Amazônia tem recorde de destamamento para o mês de março: maior alta dos últimos seis anos

Amazônia tem recorde de destamamento para o mês de março: maior alta dos últimos seis anos

Depois de janeiro quando o desmatamento na Amazônia apresentou queda, infelizmente, mais uma vez, os índices voltaram a subir. De acordo com os dados dos alertas de monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), março de 2021 teve uma alta de 12,5% em relação ao mesmo mês de 2020.

Foram desmatados 367, km² no mês passado, em comparação a 326,9 km² em março do ano anterior. Esta é a taxa mais alta para o período registrada desde 2015.

Um dado bastante preocupante é que não apenas a devastação está aumentando na maior floresta tropical do mundo, mas também o tamanho das áreas destruídas, conforme revelado por uma análise feita recentemente, conforme mostramos na reportagem “Mudança no padrão do desmatamento na Amazônia comprova certeza de impunidade pelos criminosos. Ela aponta que assim como a destruição sob o governo Bolsonaro deu um salto, houve ainda um crescimento na média do tamanho dos chamados “polígonos” do desmatamento em 61%.

Na semana passada, 199 organizações brasileiras enviaram uma carta ao novo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, fazendo um alerta sobre os riscos de um acordo com Bolsonaro. Para os signatários do documento, um acordo de cooperação iminente entre aquele país e o governo atual seria uma temeridade para o meio ambiente, os direitos humanos e a democracia brasileiros.

Nos próximos dias 22 e 23 de abril, os Estados Unidos sediará um encontro virtual sobre o clima. Biden convidou representantes de 40 países para participarem do “Leaders Summit on Climate”, entre eles, o Brasil (leia mais aqui).

2020 teve aumento recorde no desmatamento da Amazônia

Vale lembrar que em dezembro, a Amazônia teve aumento de 14% no desmatamento em dezembro e 2020 o segundo pior índice de destruição dos últimos cinco anos. E ainda, o mesmo Inpe que divulgou as boas novas de janeiro, terá corte de 15% no orçamento em 2021.

Também de acordo com o Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), um instituto nacional de pesquisa, sem fins lucrativos, composto por pesquisadores brasileiros, 2020 apresentou um recorde no desmatamento. Entre janeiro e dezembro do ano passado, a floresta perdeu 8.058 km² de área verde. É a maior perda dos últimos dez anos. Houve um aumento de 30% em comparação com 2019, quando foram derrubados 6.200 km².

No ranking dos estados que mais desmataram a Amazônia no ano passado, o Pará aparece em primeiro lugar (42%), seguido pelo Amazonas (17,2%), Mato Grosso (13,4%), Rondônia (12,9%), Acre (8.5%), Maranhão (2,9%), Roraima (2,5%) e, por último, Amapá (0,3%) e Tocantins (0,3%). Seis dos dez municípios responsáveis pelos mais altos índices de destruição estão localizados no Pará: Altamira (575 km²) e São Félix do Xingu (447 km²) encabeçam a lista. 

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Foto: SEMA MT/Fotos Públicas

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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