Após anos de críticas, time de futebol americano muda nome em respeito a povos indígenas

Após anos de críticas, time de futebol americano muda nome em respeito a povos indígenas

A idolatria dos americanos pelo futebol americano equivale à paixão dos brasileiros pelo nosso futebol. Para eles, a grande final do SuperBowl, quando se descobre quem é o grande campeão de cada ano, é muito mais importante do que a Copa do Mundo. Mas o esporte também precisou se adaptar a novos tempos e a rever comportamentos e o uso de imagens que não são mais aceitas ou apropriadas para os dias de hoje.

Desde que os protestos raciais tomaram as ruas dos Estados Unidos, após a morte do segurança negro George Floyd, morto por policiais brancos, a população do país começou a exigir o fim da discriminação racial e étnica que perdura há séculos e está entremeada em todos os setores da sociedade.

Um sinal claro disso foi a mudança anunciada pelo time de futebol da capital, Washington D.C. Fundado em 1932, o Washington Redskins (Pele Vermelha, na tradução para o português) tinha como mascote um indígena. Na verdade, o time era conhecido nacionalmente pelo nome “Redskins”. No mês passado, ele passou a ser chamado simplesmente pelo nome de sua cidade.

Durante anos o time já sofria críticas por usar um indígena como mascote.

“Hoje comemoramos a aposentadoria do nome do time de futebol americano Washington NFL, que há muito perpetua o racismo e os danos contra os povos nativos”, afirmou Crystal Echo Hawk, diretora executiva da IllumiNative, uma organização sem fins lucrativos que há muito defende a mudança de nome.

“Não vamos descansar até que o uso ofensivo de imagens, logotipos e nomes indígenas sejam erradicados dos esportes profissionais, universitários e colegiais. Agora é a hora de nos solidarizarmos e declararmos que o racismo não será tolerado”, garantiu a ativista.

Depois de 88 anos, o time de Washington abandonou a imagem do indígena

Nos Estados Unidos é muito comum que times adotem mascotes e sejam mais conhecidos por eles do que pelas cidades onde estão sediados. Mas quase todos eles usam animais, como é o caso das equipes do Philadelphia Eagles, com a águia, Atlanta Falcons, com o falcão, e do Arizona Cardinals, com o cardeal.

Um estudo da Universidade da Califórnia de Berkeley, publicado em fevereiro, mostrava que entre mais de 1 mil nativos americanos entrevistados, pelo menos metade se sentia ofendida pelo nome do Washington Redskins e pelos mascotes indígenas.

“Nós realmente temos que começar a nos perguntar – por que estamos realmente usando ainda esses mascotes e símbolos, cujas vozes dizemos que falam pelos indígenas, e que supostamente os estamos representando?” questionou Arianne Eason, professora de psicologia e co-autora do estudo.

O time de futebol de Washington gastou milhões de dólares para produzir novos uniformes, capacetes, produtos e reformular todo seu marketing para retirar a imagem do indígena. Ainda será definido se haverá um novo mascote ou não.

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Fotos: reprodução Facebook Washington Football Team

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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