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Análise inédita quantifica efetividade de projetos de conservação para evitar extinções e destruição ambiental

Análise inédita quantifica efetividade de projetos de conservação para evitar extinções e destruição ambiental

Nunca antes esforços de conservação ambiental foram tão importantes. Estimativas apontam que atualmente 44 mil espécies estão ameaçadas de extinção, em maior ou menor grau. Algumas, por exemplo, se encontram a um passo de desaparecer por completo da natureza, como é o caso das vaquitas, no México, onde só restam cerca de dez desses que são os menores cetáceos e mamíferos aquáticos do planeta.

Todavia, até hoje, levantamentos sempre mostraram o sucesso de programas de conservação isolados, mas nunca antes houve um estudo que comprovasse a efetividade dessas iniciativas como um todo. Entretanto, uma meta-análise a partir de 186 estudos, que avaliaram 665 projetos, demonstrou que as ações de conservação – incluindo o estabelecimento e gestão de áreas protegidas, a erradicação e o controle de espécies invasoras, a gestão sustentável dos ecossistemas, a redução e restauração da perda de habitat – melhoraram o estado da biodiversidade ou abrandaram o seu declínio na maioria dos casos (66%) em comparação com nenhuma medida tomada.

“Se olharmos apenas para a tendência de declínio das espécies, seria fácil pensar que não estamos conseguindo proteger a biodiversidade, mas não estaríamos olhando para o quadro completo”, diz Penny Langhammer, principal autora do estudo publicado na Science e vice-presidente executiva da organização Re:wild. “O que mostramos com este artigo é que a conservação está, de fato, funcionando para travar e reverter a perda de biodiversidade. Com isso fica claro que a conservação deve ser priorizada e receber recursos adicionais significativos e apoio político a nível mundial.”

Entre as centenas de projetos analisadas está a criação de áreas protegidas e a demarcação de terras indígenas no Brasil. Com essas medidas conseguiu-se reduzir o desmatamento e a intensidades dos incêndios na Floresta Amazônica. Segundo o levantamento, a devastação florestal era 1,7 a 20 vezes maior e os incêndios causados ​​pelo homem de quatro a nove vezes mais frequentes fora dos perímetros de áreas sob proteção.

Já na Bacia do Congo, na África, o desmatamento era 74% menor em áreas de concessão para a exploração madeireira sob um Plano de Manejo Florestal em comparação a outras sem regulamentação oficial. Na Flórida, o controle de espécies invasoras e predadoras nas ilhas de Cayo Costa e North Captiva contribuiu para o aumento dos ninhos de tartarugas marinhas e de trinta-réis-pequeno (na imagem que abre este post).

“Nosso estudo mostra que quando as ações de conservação funcionam, elas realmente funcionam. Em outras palavras, muitas vezes levam a resultados para a biodiversidade que não são apenas um pouco melhores do que não fazer nada, mas muitas vezes maiores”, destaca Jake Bicknell, coautor do artigo e cientista conservacionista da Universidade de Kent. “A implementação de medidas para aumentar o tamanho da população de uma espécie ameaçada, por exemplo, com frequência gera excelentes resultados. E este efeito foi refletido em uma grande proporção dos estudos de caso que analisamos.”

Análise inédita quantifica efetividade de projetos de conservação para evitar extinções e destruição ambiental

Vista aérea de uma área desmatada na República Democrática do Congo: destruição é quase 75% menor naquelas que estão sob um um plano de manejo florestal
Foto de Axel Fassio/CIFOR

Mesmo nos casos em que os projetos de conservação não foram os esperados, há um impacto positivo naquele habitat ou ecossistema, como benefícios automáticos a espécies nativas. Ou ainda, aprendizado por parte de pesquisadores e cientistas e aprimoramento nas estratégias e técnicas empregadas.

De acordo com os envolvidos na meta-análise, um ponto claro é o investimento em mais áreas protegidas, que têm se provado um dos mais eficientes métodos para proteger a biodiversidade.

“As ações de conservação funcionam – isto é o que a ciência nos mostra claramente”, resslata Claude Gascon, coautor do artigo e diretor de estratégia e operações da organização Global Environment Facility. “É também evidente que para garantir que os efeitos positivos perdurem, precisamos investir mais na natureza e continuar a fazê-lo de forma sustentável. Este estudo surge num momento crítico em que o mundo concordou com metas globais ambiciosas e necessárias para a biodiversidade que exigirão ações de conservação numa escala inteiramente nova. Conseguir isto não só é possível, como está ao nosso alcance, desde que seja devidamente priorizado.”

Análise inédita quantifica efetividade de projetos de conservação para evitar extinções e destruição ambiental

Graças a um projeto de controle de espécies invasoras em ilhas na Flórida houve um aumento
dos ninhos de tartarugas-cabeçudas
Foto: Lewis Burnett, HuntingforParadise

*Com informações e entrevistas contidas no texto de divulgação da Re:wild

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Foto de abertura: Matthew Paulson via Flickr Creative Commons

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