viagem: o contato entre mãe e filha

No santuário, mãe e filha terão a companhia de outras cinco elefantas, todas resgatadas também após anos vivendo em circos ou zoológicos: Maia, Rana, Lady, Mara e Bambi.

Neste primeiro momento, Pocha e Guillermina estão em separadas, em um recinto, e logo será dada a oportunidade para as duas de começarem a explorar seu novo lar.

Ajude na manutenção das elefantas

Pocha e Guille, como está sendo chamada carinhosamente pela equipe do santuário, são elefantes asiáticas. A mãe, que tem 55 anos, chegou ao ecoparque da Argentina em 1968, vinda da Alemanha. Guillermina só conheceu até hoje as paredes de cimento do lugar onde passou as últimas duas décadas de sua vida.

Como os gastos com alimentação e manutenção são muitos altos, o santuário está realizando uma campanha de boas-vindas para suas novas moradoras, que garantirá 2 meses de todas as refeições, lanchinhos e guloseimas para elas. Você pode fazer sua doação através deste link.

Após cinco dias de viagem, mãe e filha - Pocha e Guillermina -, chegam ao Santuário de Elefantes Brasil, no Mato Grosso

Pocha, à direita, tem a pele mais clara clara, parte devido a se esfregar nos muros de concreto
e parte devido à secura

O SEB é o sexto santuário de elefantes do mundo e primeiro da América Latina. É fruto da parceria de duas organizações internacionais – a Global Sanctuary for Elephants (GSE), do Tenessee, nos Estados Unidos, e a ElephantVoices – ambas dirigidas por renomados especialistas.

A iniciativa se deve também à paixão por elefantes de uma brasileira, Junia Machado. Ela representa a ElephantVoices no Brasil e se uniu à Scott Blaiss – que tem mais de 20 anos de experiência no manejo de elefantes africanos e asiáticos em zoos, circos e em santuários e é o fundador da GSE – para tocar o projeto.

O local não é aberto ao público, pois não é um zoológico. Ele tem como única missão proteger, resgatar e prover um ambiente natural para elefantes em cativeiro.

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Fotos: reprodução Facebook Santuário de Elefantes Brasil

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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