Em primeira nova descoberta após 120 anos, cientistas se deparam com recife de 500 m de altura na Grande Barreira de Corais

Após 120 anos, cientistas se deparam com descoberta surpreendente na Grande Barreira de Corais: um recife de 500 metros de altura

Parque Marinho da Grande Barreira de Corais é o maior sistema de recife de corais do mundo. São 2.300 km de extensão, na costa de Queensland, ao leste da Austrália. Este ecossistema é habitat de riquíssima vida marinha e por isso, considerado Patrimônio da Humanidade.

E há poucos dias, pesquisadores do Schmidt Ocean Institute anunciaram que descobriram um gigantesco e até então, desconhecido, recife de coral na região, que mede 500 metros de altura (mais alto, por exemplo, que o Empire State Building, de Nova York, com 381 metros de altura, ou 13 vezes maior que a estátua do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, com 38 metros).

É a primeira nova descoberta de um coral na Grande Barreira depois de 120 anos. O achado aconteceu no último dia 20 de outubro, durante uma expedição da embarcação Falkor. Os pesquisadores estavam fazendo um mapeando do solo em uma área ao norte do parque marinho. Dias depois, um robô submarino foi enviado ao local para explorar o recife.

“Esta descoberta inesperada confirma que continuamos a encontrar estruturas desconhecidas e novas espécies em nossos oceanos”, destacou Wendy Schmidt, co-fundadora do Schmidt Ocean Institute. “Nosso conhecimento sobre o que há no oceano é muito limitado. Graças às novas tecnologias que funcionam como nossos olhos, ouvidos e mãos no fundo do oceano, temos a capacidade de explorar como nunca antes. Novas paisagens oceânicas estão se abrindo para nós, revelando os ecossistemas e diversas formas de vida que compartilham o planeta conosco”.

Após 120 anos, cientistas se deparam com descoberta surpreendente na Grande Barreira de Corais: um recife de 500 metros de altura

Imagens de computador do gigantesco recife

A base do recife de coral recém-descoberto tem 1,5 km de largura e depois sobe 500 metros até sua profundidade mais rasa, de apenas 40 metros abaixo da superfície do mar. Ele fica em uma área separada e é mais um de outros sete, mapeados desde o final de 1800, incluindo o recife na Ilha Raine – a área de nidificação de tartarugas verdes mais importante do mundo.

“Estamos surpresos e entusiasmados com o que encontramos”, diz Wendy. “Não só mapear o recife em 3D em detalhes, mas também ver visualmente essa descoberta com o robô subaquático é incrível”.

A expedição realizada pelo Falkor terá duração de um ano. Os cientistas estão explorando o oceano ao redor da Austrália. Em abril, os pesquisadores encontraram a criatura marinha mais longa registrada até então – um sifonóforo de 45 metros, no Canyon Ningaloo -, além de até 30 novas espécies.

Há cerca de dois meses, também foram descritas cinco novas espécies de corais negros e esponjas, fora o primeiro registro na Austrália de raros peixes-escorpião.

Após 120 anos, cientistas se deparam com descoberta surpreendente na Grande Barreira de Corais: um recife de 500 metros de altura

O sifonóforo, hidrozoário da mesma família das águas-vivas

A riqueza da Grande Barreira de Corais

Ao longo de 940 ilhas e ilhotas está abrigada uma das maiores biodiversidades da Terra. A Grande Barreira de Corais possui quase 3 mil recifes. Neles vivem 1.500 espécies de peixes, 411 tipos de corais duros e nada menos do que 1/3 dos corais moles do planeta.

Pelas suas águas, nadam ainda 134 espécies de tubarões e arraias, seis das sete espécies de tartarugas marinhas ameaçadas de extinção, e um sem número de mamíferos aquáticos, entre eles, o adorável dugong, animal da família do peixe-boi.

Além de toda vida marinha, o parque atrai milhares de pássaros, que encontram ali alimento.

A proteção da Grande Barreira de Corais não é só uma questão ambiental, mas também econômica. Ela movimenta cerca de US$ 5,4 bilhões nos setores de pesca e turismo, que emprega aproximadamente 70 mil pessoas.

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Fotos: domínio público/pixabay (abertura) e demais divulgação Schmidt Ocean Institute

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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