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Alerta de extinção iminente da vaquita é emitido pela Comissão Baleeira Internacional

Não dá pra dizer que é uma surpresa, já que há muitos anos especialistas alertam sobre a possível extinção da vaquita. Com cerca de 1,5 metro de comprimento, ela é o menor cetáceo e mamífero aquático do planeta. Também chamada de boto-do-pacífico, é uma espécie de golfinho, encontrada no Golfo da Califórnia, na fronteira entre o estado americano e o México.

Com a estimativa de que existam apenas dez vaquitas ainda vivas, há poucos dias o comitê científico da Comissão Baleeira Internacional (IWC, na sigla em inglês) emitiu um alerta de extinção para a espécie.

O declínio de mais de 99% da população de vaquitas nas últimas décadas foi provocado por redes ilegais de pesca, nas quais elas acabam ficando presas e morrendo.

Mesmo tendo sido proibidas permanentemente pelo governo do México em 2017, as redes de emalhar ainda são utilizadas pelos pescadores para capturar o também em risco de extinção peixe totoaba, nativo da região, e vendido para o mercado negro chinês por preços altíssimos, devido a seus supostos “poderes afrodisíacos”.

Como os demais cetáceos, a vaquita precisa ir à tona, respirar na superfície, e enroscada nas cordas, morre afogada.

Apesar da pressão internacional e de organizações de proteção animal para que o governo mexicano intensificasse a fiscalização e fosse mais ativo para tentar salvar as últimas vaquitas sobreviventes, parece que pouco tem sido feito (leia mais aqui).

“Esta declaração é emitida hoje para encorajar um reconhecimento mais amplo dos sinais de alerta de
extinções iminentes, e para gerar apoio e incentivo em todos os níveis para ações necessárias para salvar a vaquita. A extinção da vaquita é inevitável, a menos que 100% das redes de espera sejam substituídas imediatamente com métodos de pesca alternativos que protegem a vaquita e os meios de subsistência dos pescadores. Se isso não acontecer agora, será tarde demais”, diz o documento da IWC.

O primeiro levantamento as vaquitas foi realizado em 1997 e estimou uma população de menos de 567 animais. Duas décadas depois, em 2015, esse número caiu para 59. Em 2018, eram apenas cerca de dez indivíduos.

Solitárias e tímidas

As vaquitas são frequentemente observadas sozinhas ou em pares. Tímidas, são difíceis de avistar por causa de seu tamanho pequeno, movimentos discretos e lentos e por evitarem áreas com embarcações motorizadas. Elas se alimentam de pequenos peixes, crustáceos (como camarão) e cefalópodes (como lulas e polvos).

Uma de suas principais características é ter um anel de cor preta em volta dos olhos e manchas escuras ao redor da boca.

A espécie tem a menor área geográfica de qualquer mamífero marinho. Vive apenas na parte norte do Golfo da Califórnia, no México. A maioria delas é encontrada ao leste da cidade de San Felipe, onde está também o Delta da Reserva da Biosfera do Rio Colorado, um dos habitats aquáticos mais diversos do planeta. O delta inclui muitos tipos de peixes, pássaros, répteis e mamíferos marinhos.

Com menos de dez vaquitas ainda vivas, Estados Unidos pressiona México sobre falta de ação para salvar espécie da extinção

Imagem: NOAA

Estima-se que a expectativa de vida das vaquitas seja de aproximadamente 20 anos. Atingem a maturidade sexual entre os 3 e 6 anos de idade. A gestação dura cerca de 10 a 11 meses e acredita-se que as fêmeas dão à luz a cada dois anos a um único filhote.

*Texto acima traduzido da NOAA Fisheries

Leia também:
Morre uma das últimas vaquitas que ainda restava no planeta

Foto de abertura: © Thomas A. Jefferson, Viva Vaquita / alerta IWC

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