Amazônia tem o maior índice de desmatamento para o mês de agosto dos últimos dez anos

Amazônia tem o maior índice de desmatamento para o mês de agosto dos últimos dez anos

Foram 1.606 km² de floresta destruída. Para se ter uma ideia do que isso representa, uma área equivalente a cinco vezes o tamanho da capital mineira, Belo Horizonte, foi desmatada no mês passado na Amazônia. Segundo o mais recente monitoramento divulgado pelo Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), o desmatamento em agostou de 2021 foi 7% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado.

Assim como em levantamentos anteriores, os estados do Pará e Amazonas aparecem como os principais responsáveis pela devastação da região, somando 66% de toda a derrubada de árvores em agosto.

“Apenas os cinco municípios paraenses que figuram na lista dos dez que mais desmataram, Altamira, São Félix do Xingu, Pacajá, Itaituba e Portel, concentraram 40% do total de desmatamento detectado no estado. Todos estão na lista do Ministério do Meio Ambiente (MMA) que indica os municípios prioritários para prevenção, monitoramento e controle do desmatamento. E eles ainda apresentam grandes blocos de áreas protegidas em seus territórios, o que torna esse desmatamento ainda mais perigoso e agravante”, diz Larissa Amorim, pesquisadora do Imazon.

Outro dado bastante preocupante é o que revela que agosto também foi o quinto mês deste ano em que o desmatamento atingiu um dos maiores índices da década, em 2012.

E pra piorar ainda mais esse cenário, no acumulado de janeiro a agosto de 2021, a área devastada na Floresta Amazônica foi 48% maior do que no mesmo período de 2020.

“Se quisermos evitar que o ano feche com a maior área desmatada da década, precisamos urgentemente adotar ações mais efetivas, como aumentar o embargo de terras já desmatadas ilegalmente e intensificar operações de fiscalização, com a devida punição dos desmatadores”, alerta Antônio Fonseca, pesquisador do Imazon.

Em julho, uma análise feita por um grupo de pesquisadores e publicada em artigo na revista ‘Nature’ revelou que o desmatamento e a crise climática estão fazendo com que parte da Amazônia já emita mais CO2 do que absorva. As queimadas da floresta fazem com que ela emita três vezes mais CO2 do que consegue absorver. As regiões mais afetadas estão localizadas nos estados do Pará e do Mato Grosso.

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*O Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), desenvolvido pelo Imazon, é uma ferramenta que utiliza imagens de satélites (incluindo radar) para monitorar a floresta. Além do SAD, existem outras plataformas que vigiam a Amazônia: Deter, do Inpe, e o GLAD, da Universidade de Maryland. Todas são importantes para a proteção ambiental, pois garantem a vigilância da floresta e a emissão de alertas dos locais onde há registro de desmatamento. Os dados fornecidos ajudam os órgãos de controle a planejarem operações de fiscalização e identificarem desmatadores ilegais.

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Foto: Marizilda Cruppe/Amazon Watch/Amazônia Real/Fotos Públicas

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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