Amazônia perdeu 649 km2 de floresta nativa em maio: é a segunda maior taxa de desmatamento registrada nesse mês desde 2011, alerta o Imazon

Nos últimos dez meses – de agosto do ano passado a maio deste ano -, a destruição da Amazônia só aumentou: 4.567 km2 de árvores nativas foram derrubadas, representando um aumento de 54% em relação ao período anterior.

É o que aponta o boletim do Imazon, com dados de seu Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), que também revela que, no mês passado, a Amazônia perdeu 649 km² de floresta. Esse número é 19% menor do que o registrado em maio de 2019, que foi um dos índices mais altos de desmatamento em maio de toda a série histórica do monitoramento do órgão.

Mesmo assim, esse dado representa a segunda maior taxa de desmatamento registrada no mês de maio nos últimos dez anos. “Portanto, apesar da redução, a derrubada da floresta ainda é preocupante”, salienta o instituto, em seu site.

Ranking de estados e municípios

O Pará continua líder no ranking dos estados mais devastadores com 40% do desmatamento total. E é seguido pelo Amazonas (25%), por Mato Grosso (19%), Rondônia (10%), Acre (4%) e Roraima (2%).

Entre os municípios responsáveis pela maior parte dos clarões na floresta amazônica estão Altamira (sudeste do Pará), no topo da lista com 97 km², seguida por São Félix do Xingu (no mesmo estado), Lábrea (AM), Apuí (AM), Novo Progresso (PA) – onde foi lançado o Dia do Fogo, no ano passado – e Porto Velho (RO).

Desmatamento, indígenas e COVID-19

O avanço do coronavírus em terras indígenastanto na Amazônia, como em outras regiões do país – está intimamente ligado ao avanço do desmatamento ilegal. Madeireiros e garimpeiros continuam invadindo áreas indiscriminadamente e levando a doença para dentro das aldeias.

O pesquisador Carlos Souza Jr., do Imazon, alerta: “É preciso gente para desmatar, há muita invasão de Unidades de Conservação e Terras Indígenas, e essas pessoas podem levar a COVID-19 para esses territórios, colocando em risco as populações tradicionais”.

Segundo o SAD, em maio, a Terra Indígena mais desmatada foi a Kayapó, no Pará. No começo de junho, o Ministério Público Federal (MPF) divulgou documento em que alerta a respeito das obras da BR-163, que colocam em risco esse povo, impactando seu isolamento.

Além disso, o MPF destacou que os indígenas interrompem o isolamento social nas aldeias e seguem para as cidades “em busca de direitos não atendidos e meios de subsistência”, o que os torna ainda mais vulneráveis à COVID-19.

Analisando os últimos dados divulgados pelo Comitê de Vida e Memória Indigena (13/6, veja abaixo), que indicam o falecimento de 281 indígenas e 5.361 infectados, de 103 etnias, percebe-se a relação entre o desmatamento e as mortes por COVID-19. Sim, os invasores têm levado a doença para dentro das aldeias.

O estado com mais mortes de indígenas contaminados por coronavírus é o Amazonas (139), disparado, mas em segundo vem o Pará (com 55 mortes e que é o líder em devastação).

Em terceiro, está Roraima (com 33 mortes e que é o sexto estado mais desmatado). Na sexta posição, o Acre (com 7 mortes, como São Paulo), que é o quarto estado mais devastador. E, na sétima posição, Rondônia (com 6 mortes de indígenas por COVID-19, junto com Maranhão), que está em terceiro no ranking do Imazon.

Leia o artigo do pesquisador Phillip Martin Fearnside, do Inpa (publicado no site Amazônia Real e reproduzido por nós), no qual ele reflete a respeito da possibilidade de um “novíssimo coronavírus” aparecer na região amazônica: O próximo coronavírus virá da Amazônia com o avanço do desmatamento.

Foto: Ibama (combate ao desmatamento pela Força-Tarefa da Amazônia, composta por procuradores da AGU que atuam junto ao Ibama e ao ICMBio)

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

Deixe uma resposta