Amazônia registra o maior desmatamento de abril dos últimos dez anos, revela Imazon: 778 km2!

Amazônia registra o maior desmatamento de abril dos últimos dez anos, revela Imazon: 778 km2!

O Imazon divulgou, ontem, dados de seu Sistema de Alerta do Desmatamento (SAD) que revelam que, em abril, a Amazônia registrou o maior índice da série histórica para esse mês, na última década.

Foram devastados 778 km2 de área florestal. E, em comparação com abril de 2020 – quando o bioma perdeu 536 km2 -, esse número representa aumento de 45%.

Os números registrados pelo SAD apresentam praticamente o mesmo cenário apontado pelo sistema DETER, do Inpe, no início de maio, confirmando que este foi o mês de abril mais devastador. Contamos, aqui, no Conexão Planeta.

Amazonas continua líder

Amazônia registra o maior desmatamento de abril dos últimos dez anos, revela Imazon: 778 km2!

Levando em conta os estados com maior área desmatada, o ranking ficou assim:
– Amazonas é líder, com 28%;
– Pará ficou em segundo lugar, com 26%;
– Mato Grosso registrou 22%;
– Rondônia, 16%;
– Roraima, 5%;
– Maranhão, 2% e
– Acre, em último, com 1%.

No Amazonas, os municípios mais devastados são Lábrea e Apuí, e estão entre os dez com pior cenário: registram 126 km2 ou 60% de todo o desmatamento do estado.

A maior parte da devastação – 68% – ocorreu em áreas privadas e sob estágios de posse. O restante foi registrado em assentamentos (19%), Unidades de Conservação (11%) e Terras Indígenas (2%).

As cinco UCs mais devastadas estão no Pará

Amazônia registra o maior desmatamento de abril dos últimos dez anos, revela Imazon: 778 km2!
Floresta Nacional de Jamanxim, no Pará / Foto: Ibama/Flickr

Entre as dez Unidades de Conservação mais desmatadas, cinco estão no Pará. São elas:
Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu,
– Floresta Nacional (Flona) do Jamanxim (foto),
– Floresta Nacional (Flona) de Itaituba II,
– Estação Ecológica (Esec) da Terra do Meio e
– Reserva Biológica (Rebio) Nascentes da Serra do Cachimbo.

Em comparação com março – que divulgamos aqui -, houve algumas alterações importantes. As duas primeiras UCs mais desmatadas em março, continuam líderes.

E a situação só piorou para a Flona de Itaituba II, a Esec da Terra do Meio e a Rebio Nascentes da Serra do Cachimbo, piorou: a primeira foi de 5º para 3º lugar; a segunda, de 7º para 4º lugar, e a terceira, de 6º para 5º.

Vale lembrar que, em maio de 2019, poucos meses após o início do governo Bolsonaro, o Ibama avisou, por meio de nota pública, onde seriam realizadas suas próximas fiscalizações.

Entre os locais escolhidos pelo órgão para as operações de fiscalização contra desmatamento e garimpo estavam “Terras Indígenas e Unidades de Conservação no sudoeste do Pará, região que abriga a Floresta Nacional do Jamanxim”. Falamos sobre isso, aqui, no Conexão Planeta.

O estado do Mato Grosso ganha destaque quando o foco são as Terras Indígenas. No ranking dos dez territórios mais atingidos, quatro estão lá:
TI Piripikura (também a mais desmatada de 2020);
– TI Kayabi (MT/PA),
– PI Aripuanã (MT/RO) e
– TI Urubu Branco
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Baita e Tamanduá são os únicos sobreviventes da etnia Piripikura, que vivem na TI homônima, no Mato Grosso, a mais devastada – Foto: Bruno Jorge/ISA

O caso da TI Piripikura é um dos mais delicados. Lá, sobrevivem apenas dois indígenas dessa etnia (foto acima), em isolamento voluntário e monitorados pelo Instituto Socioambiental (ISA). Em abril, a Justiça Federal fez duas determinações importantes para a Funai, visando a proteção das terras e dos indígenas.

Determinou que a Funai que ela tinha 90 dias – portanto, até o final de julho – para constituir um grupo técnico para agilizar a demarcação dessa terra. O juiz Frederico Pereira Martins, da Vara Federal Cível e Criminal de Juína-MT, também decidiu que o órgão está obrigado a manter uma equipe permanente de fiscalização na área para impedir o acesso de terceiros ao território.

Para informações mais detalhadas a respeito dos dados do Imazon, consulte o Boletim do Desmatamento de abril de 2021 ou faça o download da publicação.

Foto (destaque): Vinícius Mendonça/Ibama

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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