Ao resgatar filhote de cão, família leva pra casa por engano um coiote

Ao resgatar filhote de cão, família leva pra casa por engano um coiote

Apesar de não termos coiotes no Brasil, a notícia vale como alerta de especialistas: se você encontrar algum filhote de animal sozinho, primeiro entre em contato com as autoridades ambientais antes de fazer qualquer coisa. A história que aconteceu no estado americano de Massachusetts ilustra bem isso. Uma família achou na beira da estrada um filhote de “cão” que parecia desorientado e perdido. Foi só depois de levá-lo para casa que eles se deram conta de que talvez ele não fosse um cachorro…

A família entrou em contato então com a equipe de um centro de reabilitação de vida selvagem da região, que rapidamente foi até o local e verificou que o filhote de “cão”, na verdade, era um coiote, com cerca de cinco a seis meses de vida.

Biólogos explicam que é comum encontrar filhotes de coiotes nessa época do ano, quando eles começam a explorar sozinhos novas áreas, longe dos pais.

Após exames, constatou-se que ele não tinha raiva e logo em seguida, já foi vacinado contra a doença.

“Este caso teve um final feliz, mas poderia facilmente ter sido diferente. Os coiotes são considerados uma espécie de vetor da raiva em Massachusetts e são suscetíveis a contrair o vírus que é mortal para todos os mamíferos, incluindo humanos. Se as pessoas dessa família tivessem sido mordidas, arranhadas ou tivessem contato prolongado, teríamos sido obrigados a sacrificar o filhote. Somos gratos a cada pessoa que tira um tempo do dia para ajudar a vida selvagem quando necessário, mas sempre incentivamos as pessoas a ligar para as autoridades antes de intervir, isso pode ajudar a manter todos os envolvidos seguros”, alertou a equipe do New England Wildlife Center.

O filhote de coiote será transferido para uma área de reabilitação para que no futuro seja devolvido à natureza. Mas ele não ficará sozinho por muito tempo. Será apresentado a uma outra coiote, fêmea, jovem como ele.

“Eles serão criados juntos e terão a chance de crescer e aprender comportamentos naturais em nosso recinto externo. Nos esforçaremos a oferecer aos dois um treinamento o mais natural possível e trabalharemos para replicar os comportamentos e habilidades essenciais que eles aprendem com a mãe e o pai”, explicam os profissionais do local.

#DeixeOBichoNoMato: se encontrar um filhote, não tire ele da natureza!

Em 2020, um caso aconteceu em Rondônia que também é um bom exemplo de como, apesar das boas intenções, filhotes não devem ser retirados do local onde estão. Naquele ano, um motorista que estava fazendo uma entrega na região rural de Ariquemes, se deparou com uma harpia na beira da estrada.
O homem não sabia bem qual era a espécie da ave, mas achou que estivesse doente e por isso, jogou uma toalha sobre ela e a levou para a Secretaria Municipal do Meio Ambiente do município.

A harpia em questão era um filhote, uma fêmea, com aproximadamente sete meses de idade, e em ótimo estado de saúde. Na verdade, ela estava apenas explorando o chão e a área perto de seu ninho, que fica numa castanheira com mais de 30 metros de altura. O comportamento, segundo os biólogos, é natural nesta idade e em momentos de alimentação, até mesmo os adultos podem ser observados pousados no chão.

“Se o motorista não tivesse levado para a cidade, o filhote teria voltado ao ninho por conta própria certamente”, disse Carlos Tuyama, coordenador do Núcleo Rondônia do Projeto Harpia, que faz o mapeamento de ninhos da ave nos estados do Pará, Amazonas e Rondônia, além de áreas no Pantanal e na Mata Atlântica.

Trabalhando em parceria, as equipes da Secretaria de Meio Ambiente de Ariquemes e do Projeto Harpia conseguiram descobrir com o motorista o local exato onde a harpia foi achada e com isso, buscar o ninho dela. “Foi muito fácil achar o ninho. O filhote estava a 100 metros dele”, contou Tuyama (leia mais sobre esse caso aqui).

É por causa de histórias como essas, que foi lançada a campanha #DeixeOBichoNoMato, uma iniciativa de várias organizações que trabalham pela proteção de animais no Brasil, entre elas, o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (CENAP/ICMBio), Instituto Pró-Carnívoros, Rede Pró UC, Programa de Conservação Mamíferos do Cerrado, Programa Amigos da Onça e o Projeto Onças do Iguaçu.

Então, confira abaixo as dicas da campanha:

1º – Não se Aproxime
A mãe pode estar por perto e ao tentar defender o filhote pode se tornar agressiva.

2º – Não toque nos animais
Por mais fofinhos que os filhotes sejam, são animais selvagens, e podem nos machucar. Também o cheiro das pessoas nos filhotes pode provocar o abandono pela mãe.

3º – Deixe tudo como está
Garanta também que outras pessoas, animais domésticos, veículos ou maquinários não se aproximem, assim serão maiores as chances da mãe retornar e levar os filhotes para um local mais seguro.

4º – Informe o órgão ambiental competente

Contatos Úteis:

CENAP/ICMBio – (11) 4411-6633
AZAB (Associação Brasileira de Zoológicos e Aquários) – (47) 99171-8461 – secretaria@azab.org.br
IBAMA:
– Acre: (68) 3211-1700
– Alagoas: (82) 2122-8300, 2122- 8301, 2122-8302 e 2122- 8303
– Amapá: (96) 2101-6769
– Amazonas: (92) 3878-7150 e 3878- 7137
– Bahia: (71) 3172-1650 e 3172-1670
– Ceará: (85) 3307-1126
– Distrito Federal: (61) 3316-1475, (61) 3316-1476
– Espírito Santo: (27) 3089-1150
– Goiás: (62) 3946-8100, 3946-8111 e 3946- 8199
– Maranhão: (98) 3131-2347 e 3131-2302
– Mato Grosso do Sul: (67) 2106 -7500
– Mato Grosso: (65) 3648-9100 e (65) 3648-9114
– Minas Gerais: (31) 3555-6102
– Pará: (91) 3210-4700
– Paraíba: (83) 3198-0800
– Paraná: (41) 3360-6101 e 3360-6102
– Pauí: (86) 3301-2443 e 3301-2400
– Pernambuco: (81) 3201-3800, 3201-3802 e 3201-3854
– Rio de Janeiro: (21) 3077-4252
– Rio Grande do Norte: (84) 3342-0410
– Rio Grande do Sul: (51) 3214-3401, 3214-3470 e 3214-3480
– Rondônia: (69) 3217-2700
– Roraima: (95) 4009-9431
– Santa Catarina: (48) 3212-3300
– São Paulo: (11) 3066-2633
– Sergipe: (79) 3046-1000, 3046-1003 e 3046-1004
– Tocantins: (63) 3219-8422

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Foto: divulgação New England Wildlife Center

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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